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Empresa canadense perfura quase 100 km de poços a até 4,5 km de profundidade, transforma um campo geotérmico abandonado em um radiador subterrâneo gigante e faz a Alemanha receber pela 1ª vez eletricidade de um sistema geotérmico fechado na rede pública

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 25/04/2026 às 11:10
Atualizado em 25/04/2026 às 11:14
Assista o vídeoSistema geotérmico inovador perfura 90 km de poços na Alemanha e gera energia sem usar água subterrânea, conectando eletricidade à rede em 2025.
Foto: Reprodução/Eavor
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Sistema geotérmico inovador perfura 90 km de poços na Alemanha e gera energia sem usar água subterrânea, conectando eletricidade à rede em 2025.

Segundo a Eavor Technologies, em 4 de dezembro de 2025 a empresa entregou os primeiros elétrons gerados por um sistema geotérmico de circuito fechado multilateral à rede elétrica comercial da Alemanha. O projeto foi implementado em Geretsried, cidade com cerca de 15 mil habitantes no sul da Bavária, a aproximadamente 40 quilômetros de Munique. O terreno havia sido utilizado anteriormente para uma tentativa de exploração geotérmica convencional, abandonada em 2013 após a identificação de rocha quente, porém seca e sem permeabilidade suficiente para circulação de fluido subterrâneo.

Limitações da geotermia convencional restringem uso a menos de 1% da superfície do planeta

A geotermia tradicional depende da existência natural de reservatórios subterrâneos com água quente ou vapor. Esse tipo de formação ocorre em regiões geologicamente específicas, como Islândia, Quênia, Nova Zelândia e partes do oeste dos Estados Unidos.

Globalmente, essas condições representam menos de 1% da superfície terrestre. Embora o calor esteja presente em praticamente toda a crosta terrestre, a ausência de fluido e porosidade limita o uso da tecnologia convencional.

Sistema Eavor Loop elimina necessidade de água subterrânea com circuito fechado selado

A proposta da Eavor se baseia em um sistema de circuito fechado conhecido como Eavor Loop. O conceito funciona como um radiador subterrâneo. Um fluido circula por um conjunto de tubulações seladas instaladas em rochas quentes, absorvendo calor e retornando à superfície sem nunca entrar em contato com o ambiente geológico.

Esse modelo elimina a necessidade de aquíferos, evita perda de fluido e dispensa fraturamento hidráulico, reduzindo riscos operacionais e ambientais.

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A engenharia do projeto envolve a perfuração de dois poços verticais separados por cerca de 220 metros, que atingem profundidades de aproximadamente 4,5 quilômetros.

A partir desses pontos, são abertas galerias horizontais interligadas que formam um circuito fechado contínuo. Cada loop possui cerca de 3 quilômetros de extensão, com múltiplas conexões formando uma rede subterrânea. O sistema completo prevê cerca de 90 quilômetros de perfuração total distribuídos entre quatro loops.

Circulação por termossifão permite operação do sistema geotérmico sem uso de bombas mecânicas

O sistema utiliza o princípio do termossifão para circulação do fluido. O fluido frio desce naturalmente, absorve calor da rocha, torna-se menos denso e retorna à superfície. Esse processo ocorre continuamente sem necessidade de bombeamento ativo.

A ausência de partes móveis reduz consumo de energia e simplifica a operação. O local escolhido para implantação do sistema havia sido considerado inviável para geotermia convencional devido à falta de permeabilidade da rocha.

ilustração do funcionamento do sistema da Eavor – CPG

Para o modelo da Eavor, essa característica se torna uma vantagem, já que o sistema não depende da circulação natural de fluidos. A rocha seca e quente, anteriormente vista como obstáculo, passou a ser condição ideal para operação do circuito fechado.

Investimento superior a 350 milhões de euros reúne apoio de União Europeia, Banco Europeu de Investimentos e grandes empresas globais

O projeto recebeu financiamento de €91,6 milhões do Innovation Fund da Comissão Europeia e um empréstimo de €45 milhões do Banco Europeu de Investimentos.

Além disso, contou com aportes de investidores como OMV, Chubu Electric Power, bp Ventures, BHP Ventures e Microsoft Climate Innovation Fund. O investimento total ultrapassou €350 milhões.

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A execução do projeto enfrentou desafios significativos, especialmente na perfuração horizontal em rochas duras. Um dos principais obstáculos foi garantir que poços horizontais se encontrassem com precisão a quilômetros de profundidade.

Para resolver isso, a empresa desenvolveu a ferramenta Eavor-Link AMR, que permite comunicação eletromagnética entre sistemas de perfuração, reduzindo em mais de 80% o tempo necessário para alinhamento.

Novas tecnologias de perfuração aumentam eficiência e reduzem custos operacionais

Outro avanço foi o desenvolvimento de tubos de perfuração com isolamento térmico, permitindo operação em ambientes de alta temperatura.

Essas inovações aumentaram a durabilidade das ferramentas em até três vezes e reduziram significativamente o tempo de perfuração.

Ao longo do projeto, houve redução de cerca de 50% no tempo de execução por segmento e mais de 40% nos custos de construção.

Sistema entrega 8,2 MW de eletricidade e 64 MW de calor para aquecimento urbano na Bavária

O primeiro loop operacional fornece 8,2 megawatts de energia elétrica e 64 megawatts de calor para sistemas de aquecimento distrital.

A usina opera de forma flexível, priorizando calor no inverno e eletricidade no verão, conforme a demanda.

O projeto completo inclui quatro loops interligados, com expansão em andamento. A Eavor já iniciou planejamento para um novo sistema em Hanover, com capacidade de atender entre 15% e 20% da demanda de aquecimento urbano da cidade.

Tecnologia de circuito fechado pode expandir geotermia para regiões sem recursos naturais convencionais

A principal inovação do projeto está na possibilidade de aplicação em locais sem reservatórios geotérmicos naturais.

Ao eliminar dependência de água subterrânea e permeabilidade da rocha, o sistema amplia significativamente o potencial geográfico da geotermia.

Foto: Reprodução/Eavor

Especialistas da indústria de perfuração indicam que a mesma infraestrutura utilizada no setor de petróleo pode ser adaptada para esse tipo de geração de energia.

Agora queremos saber: sistemas geotérmicos de circuito fechado podem transformar a geração de energia em escala global?

O projeto de Geretsried demonstra uma alternativa para exploração de calor subterrâneo em regiões antes consideradas inviáveis.

Na sua visão, essa tecnologia tem potencial para se tornar uma base global de geração energética ou ainda enfrenta barreiras para expansão em larga escala?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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