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Uma das maiores fábricas de chocolate do Brasil fecha as portas após 90 anos: a marca que marcou a infância com moedas douradas, “cigarrinhos” e Pan d’água declara falência e vê 37 marcas serem leiloadas por R$ 3,1 milhões, deixando só lembranças na memória de quem cresceu com a marca

Escrito por Ana Alice
Publicado em 01/03/2026 às 19:14
Assista o vídeoChocolates Pan encerra atividades após falência e tem marcas vendidas em leilão por R$ 3,1 milhões; fábrica já havia sido arrematada.
Chocolates Pan encerra atividades após falência e tem marcas vendidas em leilão por R$ 3,1 milhões; fábrica já havia sido arrematada.
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Falência, leilões e troca de controle encerraram uma marca histórica de doces no ABC Paulista, com fábrica e portfólio transferidos a novos donos enquanto dívidas trabalhistas e tributárias entram na fila de pagamento.

A tradicional Chocolates Pan, fabricante associada a produtos como os antigos “cigarrinhos” de chocolate, moedas e Chocolápis, encerrou suas operações após entrar em falência e ter seus ativos vendidos em leilões no âmbito do processo judicial.

Fundada em 1935 e instalada em São Caetano do Sul (SP), no ABC Paulista, a empresa teve seu portfólio de 37 marcas arrematado pela Real Solar, do Rio Grande do Norte, por R$ 3,1 milhões, em um certame realizado no início de março de 2024, com posterior tramitação para homologação na Justiça.

O montante arrecadado foi direcionado, em primeiro lugar, para a quitação de débitos trabalhistas.

Reportagens sobre o caso apontam que a companhia tinha 52 funcionários no período de encerramento das atividades e que a prioridade do pagamento foi organizada conforme a ordem legal de credores.

O valor remanescente, segundo as mesmas informações publicadas, é destinado ao abatimento de dívidas tributárias com a União, o estado e os municípios.

Leilão judicial das marcas da Chocolates Pan

A transferência das marcas ocorreu por meio de um leilão judicial conduzido em plataforma especializada e registrado com 25 lances.

A disputa envolveu 12 empresas habilitadas, de acordo com relatos publicados sobre o procedimento.

A compra contempla nomes registrados e associados ao portfólio que, ao longo de décadas, circularam no varejo e em pontos de venda tradicionais, como padarias, mercearias e lojas de doces.

O processo chamou atenção também pela diferença entre o lance inicial e o valor final.

A cobertura do leilão informou que o preço de partida havia sido estipulado em R$ 27,7 milhões, com base em avaliação técnica solicitada no âmbito do processo.

O arremate por R$ 3,1 milhões foi o resultado do mecanismo de disputa aplicado nas fases do certame e do interesse efetivo dos participantes ao longo das rodadas.

Fábrica de São Caetano do Sul e leilão do imóvel

A venda das marcas foi uma etapa separada da alienação do imóvel e de equipamentos industriais.

Antes disso, o complexo fabril localizado em São Caetano do Sul e o maquinário vinculado à produção haviam sido levados a leilão.

Em outubro de 2023, a Cacau Show apareceu como arrematante da planta em disputa judicial, em operação noticiada como superior a R$ 71 milhões, após homologação.

As informações divulgadas na época descrevem o imóvel com 10.432 m², situado no bairro Santa Paula.

A negociação envolveu a área onde funcionava a antiga fábrica e itens vinculados à linha de produção, conforme o que foi publicado sobre o resultado do leilão.

A partir daí, o processo de falência seguiu com a alienação de outros ativos e com a organização do pagamento de credores dentro do rito judicial.

Dívidas, recuperação judicial e falência decretada

A deterioração financeira da empresa se consolidou após tentativas de reorganização sob recuperação judicial.

A falência foi decretada em fevereiro de 2023, segundo registros de reportagens e notas sobre o caso, depois que a companhia indicou não ter condições de manter as atividades e de honrar compromissos.

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O passivo citado em publicações sobre a insolvência foi descrito como superior a R$ 260 milhões, número usado para dimensionar a situação financeira da empresa no período que antecedeu o encerramento.

Com o avanço do processo falimentar, a condução passou a priorizar a quitação de obrigações trabalhistas e, na sequência, a destinação de valores para dívidas tributárias, conforme a hierarquia de pagamentos aplicável.

Produtos clássicos da Pan e memória do consumo infantil

Ao longo de décadas, a Pan manteve presença no mercado com itens de apelo visual e formatos associados a festas infantis e consumo cotidiano.

Em relatos frequentes de consumidores, alguns produtos se tornaram referências, como as moedas de chocolate embaladas em papel dourado e o Pan d’água, descrito como opção comum em balcões de doces em diferentes regiões do país.

Outro produto historicamente associado à marca foram os “cigarrinhos” de chocolate.

Publicações sobre o portfólio registram que, posteriormente, o item passou a ser comercializado com outra denominação, como “Lápis de Chocolate”, em um contexto de mudança de percepção social sobre produtos que remetiam ao tabagismo.

Essa alteração é citada em textos que reconstroem a trajetória da marca e seus itens mais conhecidos.

Em comunicado reproduzido por veículos de imprensa, a Cacau Show afirmou ter acompanhado “com muita tristeza” o fechamento definitivo da Pan no início de 2023, ao explicar a decisão de participar do leilão do espaço fabril.

A declaração foi atribuída à empresa em reportagens publicadas à época e foi apresentada como justificativa para o interesse no imóvel ligado à antiga produção.

Troca de controle das marcas e destino do portfólio

Com a compra dos direitos sobre as marcas por outra empresa, o portfólio passa a depender de decisões comerciais e industriais dos novos detentores para qualquer eventual exploração no mercado.

O que está documentado até aqui, no entanto, é o encerramento do processo de venda dos ativos e a transferência formal dos direitos, dentro das etapas previstas para a massa falida.

O desfecho do caso reúne, de um lado, a liquidação de uma companhia fundada em 1935 e, de outro, a reorganização dos ativos por meio de leilões que transferiram fábrica e marcas para novos grupos.

Dentro do processo judicial, a sequência de pagamentos segue as regras aplicáveis à falência, com prioridade para obrigações trabalhistas e, depois, para compromissos tributários.

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Erenilce
Erenilce
03/03/2026 15:01

MAS TAMBÉM ESSAS FABRICAS ESTÃO TUDO FALSIFICANDO O CHOCOLATE ARTIFICIAL PARA PREJUDICAR NOSSA SAUDE AINDA POR CIMA CARO MUITO CARO. REVOLTA MUITOS CLIENTES QUERO QUE SE **** JÁ QUE NÃO FAZ BOM PRODUTOS LEGÍTIMO E CARO

Claudio Sigrist
Claudio Sigrist
02/03/2026 17:14

iSerá um parque temático. Cacau show, se não me engano.

Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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