Intervenção anunciada após meses de ameaças altera soberania venezuelana, expõe peso das maiores reservas globais de petróleo e reabre debate histórico iniciado após terremoto de 1875 na região andina sul-americana
No último sábado, dia 3, os Estados Unidos realizaram uma operação militar inédita no sul do continente, prenderam Nicolás Maduro e Cilia Flores, assumiram tutela temporária da Venezuela e anunciaram novas eleições, alterando de forma abrupta o equilíbrio político regional.
Escalada política e captura do governo venezuelano
A ação ocorreu após meses de ameaças públicas feitas por Donald Trump, que desde outubro questionava abertamente a soberania venezuelana e defendia intervenção direta no país.
Em pronunciamento após a prisão, Trump afirmou que a tutela estadunidense permanecerá até a realização de novas eleições, apresentando a medida como necessária para reorganizar o poder político.
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O presidente dos Estados Unidos justificou a ofensiva como um movimento para libertar a população de uma ditadura e recuperar a capacidade produtiva do setor energético venezuelano.
Segundo ele, a indústria petrolífera perdeu eficiência ao longo dos anos e precisaria ser reestruturada sob controle do governo norte-americano para voltar a operar em escala relevante.
O peso estratégico das reservas de petróleo
De acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Venezuela concentra 17% de todas as reservas conhecidas do mundo, um volume estimado em cerca de 303,3 bilhões de barris.
Esse total supera o de qualquer outro país e coloca o território venezuelano no centro das disputas geopolíticas ligadas ao abastecimento energético global.
Em 1970, a produção nacional atingiu 3,7 milhões de barris por dia, consolidando o país como um dos maiores produtores mundiais naquele período.
Com a ascensão de Hugo Chaves e, depois, de Nicolás Maduro, a produção caiu de forma contínua e atualmente não alcança 1 milhão de barris diários.
A redução da extração afetou receitas públicas, investimentos em infraestrutura e a capacidade de manutenção das instalações petrolíferas ao longo das últimas décadas.
Um terremoto que mudou a economia
Às 11:15 do dia 18 de maio de 1875, um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a fronteira entre Venezuela e Colômbia, registrando intensidade X na escala Mercalli modificada.
O epicentro foi San José de Cúcuta, mas cidades venezuelanas como San Cristóbal, Rubio, La Grita e Colón também sofreram danos significativos.
Relatos da época indicam que o tremor durou entre 40 e 50 segundos, tempo suficiente para provocar colapsos estruturais e alterar permanentemente o espaço urbano regional.
Uma nuvem de poeira tomou as ruas, paredes e telhados ruíram, e a reconstrução exigiu mudanças profundas no traçado das cidades mais afetadas.
Petróleo revelado pelas fissuras do solo
A Venezuela está situada na interação entre as placas do Caribe e Sul-Americana, o que explica a recorrência de atividade sísmica em seu território.
Durante o terremoto, fendas se abriram ao sudoeste de San Cristóbal, na Fazenda La Alquitrana, liberando um líquido negro com odor intenso.
O material escoou para o riacho La Alquitrán e revelou de forma visível o petróleo que já se sabia existir na região.
Esse evento marcou o início efetivo da exploração comercial do combustível, que até então permanecia limitada a registros esparsos.
Da primeira empresa à estatal nacional
Em 1878, três anos após o sismo, foi fundada a Compañía Petrolia del Táchira, primeira empresa petrolífera venezuelana voltada à exploração sistemática.
Somente em 1914 a atividade passou a gerar resultados comerciais expressivos, impulsionando o desenvolvimento econômico do setor energético nacional.
Por mais de 50 anos, a companhia liderou extração, refino e comercialização, antes da nacionalização promovida no século seguinte.
Esse processo antecedeu a criação da Petróleos de Venezuela S.A., estabelecida pelo governo de Carlos Andrés Pérez, encerrando um ciclo histórico iniciado por um desastre natural.
Com informações de Revista Galileu.
