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Um telescópio da NASA vai mapear o céu inteiro em 102 cores invisíveis, analisar mais de 450 milhões de galáxias e 100 milhões de estrelas e tentar revelar desde moléculas congeladas até pistas do Big Bang

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 22/05/2026 às 16:14 Atualizado em 22/05/2026 às 16:17
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SPHEREx NASA – Divulgação
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SPHEREx vai mapear todo o céu em 102 comprimentos de onda e investigar galáxias, gelo cósmico e o início do Universo.

A NASA lançou em março de 2025 o SPHEREx, um telescópio espacial criado para mapear o céu inteiro em 102 comprimentos de onda infravermelhos, coletando dados de mais de 450 milhões de galáxias e mais de 100 milhões de estrelas da Via Láctea. A missão foi desenvolvida para investigar três grandes frentes: o que aconteceu logo após o Big Bang, como as galáxias evoluíram ao longo do tempo e onde estão moléculas congeladas de água e compostos essenciais à formação de planetas.

SPHEREx vai transformar o céu inteiro em um mapa químico e tridimensional do Universo

O SPHEREx, sigla para Spectro-Photometer for the History of the Universe, Epoch of Reionization and Ices Explorer, não foi criado para observar apenas uma região específica do espaço. Sua proposta é varrer o céu inteiro repetidamente, criando um levantamento espectral completo em infravermelho.

Isso significa que o telescópio não vai apenas registrar pontos luminosos. Ele vai separar a luz em diferentes faixas, como se desmontasse cada brilho em uma assinatura física e química.

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Com isso, os cientistas poderão estimar distâncias, composição e propriedades de milhões de objetos cósmicos. A grande diferença do SPHEREx é que ele combina escala colossal com informação espectral, algo que levantamentos tradicionais do céu não conseguem fazer no mesmo nível.

A NASA informa que o observatório vai criar um mapa de todo o céu em 102 bandas de cor, superando a resolução de cor de mapas infravermelhos anteriores de cobertura total.

Telescópio vai observar mais de 450 milhões de galáxias para buscar marcas da inflação cósmica

Um dos objetivos mais ambiciosos da missão é estudar a inflação cósmica, uma fase de expansão extremamente rápida que, segundo os modelos cosmológicos atuais, teria ocorrido logo após o Big Bang.

Esse evento teria acontecido em uma fração minúscula de segundo, ampliando pequenas variações do Universo primordial até formar as sementes das estruturas que hoje aparecem como galáxias, aglomerados e filamentos cósmicos.

O SPHEREx tentará investigar esse passado remoto medindo a distribuição de centenas de milhões de galáxias. A lógica é que a organização atual dessas galáxias pode preservar rastros estatísticos da física que atuou no início do Universo.

Segundo a Reuters, a missão foi lançada justamente para investigar as origens do Universo e criar um mapa tridimensional do cosmos em 102 comprimentos de onda.

O observatório vai procurar água congelada e moléculas orgânicas dentro da Via Láctea

Além da cosmologia, o SPHEREx também vai olhar para dentro da nossa própria galáxia. A missão vai buscar sinais de água congelada, dióxido de carbono, monóxido de carbono e compostos orgânicos em nuvens interestelares.

Essas moléculas podem ficar presas em pequenos grãos de poeira fria, dentro de regiões onde novas estrelas e planetas começam a se formar. O interesse científico é direto: entender como ingredientes químicos importantes são distribuídos antes do nascimento de sistemas planetários.

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SPHEREx NASA – Divulgação

A NASA afirma que a missão vai estudar mais de 100 milhões de estrelas da Via Láctea, além de centenas de milhões de galáxias fora dela. Isso torna o SPHEREx uma ponte entre dois temas gigantes: a origem do Universo em grande escala e a origem dos ingredientes que formam planetas em escala galáctica.

O ponto mais forte da pauta é que o mesmo telescópio vai investigar o Big Bang e, ao mesmo tempo, procurar gelo cósmico associado à formação de mundos.

SPHEREx vai mapear o céu inteiro a cada seis meses durante sua missão científica

A missão foi planejada para operar por cerca de dois anos. Nesse período, o SPHEREx deverá mapear o céu inteiro repetidas vezes, completando uma varredura total aproximadamente a cada seis meses.

Esse padrão permite que os cientistas obtenham quatro mapas completos do céu ao longo da missão principal. A repetição melhora a precisão das medições e amplia a capacidade de cruzar dados com outros observatórios.

O Jet Propulsion Laboratory informa que o levantamento completo do céu em 102 bandas será feito com tecnologias adaptadas de satélites terrestres e espaçonaves interplanetárias.

A missão também deverá apontar alvos promissores para estudos mais detalhados feitos por telescópios como o James Webb e o futuro Nancy Grace Roman Space Telescope. O SPHEREx encontra padrões em larga escala; telescópios mais potentes podem investigar objetos específicos com maior profundidade.

A missão usa infravermelho para enxergar o que telescópios ópticos não conseguem detectar

O SPHEREx observa o Universo no infravermelho próximo, uma faixa de luz invisível aos olhos humanos. Essa escolha é essencial para estudar objetos frios, poeira cósmica, moléculas congeladas e galáxias muito distantes.

Quando a luz de galáxias antigas viaja por bilhões de anos, a expansão do Universo estica seus comprimentos de onda. Parte dessa luz chega até nós deslocada para o infravermelho.

Um telescópio da NASA vai mapear o céu inteiro em 102 cores invisíveis, analisar mais de 450 milhões de galáxias e 100 milhões de estrelas e tentar revelar desde moléculas congeladas até pistas do Big Bang
SPHEREx NASA – Divulgação

É por isso que missões infravermelhas são tão importantes para a astronomia moderna. Elas conseguem acessar fenômenos que ficariam escondidos em imagens comuns de luz visível.

No caso do SPHEREx, a missão não busca apenas belas imagens. Ela busca dados espectrais em massa, capazes de revelar composição, distância e evolução de objetos em escala gigantesca.

O telescópio completa a estratégia da NASA ao lado do James Webb e do Roman

O SPHEREx não substitui o James Webb. Ele tem uma função diferente. O James Webb observa alvos específicos com enorme sensibilidade e resolução. O SPHEREx, por outro lado, vai mapear o céu inteiro, criando um catálogo amplo para que outros telescópios saibam onde olhar com mais detalhe.

Essa lógica transforma o SPHEREx em uma espécie de rastreador cósmico. Ele pode identificar regiões com sinais interessantes, objetos raros, concentrações incomuns de moléculas ou galáxias que merecem observação posterior.

A NASA já descreve o levantamento como uma forma de selecionar alvos para missões futuras. Isso aumenta o valor científico do telescópio mesmo depois do fim da missão principal.

Primeiro mapa completo do céu em 102 cores começou a mostrar o tamanho do banco de dados

Em dezembro de 2025, o Jet Propulsion Laboratory informou que o SPHEREx completou seu primeiro mapa infravermelho de todo o céu em 102 cores, após o lançamento em março do mesmo ano. A agência destacou que essas cores não são visíveis ao olho humano, mas são abundantes no cosmos e permitem responder perguntas sobre a história do Universo.

Esse primeiro levantamento confirma a escala do projeto. Cada ciclo de observação adiciona uma nova camada de dados ao mapa geral, refinando medições e permitindo comparações entre diferentes regiões do céu.

A missão deve gerar um acervo científico usado por astrônomos do mundo inteiro. Como acontece com grandes levantamentos astronômicos, parte das descobertas mais importantes pode surgir de perguntas que ainda nem foram formuladas. O valor do SPHEREx está justamente no volume e na diversidade dos dados: galáxias, estrelas, gelo interestelar, poeira cósmica e estrutura do Universo serão analisados dentro de um mesmo levantamento.

O SPHEREx coloca a astronomia na era dos grandes mapas cósmicos

A missão representa uma mudança de escala na observação espacial. Em vez de mirar apenas em poucos objetos espetaculares, o telescópio da NASA foi criado para transformar o céu inteiro em uma base de dados física, química e cosmológica.

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Com 102 comprimentos de onda, mais de 450 milhões de galáxias e mais de 100 milhões de estrelas, o SPHEREx tenta conectar perguntas que parecem distantes entre si: como o Universo começou, como as galáxias evoluíram e como ingredientes essenciais à formação de planetas se espalham pelo espaço.

Se os dados confirmarem o potencial esperado, o telescópio poderá se tornar uma das missões mais importantes da NASA para entender o Universo em larga escala. E a parte mais intrigante é que, ao mapear tudo, ele também pode revelar fenômenos que ninguém estava procurando.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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