Rejeitos de mineração, poliéster descartado e garrafas PET moídas ganharam nova função em uma pesquisa feita em Goiás, que transforma resíduos industriais em tijolos ecológicos para a construção civil, com fabricação rápida, resistência comparável a blocos tradicionais e possível uso em moradias populares.
O pesquisador Hélio Elias da Silva desenvolveu tijolos ecológicos a partir de rejeitos de mineração, resíduos têxteis de poliéster e pó de garrafas PET, em uma pesquisa ligada ao doutorado em Ciências Ambientais na Universidade Federal de Goiás.
Com foco no reaproveitamento de materiais descartados pela indústria, a proposta transforma resíduos de diferentes origens em blocos para a construção civil, com aplicação apontada para muros, paredes, lajes e moradias populares.
A pesquisa foi realizada no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da UFG, sob orientação do professor Nelson Roberto Antoniosi Filho, do Instituto de Química da universidade.
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Na composição dos tijolos, entram resíduos de mineração de ferro e esmeraldas, pó de tecidos de poliéster e pó de PET, materiais que normalmente exigem destinação adequada para reduzir impactos ambientais.
Como o tijolo ecológico é produzido
Depois de preparados, os resíduos são colocados em moldes metálicos, passam por prensagem e recebem aquecimento até formar o bloco usado na construção.
Segundo Hélio Elias, o resultado apresenta qualidade comparável à dos tijolos de solo-cimento, material já conhecido por dispensar a queima tradicional aplicada aos tijolos cerâmicos.

Em publicação sobre a pesquisa, o IPOG, instituição em que Hélio Elias aparece como professor de Engenharia Civil, informou que a mistura é aquecida em baixa temperatura.
O mesmo material aponta que o tijolo fica pronto em cerca de três horas e tem resistência comparável à de blocos tradicionais usados em obras.
A tecnologia chama atenção por reunir três tipos de resíduos em uma única solução voltada à construção civil.
Rejeitos minerais, sobras de poliéster e plástico PET deixam de ser tratados apenas como descarte e passam a integrar um produto de maior durabilidade, destinado a um setor que consome grande volume de insumos.
Resíduos de mineração, tecidos e PET viram matéria-prima
Entre os pontos centrais do estudo está a tentativa de reduzir a pressão sobre recursos naturais usados na fabricação convencional de tijolos.
A técnica foi apresentada como alternativa capaz de evitar a extração de argila das margens de córregos e rios, além da derrubada de árvores nativas do Cerrado utilizadas na queima cerâmica.
Também pesa na proposta o reaproveitamento de materiais gerados por cadeias produtivas com grande volume de descarte.
Resíduos minerais, tecidos sintéticos e embalagens plásticas aparecem em diferentes etapas da indústria e podem causar impactos quando não recebem tratamento ou destino adequado.

No caso das garrafas PET, a pesquisa dá nova função a um resíduo urbano conhecido pela presença em aterros, ruas e cursos d’água.
Ao ser moído e incorporado à massa do tijolo, o plástico passa a cumprir papel dentro de um bloco de construção, em vez de seguir apenas por rotas de descarte.
Já os retalhos têxteis entram na composição após serem transformados em pó, especialmente os resíduos de poliéster usados no experimento.
Combinado aos rejeitos de mineração e ao PET moído, esse material participa da formação da massa que dá origem ao tijolo ecológico desenvolvido em Goiás.
Uso na construção civil e em moradias populares
Segundo informações divulgadas sobre o projeto, os tijolos sustentáveis foram apresentados como alternativa mais barata, resistente e ecologicamente correta em comparação aos tijolos tradicionais.
As aplicações indicadas incluem muros, paredes e lajes, além de obras voltadas a moradias populares, uma frente de interesse social ligada ao custo da construção.
A relação com habitação popular amplia o alcance da pesquisa porque aproxima dois problemas frequentes no país.
Enquanto a construção de moradias de menor custo segue como desafio, setores industriais acumulam resíduos que precisam de destinação adequada e podem ganhar novo valor quando reaproveitados com segurança técnica.
Para entrar de fato no setor produtivo, porém, qualquer material alternativo precisa comprovar desempenho, durabilidade e segurança.
Por isso, a comparação com tijolos de solo-cimento e a indicação de resistência semelhante à de blocos tradicionais são pontos importantes para dimensionar o potencial da inovação.
Pesquisa da UFG ganhou vitrine fora do laboratório
Além do desenvolvimento acadêmico, o projeto recebeu visibilidade em eventos e publicações científicas ligados à inovação.
A UFG informou que a pesquisa foi finalista do Falling Walls Lab Brasil, competição voltada a projetos inovadores realizada em Recife, o que ajudou a ampliar a divulgação do estudo.
O IPOG também informou que o trabalho sobre tijolos ecológicos feitos com resíduos de mineração e plásticos foi publicado na revista internacional Remediation, da editora Wiley.
Esse tipo de reconhecimento reforça a circulação científica da pesquisa, embora não indique, por si só, que o produto esteja disponível comercialmente em grande escala.
Até o momento, as informações públicas tratam a iniciativa como pesquisa e desenvolvimento tecnológico, com potencial de uso na construção civil e em programas de moradia.
Não há detalhamento seguro sobre produção industrial, certificações técnicas ou cronograma para eventual chegada dos tijolos ao mercado.
Ao reorganizar rejeitos de mineração, resíduos têxteis e plástico descartado em um novo material, a pesquisa aproxima ciência aplicada de problemas ambientais concretos.
A proposta mostra como a construção civil pode absorver insumos alternativos quando há desenvolvimento técnico, validação adequada e busca por soluções ligadas à economia circular.

