1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Um novo “caminho secreto” no mar pode resolver os piores problemas da internet brasileira
Faça um comentário 4 min de leitura

Um novo “caminho secreto” no mar pode resolver os piores problemas da internet brasileira

Foto de perfil do autor Alisson Ficher
Escrito por Alisson Ficher Publicado em 22/05/2025 às 13:08
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Novas rotas submarinas prometem revolucionar a conectividade no Brasil, enfrentando desafios históricos e abrindo caminhos inéditos para uma internet mais rápida, segura e acessível, especialmente nas regiões que até hoje ficaram à margem das grandes redes digitais.

O governo brasileiro anunciou uma iniciativa estratégica para expandir a infraestrutura de internet no país por meio da criação da Política Nacional de Cabos Submarinos.

O objetivo é descentralizar e ampliar os pontos de ancoragem de cabos submarinos, especialmente nas regiões Norte e Sul, que atualmente estão à margem das principais rotas de conectividade.

Essa política visa fortalecer a economia digital e reduzir as desigualdades regionais no acesso à internet.

Atualmente, cerca de 99% do tráfego de dados internacional do Brasil é transmitido por cabos submarinos de fibra óptica.

No entanto, a maioria desses cabos está concentrada em cidades do Sudeste e Nordeste, como Fortaleza (CE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Santos (SP) e Praia Grande (SP).

Essa concentração representa um risco para a estabilidade e segurança da internet no país, pois qualquer incidente nessas áreas pode afetar significativamente a conectividade nacional.

A nova política prevê a criação de Zonas de Interesse para Ancoragem (ZIAs) em regiões ainda não contempladas, permitindo a instalação de novos cabos submarinos.

Essa expansão proporcionará maior capacidade, velocidade, segurança e redundância à infraestrutura de internet brasileira, preparando o país para os desafios futuros da economia digital.

Investimentos significativos estão previstos para esse setor.

De acordo com um relatório da consultoria Analysys Mason, o mercado de cabos submarinos no Brasil deve movimentar mais de R$ 56 bilhões nos próximos cinco anos.

Esse investimento é fundamental para posicionar o Brasil como protagonista no cenário global das telecomunicações.

Fortaleza e o protagonismo na conectividade submarina

Fortaleza destaca-se como um importante hub tecnológico, sendo o segundo maior do mundo em concentração de cabos submarinos, com 14 cabos conectados.

A cidade está atrás apenas de Fujeira, nos Emirados Árabes Unidos.

A previsão é que Fortaleza alcance 18 cabos submarinos até 2021, tornando-se o maior hub de cabos submarinos de fibra óptica do mundo.

Empresas como a Angola Cables têm investido fortemente na região, conectando o Brasil à África, Europa e América do Norte.

Novas rotas que fazem a diferença

Projetos como o cabo EllaLink, que conecta diretamente o Brasil a Portugal, são exemplos de iniciativas que visam diversificar as rotas de conectividade.

Com capacidade de 100 Gbps, o EllaLink reduz em até 50% a latência na transmissão de dados entre os dois continentes, beneficiando milhões de usuários.

Esse cabo também representa um passo importante para garantir a neutralidade da internet brasileira, evitando a dependência de rotas que passam pelos Estados Unidos.

Riscos da concentração e necessidade de proteção

A concentração de cabos submarinos em determinadas áreas também levanta preocupações sobre a segurança da infraestrutura.

Em Fortaleza, por exemplo, a instalação de uma usina em uma área onde chegam 17 cabos submarinos gerou preocupações entre operadoras de telecomunicações.

Qualquer incidente nessa região pode comprometer a conectividade de todo o país.

Por isso, é essencial que o governo federal intervenha para proteger essas áreas estratégicas.

Descentralização como solução

A descentralização dos pontos de ancoragem de cabos submarinos é uma medida crucial para garantir a resiliência da internet brasileira.

A Anatel estuda regras para distribuir os cabos submarinos por todo o território nacional, evitando a concentração em um único local e aumentando a redundância da infraestrutura.

Essa estratégia é fundamental para mitigar riscos e assegurar a continuidade dos serviços de internet em caso de falhas ou incidentes.

O papel da iniciativa privada

Empresas como a V.tal têm desempenhado um papel importante na expansão da infraestrutura de fibra óptica no Brasil.

Com mais de 426 mil quilômetros de fibra óptica terrestre, a V.tal interconecta 2.380 municípios no Brasil e 26 países, sendo a maior operadora de rede neutra do país.

A integração com a operadora de cabos submarinos Globenet fortalece ainda mais a conectividade internacional do Brasil.

Um avanço estratégico para o país

A implementação da Política Nacional de Cabos Submarinos representa um avanço significativo para o Brasil, promovendo a inclusão digital e fortalecendo a economia do país.

Ao diversificar as rotas de conectividade e descentralizar os pontos de ancoragem, o Brasil estará mais preparado para enfrentar os desafios da era digital e garantir o acesso à internet de qualidade para toda a população.

E você, acredita que a descentralização dos cabos submarinos é a chave para uma internet mais estável e segura no Brasil? Compartilhe sua opinião nos comentários!

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x