1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Helicóptero da PRF despeja 4 toneladas de sementes no Brasil em operação aérea de reflorestamento que transforma sacos de palmeira juçara em chuva verde e mira lançar 30 toneladas no Paraná, começando por áreas atingidas por tornados
Localização PR Tempo de leitura 8 min de leitura Comentários 0 comentários

Helicóptero da PRF despeja 4 toneladas de sementes no Brasil em operação aérea de reflorestamento que transforma sacos de palmeira juçara em chuva verde e mira lançar 30 toneladas no Paraná, começando por áreas atingidas por tornados

Escrito por Ana Alice
Publicado em 13/06/2026 às 15:09
Atualizado em 13/06/2026 às 15:12
Assista o vídeoHelicóptero da PRF lança sementes de palmeira-juçara no Paraná em ação aérea de reflorestamento e recuperação da Mata Atlântica. (Imagem: Ilustrativa)
Helicóptero da PRF lança sementes de palmeira-juçara no Paraná em ação aérea de reflorestamento e recuperação da Mata Atlântica. (Imagem: Ilustrativa)
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Operação no Paraná usou helicóptero da PRF para lançar sementes de palmeira-juçara em áreas afetadas por tornados, em ação que une restauração da Mata Atlântica, pesquisa científica e recuperação de territórios rurais.

Um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal lançou 4 toneladas de sementes de palmeira-juçara sobre a comunidade Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio, em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, durante uma ação de reflorestamento realizada em 3 de junho de 2026.

A operação integrou a 4ª Jornada da Natureza, evento promovido entre 1º e 6 de junho em áreas rurais, indígenas e quilombolas do estado, com atividades voltadas à restauração ambiental e ao plantio de espécies nativas.

Semeadura aérea no Paraná

A área escolhida para a semeadura fica em uma comunidade atingida pelos tornados registrados no Paraná em 7 de novembro de 2025.

Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, o Simepar, o fenômeno que passou por Rio Bonito do Iguaçu foi classificado como F4 na escala Fujita, após laudo técnico divulgado em 26 de novembro de 2025.

O documento confirmou a ocorrência de três tornados que atingiram 11 municípios paranaenses.

A operação usou a aeronave da PRF para dispersar sementes em áreas de difícil acesso, em uma técnica conhecida como semeadura aérea.

Segundo a corporação, o helicóptero foi empregado no lançamento de 18 toneladas de sementes de palmeira-juçara entre 1º e 6 de junho de 2026.

A programação da Jornada da Natureza, divulgada antes da realização do evento, previa semeadura e distribuição de 30 toneladas de sementes no Paraná.

O uso do termo “chuva verde”, descreve visualmente a queda das sementes lançadas do alto, mas a ação segue uma lógica técnica de restauração: ampliar a dispersão de uma espécie nativa da Mata Atlântica em locais onde o plantio manual demandaria mais tempo, deslocamento e acesso a terrenos irregulares.

No caso de Rio Bonito do Iguaçu, a atividade também foi associada à recuperação de áreas afetadas por eventos climáticos extremos.

Crédito: Foto: Juliana Barbosa
Crédito: Foto: Juliana Barbosa

Por que a palmeira-juçara foi usada

A palmeira-juçara, de nome científico Euterpe edulis, é uma espécie nativa da Mata Atlântica e aparece em iniciativas de restauração por sua função ecológica.

De acordo com o Instituto Água e Terra do Paraná, a dispersão de sementes da espécie busca intensificar a presença da planta em áreas de floresta, inclusive em trechos onde o acesso por terra é limitado.

A espécie também é mencionada por órgãos ambientais como importante para a biodiversidade.

Segundo o ICMBio, a palmeira-juçara é considerada uma espécie-chave para a Mata Atlântica, já que seus frutos e sementes servem de alimento para aves e mamíferos.

Entre os animais citados pelo órgão estão tucanos, jacutingas, jacus, sabiás, arapongas, cutias, antas e esquilos.

Essa relação com a fauna ajuda a explicar o interesse científico pela planta.

Ao se alimentar dos frutos, parte dos animais também contribui para dispersar sementes pela floresta.

A semeadura aérea não substitui esse processo natural, mas pode ampliar a quantidade de sementes colocadas em campo em ações planejadas de restauração, conforme a estratégia adotada por instituições ambientais e organizações envolvidas na jornada.

Outro fator considerado é a situação de conservação da espécie.

A juçara é associada historicamente à extração de palmito, atividade que provoca a morte da planta quando feita de forma predatória.

Estudos e materiais técnicos sobre a espécie apontam a perda de habitat, a fragmentação florestal e a exploração do palmito entre as pressões que afetam sua ocorrência em áreas de Mata Atlântica.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Ciência acompanha a restauração da Mata Atlântica

A semeadura aérea da palmeira-juçara no Paraná passou a ser acompanhada por instituições de ensino e pesquisa desde edições anteriores da Jornada da Natureza.

Segundo a PRF, desde 2023 foram lançadas 43 toneladas de sementes da espécie em comunidades indígenas, assentamentos rurais e comunidade quilombola, com acompanhamento de crescimento das plantas por projeto de pesquisa da Universidade Federal da Fronteira Sul.

No mesmo dia da semeadura em Rio Bonito do Iguaçu, a UFFS, no campus de Laranjeiras do Sul, recebeu uma conferência para apresentar resultados de pesquisas sobre a técnica.

O encontro reuniu pesquisadores, representantes de instituições públicas e integrantes das comunidades envolvidas nas ações de reflorestamento, segundo informações divulgadas pelo MST.

A reportagem do Brasil de Fato sobre o lançamento da 4ª Jornada da Natureza citou dados de monitoramento de áreas semeadas em anos anteriores, com registro de 10 mil a 11 mil mudas por hectare em trechos acompanhados após a primeira semeadura, realizada em julho de 2023.

Como o dado foi apresentado em reportagem e não em artigo científico localizado durante a checagem, ele deve ser tratado como informação atribuída à publicação e aos pesquisadores citados por ela.

Para além da germinação, o interesse técnico está em observar como as mudas se comportam em diferentes tipos de área, níveis de cobertura vegetal e condições de solo.

A dispersão aérea amplia o alcance da semeadura, mas o sucesso da restauração depende de fatores como umidade, luminosidade, presença de vegetação remanescente, pressão de animais, conservação do entorno e continuidade do monitoramento.

Comunidade atingida por tornado recebeu mudas nativas

A atividade na comunidade Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio teve como ponto de apoio a Escola Itinerante Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio.

Além do lançamento das 4 toneladas de sementes, a programação incluiu um mutirão para o plantio de mais de 1.700 mudas de árvores nativas, conforme divulgado pelo MST.

Durante a abertura do encontro, Ivete Lopes de Mello, integrante da coordenação da comunidade, agradeceu a solidariedade recebida após os tornados e relacionou a ação à preocupação com o futuro das crianças.

“A gente vê a situação climática hoje, e isso tem a ver com o futuro pra todo mundo, principalmente das crianças”, afirmou, segundo relato publicado pelo movimento.

Fernando César Oliveira, superintendente da PRF no Paraná, também participou da agenda.

Em informações divulgadas pela corporação, ele afirmou que a aeronave usada na semeadura é a mesma disponibilizada ao serviço aeromédico na Grande Curitiba, em apoio a atendimentos de emergência, transporte de pacientes e ações integradas com forças estaduais.

Comunidades participam de semeadura aérea da palmeira juçara | Crédito: Foto: Juliana Barbosa
Comunidades participam de semeadura aérea da palmeira juçara | Crédito: Foto: Juliana Barbosa

Juçara pode unir reflorestamento e produção sustentável

A palmeira-juçara também tem potencial de uso econômico por meio dos frutos, que podem ser processados sem a derrubada da planta.

Segundo materiais técnicos sobre a espécie, a produção de polpa é uma alternativa associada ao aproveitamento sustentável da árvore, em contraste com a extração do palmito, que elimina o indivíduo explorado.

Esse ponto foi abordado durante a Jornada da Natureza por representantes de universidades, órgãos públicos e entidades ligadas à agroecologia.

A vice-reitora da Universidade Federal do Paraná, Camila Fachin, defendeu, durante o evento, a integração entre instituições públicas, universidades e comunidades.

Segundo o MST, ela relacionou a ação de reflorestamento a práticas de agroecologia, preservação ambiental e produção de alimentos.

Na mesma agenda, Lígia Pupato, assessora do Ministério das Mulheres, anunciou a criação de um Termo de Execução Descentralizada em parceria com a UFFS.

De acordo com o MST, o investimento previsto é de R$ 2,6 milhões para projetos de organização econômica de mulheres atingidas na região.

“Nós estamos semeando vida”, declarou Lígia durante o evento, segundo a publicação.

O anúncio foi incluído no contexto da matéria porque a jornada não se limitou ao lançamento de sementes.

A programação também envolveu debates, atividades culturais, educação ambiental, plantio de mudas e ações relacionadas à organização produtiva em comunidades atingidas por danos ambientais e climáticos.

Reforma agrária e recuperação ambiental

A comunidade Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio está situada em uma região ligada à reforma agrária no Paraná.

Segundo o MST, a ocupação da área começou em abril de 1996, quando famílias ocuparam terras associadas à antiga madeireira Giacomet Marodin, atual Araupel.

O movimento afirma que a região, antes marcada pelo monocultivo de pinus e eucalipto, passou a abrigar comunidades camponesas.

Em janeiro de 2026, ainda segundo o MST, o governo federal anunciou a formalização de cerca de 33 mil hectares de terras vinculadas à Araupel.

A medida atenderia aproximadamente 2 mil famílias acampadas nas comunidades Dom Tomás Balduíno, Araucária, Nova Vitória e Herdeiros da Terra de Primeiro de Maio.

Como a checagem não localizou, em fonte oficial do Incra ou do governo federal, o anúncio com todos esses detalhes, a informação permanece atribuída ao movimento.

Nilton Bezerra Quedas, representante do Incra citado na publicação original, defendeu que o futuro assentamento seja organizado com base em agroecologia, agrofloresta e preservação ambiental.

Segundo ele, a proposta inclui recuperar passivos ambientais deixados pela exploração madeireira e estruturar a área para produção de alimentos e conservação.

A 4ª Jornada da Natureza reuniu MST, PRF, universidades, órgãos ambientais, instituições de pesquisa, cooperativas e entidades ligadas à agroecologia.

A programação passou por Nova Laranjeiras, Quedas do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu, Guarapuava e Adrianópolis, com semeadura aérea, plantio de mudas, atividades de campo e formação ambiental.

No recorte científico, a operação mostra como técnicas de dispersão de sementes podem ser usadas em projetos de restauração ecológica quando há espécie nativa, planejamento territorial e acompanhamento posterior.

No recorte local, a ação foi apresentada por seus organizadores como parte de um processo de recuperação de áreas afetadas por tornado, degradação ambiental e histórico de uso intensivo da terra.

A continuidade do monitoramento será o principal dado para medir os efeitos da semeadura.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x