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Um artefato de 2.000 anos pode ser uma prova de que os romanos descobriram o Novo Mundo – mil anos antes de Colombo

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 19/03/2026 às 18:29
Atualizado em 19/03/2026 às 18:30
Artefato achado em túmulo no México reacende debate sobre possível presença de romanos nas Américas antes de Colombo.
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A descoberta da Cabeça Tecaxic-Calixtlahuaca em um túmulo lacrado no México, datado entre 1476 e 1510 d.C., reabriu o debate sobre a presença de romanos no Novo Mundo muito antes de Colombo, mas também expôs dúvidas sobre a origem e o contexto arqueológico da peça.

Um artefato de 2.000 anos encontrado no México voltou a levantar a hipótese de que os romanos possam ter chegado ao Novo Mundo muito antes de Cristóvão Colombo, após análises e debates que colocaram em dúvida a origem e o percurso do objeto.

A descoberta envolve a chamada Cabeça Tecaxic-Calixtlahuaca, uma escultura de terracota de um homem barbudo exumada em 1933 pelo arqueólogo mexicano José García Payón. O achado ocorreu em seu sítio homônimo, perto da Cidade do México, segundo relato citado pela Arkeonews.

O objeto foi encontrado em um túmulo lacrado, sob três camadas intactas do piso de uma estrutura piramidal. No mesmo contexto funerário também apareceram fragmentos de cerâmica, ornamentos de ouro, artefatos ósseos e pedaços de cristal de rocha.

Esses materiais eram considerados típicos da época e da região, mas a cabeça destoava do restante do conjunto. Suas características chamaram atenção por remeterem mais ao Mediterrâneo antigo do que à Mesoamérica.

Achado no México abriu debate sobre origem do objeto e presença de romanos

A discussão ganhou força em 1961, quando o antropólogo austríaco Robert Heine-Geldern propôs que o artefato poderia datar de 200 a.C. Décadas depois, em 1990, o arqueólogo alemão Bernard Andreae afirmou que o busto era “sem dúvida alguma, romano”.

Segundo Andreae, o penteado e o formato da barba lembravam os imperadores do período Severo, entre 193 e 235 a.C. Essa avaliação reforçou a leitura de que o objeto tinha estilo incompatível com o ambiente em que foi enterrado.

A análise por termoluminescência ampliou ainda mais o interesse sobre a peça. Pelo método, os pesquisadores concluíram que a relíquia datava de entre o século IX a.C. e o século XIII d.C., portanto muito antes da chegada de Colombo às Américas em 1492.

Ao mesmo tempo, o sepultamento onde ela foi encontrada foi datado entre 1476 e 1510 d.C. Esse intervalo também é anterior à chegada do conquistador espanhol Hernán Cortés ao México, registrada em 1519.

Hipóteses tentam explicar como a peça atravessou o oceano

A principal questão passou a ser como um busto em estilo romano foi parar dentro de uma sepultura lacrada do outro lado do Atlântico. A discrepância entre o contexto funerário e a aparência do objeto sustenta o centro do debate.

Alguns pesquisadores afirmaram que a cabeça poderia ter chegado ao continente nos estágios iniciais da exploração europeia. Nesse cenário, um objeto europeu perdido teria viajado para o interior e sido incorporado às práticas funerárias indígenas.

Outra hipótese sugere uma introdução acidental por antigas derivas transoceânicas. Nessa linha, um navio romano, fenício ou berbere poderia ter sido levado pelas correntes marítimas através do Atlântico até as costas americanas.

A teoria considera que habitantes locais poderiam ter resgatado a cabeça de terracota e levado o objeto para o interior. Ainda assim, os próprios pesquisadores apontaram que essa possibilidade era improvável, porque não foram encontrados navios, assentamentos ou outros objetos nas Américas que confirmassem tal viagem.

Pesquisadores também consideram erro ou interferência na escavação

Os autores do estudo também levantaram a possibilidade de a peça ter sido colocada ali durante a escavação. Essa hipótese foi mencionada porque Payón nem sempre estava presente no local e não mantinha anotações de campo conclusivas.

Essa ausência de registros definitivos abriu espaço para a suspeita de interferência humana no contexto do achado. Com isso, a controvérsia deixou de envolver apenas a origem do objeto e passou a atingir também as condições de sua descoberta.

Mesmo sem uma conclusão definitiva, o caso da cabeça de terracota recolocou em discussão a forma como arqueólogos tratam objetos anômalos. O artefato passou a ser apresentado como exemplo de peça que não se encaixa facilmente nas narrativas históricas predominantes.

O debate também foi associado a mudanças anteriores na compreensão sobre chegadas europeias ao Novo Mundo. Durante muito tempo, pesquisadores descartaram essa possibilidade antes de Colombo, até a descoberta de assentamentos nórdicos em L’Anse aux Meadows, em Terra Nova, datados de 1021 d.C.

Nesse contexto, a peça encontrada no México permanece cercada por dúvidas e hipóteses concorrentes. Ao mesmo tempo, continua alimentando a pergunta sobre se objetos ligados aos romanos podem indicar contatos transoceânicos muito anteriores ao que durante anos foi aceito como consenso histórico.

Fonte: arkeonews

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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