A Ultragaz abriu no Complexo Lago Azul, na Rodovia dos Bandeirantes, o primeiro posto de biometano em rodovia do país, com unidades no km 58 e no km 62, investimento de R$ 4 milhões e venda aberta a qualquer caminhão pesado prevista para o início de 2027.
A inauguração foi na quarta-feira (4), em Jundiaí (SP), segundo a AutoData. Por enquanto, o posto atende só caminhões de clientes da empresa.
A comercialização para o público está prevista para o primeiro trimestre de 2027, ainda sem data definida. Até o fim de 2026, a operação fica restrita aos parceiros da distribuidora.
É o começo de um plano maior. A Ultragaz diz que quer instalar mais de 20 postos rodoviários nos próximos três anos, nos principais corredores logísticos do Brasil.
-
Donos de carro flex podem ver até 35% de etanol na gasolina: comissão da Câmara aprovou na quarta (4) o PL 2300/25, que também obriga a dar ao etanol todo corte de imposto federal concedido à gasolina
-
Hyundai Creta no Rio de Janeiro roda 100 km por R$ 52,93 na gasolina e R$ 55,58 no etanol: SUV só volta a preferir o etanol se o litro cair 23 centavos
-
Chevrolet Montana em Uberlândia roda 100 km por R$ 49,44 no etanol e R$ 50,70 na gasolina: picape de R$ 134.990 perde a vantagem se o litro subir 12 centavos
-
Ministério pede adiamento da meta de combustível sustentável na aviação
Um posto em cada sentido da estrada
O posto tem duas unidades, uma em cada pista. A do km 58 fica no sentido interior, e a do km 62, no sentido capital, de acordo com a Transporte Moderno.
Cada unidade tem capacidade para fornecer 24 mil metros cúbicos de biometano por dia, segundo a MegaWhat e a Cenário Energia. É volume para mais de 200 abastecimentos diários de caminhões pesados em cada lado.
Somadas, as duas chegam a 48 mil metros cúbicos por dia e mais de 400 caminhões atendidos diariamente, pelas contas da empresa.
Tanque cheio em 8 a 12 minutos
O tempo de parada é um dos argumentos da distribuidora. “Conseguimos abastecer um caminhão de 8 a 12 minutos, um diferencial importante com relação à eficiência e à produtividade”, disse Guilherme Darezzo, vice-presidente de Mercados da Ultragaz, à AutoData.
A empresa desenvolveu tecnologia própria de compressão e descompressão do combustível. Segundo a MegaWhat, os equipamentos levaram cerca de 15 anos para ficar prontos e foram feitos por uma equipe de engenharia em Caxias do Sul (RS).
O sistema funciona sem depender da rede de gás canalizado. Isso permite à companhia abrir postos sem precisar de concessão estadual de distribuição.

O que sai da bomba
O biometano é produzido a partir da purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos, explica a Transporte Moderno. Ele pode substituir o gás natural fóssil em veículos preparados para combustível gasoso.
Por isso, o posto serve a caminhões que rodam com gás natural comprimido ou biometano. Quem tem frota a diesel precisa de veículo compatível para usar a nova bomba.
“Estamos olhando para esse desafio logístico e entregando uma solução viável e tangível”, disse Darezzo à Cenário Energia, sobre a falta de pontos de abastecimento nas estradas.
O gás sai de um aterro a 5 quilômetros
O biometano vendido na Bandeirantes virá do aterro sanitário de Caieiras, a cerca de 5 quilômetros do posto, segundo a AutoData. A Ultragaz também tem contratos com fornecedores de outras regiões.
A carteira inclui aterros, usinas do setor sucroenergético e projetos ligados a resíduos industriais e do agronegócio. São cerca de 700 mil metros cúbicos por dia contratados em 15 polos de produção.
Desse total, perto de 150 mil metros cúbicos diários já são vendidos. Segundo Darezzo, 20% desse volume vai para frotas de veículos pesados.
Por que a Bandeirantes foi a primeira
A escolha levou em conta o fluxo de cargas e a concentração de clientes. O corredor leva ao Porto de Santos produtos do interior paulista, incluindo suco de laranja e outras mercadorias de exportação.
“É uma das principais rodovias do País, tem um fluxo grande. Mas, mais que isso, olhando a necessidade dos clientes, onde tinha maior adesão neste momento era nessa região”, afirmou o executivo.
A próxima unidade deve ficar na BR-101, onde as negociações estão mais avançadas, segundo a empresa. Também estão no radar os corredores do Sul, de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro.
Para quem não tem posto próprio
Hoje, a Ultragaz atende cerca de 20 clientes com operações de biometano. Seis deles têm postos internos, dentro de transportadoras ou de embarcadores. Natura, Pepsi e Toyota estão entre os citados pelo executivo.
O posto de estrada mira quem não tem volume para bancar uma estrutura própria. “O posto em rodovia democratiza o biometano de forma a dar acesso, também, a embarcadores menores”, disse Darezzo.
O CPG já mostrou que o país pode colocar 40 mil caminhões a biometano nas estradas até 2035, e a falta de lugar para abastecer sempre apareceu como o gargalo.

2 milhões de caminhões a diesel contra 2,5 mil a gás
Os números da própria empresa mostram o tamanho da distância. Segundo Darezzo, cerca de 65% das cargas do país andam por rodovia, e o Brasil tem mais de 2 milhões de veículos pesados a diesel.
A frota de caminhões a gás natural é de aproximadamente 2,5 mil unidades, de acordo com o executivo. “É o setor mais difícil de descarbonização hoje, para a indústria e para os transportadores”, afirmou à MegaWhat.
Os projetos de biometano da Ultragaz já evitaram cerca de 110 mil toneladas de CO₂, segundo a companhia.
Quase 90 anos vendendo botijão
O posto também marca uma virada no negócio. Historicamente, a Ultragaz concentrou suas atividades no GLP, o gás de botijão, e agora busca outras fontes de energia.
“Temos quase noventa anos de mercado e, em certo momento, pensamos que estava na hora da empresa operar outras energias além do próprio GLP”, disse Tabajara Bertelli, presidente da Ultragaz.
Estreia na Fenatran
A empresa vai mostrar o plano das chamadas rotas verdes na Fenatran 2026, de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo. Será a primeira participação da distribuidora na feira de transporte de cargas.
O investimento total na rede ainda não foi divulgado. A empresa também não fechou um cronograma para as próximas unidades, que dependem de demanda e de parceiros locais.
Você abasteceria seu caminhão com biometano se tivesse posto na sua rota? Conte nos comentários qual estrada deveria ser a próxima.
