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Os Estados Unidos gastam US$ 6 bilhões para substituir um túnel ferroviário de 150 anos que ainda funciona — a obra se estende por 16 km em Baltimore e inclui construir o novo ao lado do antigo sem parar um único trem

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 20/04/2026 às 06:45
Máquina de perfuração TBM dentro do canteiro de obras do túnel Frederick Douglass em Baltimore
Túnel Frederick Douglass: US$ 6 bilhões para substituir passagem ferroviária de 150 anos
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Os Estados Unidos gastam US$ 6 bilhões para substituir um túnel ferroviário de 150 anos que ainda funciona — a obra se estende por 16 km em Baltimore e inclui um novo túnel construído ao lado do antigo sem parar um único trem

Debaixo das ruas de Baltimore, no estado americano de Maryland, existe um túnel ferroviário que foi construído na época da Guerra Civil americana. Ele tem 150 anos, 2,2 km de extensão e ainda hoje é usado por 14 milhões de passageiros por ano.

É o túnel Baltimore & Potomac, conhecido como B&P. E ele é o maior gargalo ferroviário dos Estados Unidos.

Agora, a Amtrak — operadora de trens de passageiros dos EUA — está construindo um novo túnel ao lado dele. O projeto se chama Frederick Douglass Tunnel e custa US$ 6 bilhões.

Por que um túnel de 150 anos é o maior gargalo ferroviário dos EUA

O túnel B&P conecta a estação Penn Station de Baltimore à capital Washington D.C. e ao estado da Virgínia.

Ele faz parte do Northeast Corridor, o corredor ferroviário mais movimentado dos Estados Unidos, que liga Boston a Washington passando por Nova York e Filadélfia.

Milhões de passageiros da Amtrak e do sistema MARC dependem desse único túnel. Se ele fecha para manutenção, toda a costa leste dos EUA sente o impacto.

A própria Amtrak descreve o B&P como “um único ponto de falha para os 14 milhões de clientes que dependem dele.”

Os trens que passam por dentro do túnel antigo são forçados a reduzir a velocidade drasticamente. Enquanto trechos modernos do corredor permitem velocidades superiores a 200 km/h, dentro do B&P os trens rastejam a uma fração disso.

A estrutura de 150 anos exige manutenção constante, causando atrasos frequentes.

Para ter uma ideia, o túnel foi inaugurado em 1873 — apenas oito anos após o fim da Guerra Civil americana. Naquela época, trens a vapor eram novidade tecnológica.

Hoje, trens elétricos modernos são obrigados a usar a mesma passagem subterrânea que foi projetada para locomotivas a carvão.

Túnel B&P de 150 anos com tijolos desgastados

O que é o Frederick Douglass Tunnel e por que custa US$ 6 bilhões

O novo túnel terá aproximadamente 3,2 km de extensão — duas tubagens paralelas projetadas para trens elétricos de passageiros.

Mas o projeto vai muito além de um túnel.

No total, a obra se estende por 16 km do Northeast Corridor ao redor de Baltimore. Inclui:

  • Duas tubagens paralelas de alta capacidade para o novo túnel
  • Substituição de pontes ao longo do corredor
  • Uma nova estação MARC em West Baltimore totalmente acessível
  • Modernização de sistemas de segurança contra incêndio e evacuação de emergência
  • Melhorias em estradas e pontes da região

Quando pronto, os trens poderão circular a até 160 km/h dentro do novo túnel — mais de três vezes mais rápido que no túnel atual.

O nome homenageia Frederick Douglass, abolicionista e ex-escravo que viveu em Baltimore no século XIX.

O desafio de construir um túnel sem parar os trens

O aspecto mais impressionante da obra é que ela precisa acontecer enquanto o túnel antigo continua funcionando.

Fechar o B&P significaria interromper o corredor ferroviário mais importante dos Estados Unidos.

Por isso, o novo túnel está sendo construído ao lado do antigo, em paralelo, sem interromper uma única viagem.

Em janeiro de 2026, a Amtrak completou investigações geotécnicas críticas em Baltimore para mapear o solo e garantir que as escavações não comprometessem as estruturas existentes.

O contrato principal foi concedido ao consórcio Kiewit/J.F. Shea em fevereiro de 2024. A construção do túnel propriamente dito está a cargo do consórcio UIT Infrastructure/JFSHA.

Três instalações de evacuação de emergência estão previstas — algo que o túnel de 150 anos simplesmente não tem.

A previsão de conclusão é 2035.

Trem Amtrak na Penn Station de Baltimore

De onde vêm os US$ 6 bilhões

O financiamento do projeto vem de várias fontes combinadas.

A maior parte vem do Infrastructure Investment and Jobs Act, a lei de infraestrutura bipartidária assinada em 2021 que destinou centenas de bilhões de dólares para obras em todo os EUA.

Além do governo federal, a Federal Railroad Administration, receitas próprias da Amtrak e o estado de Maryland contribuem com recursos.

O projeto também inclui um programa de investimento comunitário de US$ 50 milhões, destinado a melhorias diretas na região de West Baltimore.

A Amtrak estima que a obra criará dezenas de milhares de empregos durante o período de construção.

Para entender a escala: 16 km de obra no coração de uma cidade

Comparar com projetos brasileiros ajuda a dimensionar a obra.

A extensão total do projeto — 16 km de corredor ferroviário — é equivalente à distância entre a Estação da Luz e o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Mas no caso de Baltimore, todo esse trecho precisa ser modernizado debaixo de uma cidade já construída, com ruas, prédios e sistemas de utilidades por cima.

É como reformar a fundação de uma casa enquanto a família continua morando nela.

Vários órgãos governamentais estão envolvidos: o Departamento de Transportes dos EUA, a Federal Railroad Administration, o Departamento de Transportes de Maryland e a prefeitura de Baltimore.

Vista aérea de Baltimore com corredor ferroviário

O que muda quando o novo túnel ficar pronto

Quando o Frederick Douglass Tunnel entrar em operação, os passageiros sentirão a diferença imediatamente.

Tempos de viagem menores entre Washington e Baltimore. Maior confiabilidade nos horários. Menos cancelamentos por manutenção.

Para o sistema ferroviário americano como um todo, significa desbloquear o maior gargalo do Northeast Corridor — o corredor que movimenta mais passageiros do que qualquer outro nos Estados Unidos.

Um túnel construído na era da Guerra Civil está sendo substituído por uma estrutura projetada para durar mais um século.

Porém, a obra enfrenta desafios. O prazo de conclusão em 2035 é uma estimativa, e grandes projetos de infraestrutura nos EUA historicamente sofrem atrasos e estouros de orçamento. O próprio túnel antigo, quando foi construído em 1873, também tinha um prazo — que foi ultrapassado em anos.

A questão que fica é se os EUA conseguirão entregar no prazo um projeto que, em escala e complexidade, é comparável ao que a China constrói em metade do tempo.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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