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Tubulações de água podem esconder uma nova fonte de energia hidrelétrica, segundo projeto do Laboratório Nacional de Oak Ridge que investiga como sistemas municipais, industriais e de irrigação poderiam gerar eletricidade usando infraestrutura já existente e menor impacto ambiental

Escrito por Carla Teles
Publicado em 22/05/2026 às 20:10
Atualizado em 22/05/2026 às 20:14
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Energia hidrelétrica do ORNL avalia tubulações, sistemas municipais e irrigação para gerar eletricidade sem novas barragens.
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Com energia hidrelétrica em condutos, projeto CHEETA do ORNL analisa tubulações municipais, industriais e de irrigação que movem água sob pressão. A pesquisa aponta potencial conservador de 1,41 GW nos EUA, incluindo 662 MW na irrigação, 378 MW na indústria e 374 MW em sistemas municipais, sem exigir novas barragens.

A energia hidrelétrica pode estar escondida em lugares que muita gente não associa à geração de eletricidade: tubulações, canais e sistemas de abastecimento de água. Nos Estados Unidos, o Laboratório Nacional de Oak Ridge, o ORNL, investiga como essa infraestrutura já existente pode ser usada para produzir energia com menor impacto ambiental.

De acordo com o Oak Ridge National Laboratory (ORNL), o projeto é liderado pelo pesquisador e engenheiro de recursos hídricos Scott DeNeale, dentro do Programa de Energia Hídrica do ORNL. A iniciativa, destacada em abril de 2026, mira especialmente sistemas municipais, industriais e de irrigação, onde a água já circula sob pressão e pode mover turbinas sem a construção de grandes barragens.

Como a água que já circula pode virar eletricidade

Energia hidrelétrica do ORNL avalia tubulações, sistemas municipais e irrigação para gerar eletricidade sem novas barragens.
Imagem: Divulgação.

A chamada energia hidrelétrica em condutos aproveita a pressão da água em tubulações, canais abertos e sistemas de abastecimento para girar uma turbina. Em vez de criar um reservatório ou alterar um rio, a tecnologia tenta usar a força que já existe dentro de redes hidráulicas em funcionamento.

Em muitos casos, a energia da água é dissipada quando válvulas reduzem pressão nos sistemas. Essa força, que poderia se perder em calor ou vibração, passa a ser capturada por equipamentos instalados em pontos estratégicos. A ideia é transformar uma perda operacional em eletricidade útil.

Por que essa tecnologia dispensa grandes barragens

A principal diferença em relação à hidrelétrica tradicional é a escala da intervenção. A energia hidrelétrica em condutos não depende de grandes obras, alagamentos ou barramentos extensos. Ela trabalha dentro de sistemas de água já construídos, como redes municipais, instalações industriais e canais de irrigação.

Segundo o ORNL, muitos equipamentos usados nesse tipo de aplicação são bombas-turbinas, basicamente bombas capazes de operar em sentido reverso para gerar eletricidade. Isso torna a solução menos associada a megaestruturas e mais ligada à eficiência de infraestrutura existente.

Potencial nos EUA envolve irrigação, indústria e municípios

Um relatório de 2025 do ORNL apontou que os Estados Unidos tinham 337 usinas hidrelétricas em condutos, com produção total de 836 MW. Apesar disso, o laboratório considera que essa geração representa apenas uma pequena parte do potencial disponível no país.

A estimativa conservadora indica que novas instalações poderiam adicionar 1,41 GW à rede elétrica dos EUA, volume apontado como suficiente para abastecer cerca de 1 milhão de residências. Desse total, cerca de 662 MW estariam em sistemas de irrigação agrícola, 378 MW em dutos industriais e 374 MW em sistemas municipais de água. O potencial maior, portanto, não está apenas nas cidades, mas também no campo e na indústria.

Projeto CHEETA tenta acelerar aplicações reais

Para transformar esse potencial em projetos práticos, o ORNL desenvolve o CHEETA, sigla em inglês para Conduit Hydropower Engineering, Evaluation, and Technology Acceleration. A iniciativa recebe apoio do Escritório de Hidroenergia e Hidrocinética do Departamento de Energia dos Estados Unidos.

O objetivo é ajudar municípios, concessionárias e empresas a entender onde a energia hidrelétrica em condutos pode ser viável. Isso inclui avaliação técnica, melhores práticas, ferramentas de análise e assistência para superar barreiras reais de implantação. O foco não é apenas provar que a tecnologia existe, mas acelerar seu uso em sistemas concretos.

Custos, escala e retorno dependem de cada sistema

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Os projetos de energia hidrelétrica em condutos costumam ser menores do que usinas convencionais. Muitos têm menos de 1 MW, e os menores podem gerar cerca de 10 kW. A fonte informa que custos de desenvolvimento podem começar em torno de US$ 100 mil, dependendo do porte e da configuração.

A viabilidade melhora quando há grande vazão e diferença de elevação, chamada de altura manométrica. Em alguns cenários, a instalação pode ser feita em pontos onde já existia uma válvula redutora de pressão. Mesmo com escala menor, a operação quase contínua pode tornar o retorno mais rápido, com alguns projetos analisados indicando prazo inferior a 10 anos e, em certos casos, entre três e cinco anos.

O que fica em debate

A pesquisa do ORNL mostra que a energia hidrelétrica não precisa estar limitada à imagem clássica das grandes barragens. Em tubulações municipais, dutos industriais e canais de irrigação, parte da força da água já em movimento pode ser reaproveitada para gerar eletricidade de forma mais discreta e integrada à infraestrutura existente.

O desafio está em identificar onde essa solução realmente compensa, considerando pressão, vazão, custo, operação e manutenção. Ainda assim, a proposta levanta uma pergunta importante: se a energia já está passando pelas tubulações, faz sentido continuar desperdiçando esse potencial? Você acha que sistemas de água no Brasil também deveriam ser avaliados para gerar eletricidade? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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