O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou que permitirá a venda e revenda de petróleo venezuelano a Cuba, com foco no setor privado, numa tentativa de aliviar a crise energética no país. A mudança ocorre em meio a pressão geopolítica mais ampla.
Os Estados Unidos decidiram flexibilizar restrições ao petróleo que estavam contribuindo para a grave escassez de combustível em Cuba. O Departamento do Tesouro autorizou empresas a solicitar licenças para revender petróleo de origem venezuelana à ilha, anunciaram fontes oficiais nesta quarta-feira (25).
A nova orientação está no site do órgão norte-americano e traz uma política de licenciamento considerada “favorável” para transações que atendam a propósitos comerciais e humanitários em Cuba.
Alívio parcial para crise energética, mas com restrições claras
Desde janeiro, após os Estados Unidos assumirem o controle das exportações de petróleo da Venezuela, o envio do combustível a Cuba foi interrompido. Isso agravou a crise na ilha, onde o combustível é essencial para geração de energia, transporte e serviços básicos.
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Agora, companhias poderão buscar licenças para enviar o petróleo ao setor privado cubano. Em contrapartida, negócios que beneficiem diretamente o governo ou setor militar de Cuba não serão autorizados.
A medida contou com repercussão internacional e é vista como uma tentativa dos Estados Unidos de mitigar parte da crise sem reverter integralmente as sanções. A orientação da Administração de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), vinculada ao Tesouro, foi emitida para transações que “apoiem o povo cubano, incluindo o setor privado”, excluindo atividades ligadas ao governo ou às forças armadas.
Crise energética em Cuba e impacto regional
Cuba enfrenta escassez de combustível desde a suspensão de entregas venezuelanas após a mudança de política dos EUA. A falta de petróleo tem gerado apagões, dificuldades em transportes e impacto direto em serviços públicos.
A nova regra pode aliviar parcialmente essa situação, principalmente se grandes traders requisitarem e obtiverem as licenças necessárias para exportar combustível ao país. Contudo, especialistas alertam que mesmo com a autorização, a capacidade de Cuba pagar pelo petróleo ainda pode ser um obstáculo, já que o país depende de importações e enfrenta uma crise econômica severa.
Setor privado no centro da estratégia
O foco no setor privado cubano é deliberado. As regras excluem quaisquer transações que possam beneficiar diretamente instituições militares ou governamentais. A intenção é que o combustível chegue à população ou a empresas civis, reduzindo o sofrimento causado pela escassez.
Essa abordagem cria uma divisão clara entre apoio humanitário e auxílio político, o que pode gerar debates intensos sobre eficácia e real impacto da medida.


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