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Triângulo das Bermudas’ brasileiro esconde cemitério de navios no litoral de SP: magnetita nas rochas confundiu bússolas e provocou naufrágios

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 06/03/2026 às 14:09
Assista o vídeoMistério em Ilhabela: magnetita nas rochas confundiu bússolas e provocou naufrágios históricos, incluindo o transatlântico Príncipe de Astúrias.
Mistério em Ilhabela: magnetita nas rochas confundiu bússolas e provocou naufrágios históricos, incluindo o transatlântico Príncipe de Astúrias.
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Mistério marítimo no litoral norte paulista mistura ciência, tragédias históricas e turismo de mergulho em Ilhabela, onde rochas ricas em magnetita já confundiram bússolas antigas e contribuíram para uma série de naufrágios. Episódios marcaram a história da navegação na região e ainda atraem curiosos e exploradores.

Quem chega a Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, encontra um cenário dominado pelo verde intenso da Mata Atlântica e pela atmosfera sofisticada da Vila, centro histórico e turístico do arquipélago.

Sob as águas claras que cercam a ilha principal, porém, permanece um passado marcado por acidentes marítimos e histórias que alimentaram o apelido de “cemitério de navios”.

Durante décadas, embarcações que navegavam pelo canal de São Sebastião enfrentaram dificuldades de orientação provocadas por fenômenos naturais presentes na própria geologia da região.

Pesquisas apontam que a presença de magnetita nas rochas da ilha interferia no funcionamento das bússolas utilizadas em navios antigos, alterando a leitura de direção e aumentando o risco de colisões com os costões.

Mistério em Ilhabela: magnetita nas rochas confundiu bússolas e provocou naufrágios históricos, incluindo o transatlântico Príncipe de Astúrias.
Mistério em Ilhabela: magnetita nas rochas confundiu bússolas e provocou naufrágios históricos, incluindo o transatlântico Príncipe de Astúrias.

Registros históricos indicam que ao menos dez naufrágios documentados ocorreram nas proximidades de Ilhabela, consolidando a reputação do local como um dos pontos mais perigosos da navegação no litoral brasileiro durante o início do século XX.

Naufrágios históricos que marcaram Ilhabela

Entre os acidentes marítimos registrados na região, o episódio mais conhecido envolve o luxuoso transatlântico espanhol Príncipe de Astúrias.

A embarcação fazia a rota entre Barcelona, na Espanha, e Buenos Aires, na Argentina, quando sofreu um naufrágio na madrugada de 5 de março de 1916, nas proximidades da Ponta da Pirabura.

O navio transportava centenas de passageiros e tripulantes quando colidiu contra as rochas da costa.

O impacto provocou o afundamento em poucos minutos.

Relatos históricos apontam que centenas de pessoas morreram no desastre, considerado uma das maiores tragédias marítimas da história da navegação na América do Sul.

A dimensão do acidente e o luxo da embarcação levaram o episódio a ser frequentemente comparado ao naufrágio do Titanic.

Mistério em Ilhabela: magnetita nas rochas confundiu bússolas e provocou naufrágios históricos, incluindo o transatlântico Príncipe de Astúrias.
Mistério em Ilhabela: magnetita nas rochas confundiu bússolas e provocou naufrágios históricos, incluindo o transatlântico Príncipe de Astúrias.

Ainda hoje, o local onde o transatlântico afundou permanece como um dos pontos mais conhecidos de mergulho histórico no litoral brasileiro.

Peças recuperadas do navio ao longo das décadas ajudam a reconstruir a memória do episódio.

Parte desses objetos está exposta no Museu Náutico de Ilhabela, onde visitantes podem observar itens resgatados do fundo do mar e conhecer detalhes sobre os naufrágios registrados na região.

Turismo de mergulho e exploração subaquática

O passado marcado por acidentes marítimos acabou transformando Ilhabela em um dos destinos mais procurados por mergulhadores no Brasil.

Diversos pontos de mergulho espalhados pelo arquipélago permitem a exploração de destroços de embarcações e formações rochosas submersas.

A combinação de história naval, biodiversidade marinha e águas relativamente claras tornou o local referência para turismo subaquático.

Profissionais de mergulho organizam expedições guiadas para visitantes interessados em conhecer os restos de navios que permanecem no fundo do mar.

Além da exploração histórica, o ambiente marinho também abriga peixes, tartarugas e outras espécies que habitam os costões e recifes naturais da ilha.

De rota perigosa a capital nacional da vela

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Se no passado o canal de São Sebastião representava risco para navegadores, atualmente o cenário é bem diferente.

As mesmas condições geográficas e climáticas que dificultavam a navegação antiga acabaram transformando a região em um dos melhores pontos para esportes náuticos no país.

Com ventos constantes e águas amplas, Ilhabela consolidou-se como um dos principais centros de vela da América Latina.

O reconhecimento também veio por meio da legislação federal, que oficializou o município como Capital Nacional da Vela.

Todos os anos, o arquipélago recebe a Semana Internacional de Vela de Ilhabela, considerada o maior evento do esporte na América Latina.

Na 52ª edição da competição, mais de 120 embarcações participaram das regatas, reunindo atletas profissionais, equipes internacionais e entusiastas da vela.

O evento movimenta o turismo e reforça a ligação histórica da cidade com o mar.

Natureza preservada e o lado selvagem da ilha

Além das histórias ligadas à navegação, Ilhabela também se destaca pela preservação ambiental.

Cerca de 85% do território do arquipélago é protegido pelo Parque Estadual de Ilhabela, uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica preservada no litoral brasileiro.

A riqueza natural inclui trilhas, cachoeiras e praias isoladas que atraem visitantes interessados em ecoturismo.

Mistério em Ilhabela: magnetita nas rochas confundiu bússolas e provocou naufrágios históricos, incluindo o transatlântico Príncipe de Astúrias.
Mistério em Ilhabela: magnetita nas rochas confundiu bússolas e provocou naufrágios históricos, incluindo o transatlântico Príncipe de Astúrias.

Enquanto as praias do sul da ilha concentram infraestrutura turística e grande movimento, outras regiões mantêm características mais rústicas e preservadas.

No lado leste do arquipélago, voltado para o oceano aberto, estão algumas das paisagens mais conhecidas do destino.

Entre elas estão:

  • Castelhanos, praia de formato que lembra um coração e acessível apenas por veículos 4×4 ou embarcações.
  • Bonete, frequentemente citada entre as praias mais bonitas do Brasil e onde vive uma comunidade caiçara tradicional.

O acesso ao Bonete pode ser feito por barco ou por uma trilha de aproximadamente 12 quilômetros em meio à Mata Atlântica.

A região mantém um modo de vida ligado à pesca artesanal e às tradições culturais do litoral paulista.

Gastronomia caiçara e tradição cultural

A cultura caiçara também se manifesta na culinária local, que preserva receitas tradicionais transmitidas entre gerações.

Ingredientes típicos do litoral, como peixes frescos, frutos do mar e folhas nativas, fazem parte da identidade gastronômica da ilha.

Um dos eventos mais conhecidos do calendário local é o Festival do Camarão, que chegou à sua 30ª edição em 2025.

Durante o festival, restaurantes e cozinheiros da região apresentam pratos inspirados na culinária caiçara.

Receitas tradicionais, como peixe preparado na folha de bananeira e farofa de taioba, convivem com releituras contemporâneas elaboradas por chefs que se estabeleceram na ilha.

A combinação entre natureza preservada, história marítima e cultura gastronômica ajuda a explicar por que Ilhabela se tornou um dos destinos turísticos mais conhecidos do litoral paulista.

Mesmo com a reputação histórica de área perigosa para navegadores, o arquipélago transformou seu passado de naufrágios em parte da identidade cultural e turística que hoje atrai visitantes de diversas partes do Brasil e do mundo.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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