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O profissional que sobe 40 metros em pleno alto-mar para montar tubulações enquanto a plataforma balança: o torrista que enfrenta ventos extremos e ganha até R$ 18 mil por mês no pré-sal

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Escrito por Débora Araújo Publicado em 24/11/2025 às 10:20
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Torrista sobe 40 metros em alto-mar para montar tubulações pesadas em plataformas de petróleo. Função crítica no pré-sal paga até R$ 18 mil por mês.

A rotina offshore é repleta de funções que combinam conhecimento técnico, esforço físico e uma resiliência que poucos conseguem desenvolver. Entre elas, uma se destaca pela complexidade e pelo risco inerente ao ambiente de trabalho: a profissão de torrista, conhecida internacionalmente como derrickman. No Brasil, esse profissional atua principalmente nas plataformas de perfuração do pré-sal, subindo a estruturas de até 40 metros de altura para manipular tubulações pesadas enquanto a embarcação se move com o balanço natural do mar. Em 2025, a função segue como uma das mais demandadas e valorizadas da indústria de petróleo, com salários que chegam a R$ 18 mil por mês, segundo sindicatos e empresas do setor.

O torrista é peça fundamental da cadeia de perfuração offshore. Sua função principal é trabalhar no topo da torre — o derrick — onde ficam os suportes que organizam, conectam e estabilizam os tubos de perfuração que podem atingir 7 quilômetros de profundidade. É ali, no ponto mais alto da plataforma, que ele ajuda a montar, alinhar e conduzir milhares de quilos de tubulação, sempre coordenado com o sondador, o operador de mesa rotativa e toda a equipe de perfuração.

O trabalho a 40 metros de altura, sob ventos de 30 nós e ondulações constantes

O derrick de uma plataforma ou navio-sonda é uma estrutura metálica cuja altura varia entre 35 e 45 metros — o equivalente a um prédio de 12 a 15 andares. Lá em cima, o torrista trabalha preso por talabartes e equipamentos de segurança que são revisados diariamente. No entanto, mesmo com protocolos rigorosos, o ambiente é altamente desafiador.

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https://www.youtube.com/watch?v=Edqp2rBFosI

A altura expõe o profissional diretamente aos ventos, que podem ultrapassar 30 nós (cerca de 55 km/h) em regiões como o pré-sal fluminense. Além disso, quando o trabalho é realizado em navios-sonda — que não ficam ancorados, mas mantêm posição com sistemas de posicionamento dinâmico (DP) — o movimento do mar cria oscilações que chegam a 2 ou 3 graus de inclinação, suficientes para alterar o ponto de equilíbrio do operador no alto da torre.

Outro fator crítico é o peso da tubulação. Um único tubo de perfuração de 9 metros pode ultrapassar 400 kg, dependendo do grau de aço. O torrista lida com blocos de dezenas de tubos, alinhando estruturas que pesam toneladas. Até mesmo o fluido de perfuração, bombeado sob altas pressões, pode respingar e criar condições escorregadias, exigindo atenção redobrada.

Trata-se de um cenário onde não há margem para erros. Em plataformas modernas, o derrick também abriga equipamentos que operam sob cargas elevadas, como top drives, polias e ganchos capazes de levantar mais de 500 toneladas. O torrista circula entre esses elementos, ajustando cabos, guias e estruturas metálicas pesadas enquanto a operação avança em ritmo contínuo.

Por que o torrista é essencial na perfuração do pré-sal

A cadeia de perfuração offshore envolve centenas de etapas, mas poucas dependem tanto de precisão física quanto o alinhamento da coluna de perfuração. O torrista:

  • organiza e empilha tubos de perfuração no fingerboard;
  • alinha a tubulação com o top drive;
  • auxilia na inserção e remoção dos tubos dentro do poço;
  • controla a casa de lama (mud room) em alguns rigs;
  • garante que a torre esteja sempre limpa e operacional;
  • orienta a equipe no sincronismo da coluna durante conexões e desconexões.

No pré-sal, a complexidade aumenta devido à profundidade. Perfurações típicas atravessam:

  • 2.000 a 3.000 metros de água,
  • 2.000 metros de sedimentos,
  • e camadas densas de rocha e sal, que exigem trocas frequentes de tubulação.

Cada troca envolve reposicionar tubos enormes, e o torrista é quem garante que tudo aconteça com alinhamento perfeito — condição essencial para manter o poço estável, evitar perdas de circulação e respeitar os parâmetros de pressão, que podem ultrapassar 10 mil psi em zonas profundas.

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Salários, qualificações e caminhos dentro da carreira offshore

A função de torrista exige qualificação técnica, experiência prévia na indústria e certificações específicas. Entre elas:

  • CBSP (Curso Básico de Segurança de Plataforma)
  • HUET (Treinamento de Escape Subaquático de Helicóptero)
  • NR-35 (Trabalho em Altura)
  • NR-33 (Espaços Confinados)
  • Certificações internacionais de perfuração (IADC / IWCF)

O salário, segundo o Sindipetro e empresas como Valaris, Seadrill e Ocyan, varia entre:

  • R$ 12 mil (nível iniciante em rigs menores)
  • R$ 18 mil (torristas experientes em navios-sonda de 6ª e 7ª geração)

Além disso, muitos torristas evoluem para posições de maior responsabilidade, como:

  • sondador (driller)
  • chefe de sondagem (toolpusher)
  • supervisor de perfuração

Cargos que podem ultrapassar R$ 40 mil mensais.

Um trabalho que une força, técnica e coragem

O torrista é, sem exagero, uma das profissões mais desafiadoras do setor offshore. Trabalhar suspenso a dezenas de metros de altura, manipulando estruturas pesadas e convivendo com o balanço permanente do mar, exige um tipo raro de profissional: concentrado, físico, técnico e mentalmente preparado.

O pré-sal depende desse conjunto de habilidades. Sem o torrista, a perfuração simplesmente não avança — e nenhum barril chegaria à superfície.

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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