Descubra a Cidade Perdida da Colômbia, um centro ancestral mais antigo que Machu Picchu. Veja o que arqueólogos revelaram sobre Teyuna, sua história, arquitetura e como visitar esse sítio sagrado escondido na selva.
A Cidade Perdida da Colômbia, a Teyuna, como o sítio arqueológico é chamado, foi construída séculos antes de Machu Picchu e funcionava como um centro cultural e espiritual de grande importância para povos indígenas da Serra Nevada de Santa Marta.
Essa cidade antiga, oculta pela selva por centenas de anos, desafia a noção de que grandes centros urbanos pré-colombianos surgiram apenas no sudoeste da América do Sul.
A redescoberta de Teyuna começou na década de 1970, quando huaqueros — saqueadores de sepulturas — encontraram degraus de pedra que ascendiam a encostas remotas, despertando o interesse arqueológico e científico internacional.
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Onde ficava a Cidade Perdida mais antiga que o Machu Picchu?
A Cidade Perdida da Colômbia, também conhecida como Teyuna, está localizada na face norte da Serra Nevada de Santa Marta, na parte superior da bacia do rio Buritaca, a altitudes entre 900 e 1.200 metros acima do nível do mar.
Esse local faz parte do território ancestral dos povos Iku (Arhuaco), Kággaba (Kogui), Wiwa e Kankuamo, que foram os habitantes originais da região por milhares de anos, segundo o Instituto Colombiano de Antropologia e História (ICANH).
A selva densa e o relevo íngreme — combinados com mais de 38 mil quilômetros quadrados de vegetação — mantiveram Teyuna praticamente esquecida até o século 20, exceto para as comunidades que ainda preservavam sua memória e significado cultural.
Quando foi fundada Teyuna e sua relação com Machu Picchu
Os estudos arqueológicos indicam que Teyuna foi estabelecida por volta do século 9, o que a torna cerca de 650 anos mais antiga que Machu Picchu, erguida pelos incas no século 15.
Existem também estruturas na região datadas de 650 d.C., que podem ser ainda mais anteriores, embora não haja consenso suficiente para atribuí-las diretamente à civilização Tayrona.
Durante seu auge, a cidade funcionava como um importante centro comercial e espiritual, o que indica que sociedades altamente organizadas e complexas floresciam na América do Sul muito antes de outras civilizações pré-coloniais ganharem fama mundial.

Quem morava na Cidade Perdida?
Estima-se que entre 1.500 e 2.000 pessoas viviam em Teyuna durante o século 16, segundo o ICANH.
A cidade parece ter continuado ativa mesmo após a chegada dos espanhóis, mas foi gradualmente abandonada no século 17.
Muitos acreditam que a população local foi drasticamente reduzida devido às doenças trazidas pelos colonizadores, embora não existam dados inequívocos sobre todos os fatores que levaram à desertificação do local.
Apesar do abandono físico, os descendentes indígenas continuam reconhecendo a área como sagrada e parte essencial de sua história, revelando um contraste entre a percepção local e a “cidade perdida” para historiadores externos.
Como a Cidade Perdida foi encontrada novamente?
A primeira “redescoberta” moderna da Cidade Perdida aconteceu na década de 1970, quando huaqueros como Florentino Sepúlveda e seu filho identificaram degraus de pedra escondidos na floresta.
Percebendo que se tratava de um sítio ainda não escavado, eles saquearam artefatos que foram vendidos no mercado clandestino.
Quando outros saqueadores souberam da localização, conflitos violentos e disputas territoriais começaram entre os grupos.
Com o tempo, alguns huaqueros colaboraram com as autoridades e revelaram detalhes da localização, levando o Instituto Colombiano de Antropologia a montar uma expedição com arqueólogos, um arquiteto e dois antigos saqueadores como guias.
Essa missão pioneira durou três dias em meio à selva densa, enfrentando calor, umidade e insetos amazônicos, gerando os primeiros esboços científicos das descobertas.
O que hoje pode ser visto na Cidade Perdida da Colômbia?
Desde então, um projeto de pesquisa e restauração em grande escala foi conduzido, recuperando cerca de 200 estruturas do parque arqueológico, entre caminhos de pedra, escadarias, áreas cerimoniais, residências, praças e espaços de armazenamento.

Conforme o ICANH, a arquitetura Tayrona se caracteriza pela utilização de formas circulares, organização espacial que favorece a circulação e espaços abertos entre edificações, além de habitações cônicas com paredes de madeira e coberturas de palha.
Objetos arqueológicos típicos incluem pedras de amolar e blocos de pedra retangulares trabalhados que eram usados como tigelas ou em processos produtivos do cotidiano.
Como visitar a Cidade Perdida hoje?
Atualmente, chegar à Cidade Perdida da Colômbia exige uma caminhada que pode levar de quatro a seis dias pela floresta tropical, acompanhada de guias especializados.
O percurso, embora exaustivo, oferece aos visitantes a oportunidade de experimentar uma biodiversidade impressionante, incluindo espécies únicas de plantas e animais, além de uma conexão direta com um dos mais importantes sítios arqueológicos pré-coloniais das Américas.
A importância da Cidade Perdida da Colômbia vai além de sua antiguidade: sua existência comprova que complexas sociedades urbanas floresceram em diferentes pontos da América do Sul muito antes de Machu Picchu ou outras civilizações historicamente destacadas.
O achado amplia o entendimento global sobre a diversidade cultural e urbanística das sociedades indígenas pré-coloniais, ao mesmo tempo em que destaca a necessidade de preservar e proteger sítios arqueológicos em ambientes remotos.
Com informações da National Geographic.

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