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Telescópio mais poderoso do mundo instalado no Chile pode finalmente encontrar o misterioso nono planeta do Sistema Solar nos próximos dois anos, um mundo dez vezes maior que a Terra escondido na escuridão há bilhões de anos sem nunca ter sido visto

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 27/04/2026 às 10:32 Atualizado em 27/04/2026 às 10:55
O telescópio Vera Rubin no Chile pode encontrar o nono planeta do Sistema Solar. Dez vezes maior que a Terra, ele orbita na escuridão há bilhões de anos.
O telescópio Vera Rubin no Chile pode encontrar o nono planeta do Sistema Solar. Dez vezes maior que a Terra, ele orbita na escuridão há bilhões de anos.
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O Observatório Vera Rubin, o telescópio mais poderoso já construído, iniciou sua missão no Chile em junho de 2025 e pode resolver nos próximos anos o maior mistério da astronomia moderna: a existência do nono planeta do Sistema Solar. Proposto em 2016 por astrônomos do Caltech, o planeta hipotético teria dez vezes a massa da Terra e orbitaria o Sol a uma distância 20 vezes maior que Netuno, levando até 20 mil anos para completar uma volta.

O nono planeta do Sistema Solar pode estar a poucos anos de ser encontrado, e a ferramenta que promete revelá-lo está no topo de uma montanha no norte do Chile. O Observatório Vera Rubin, que iniciou operações em junho de 2025, varre todo o céu do hemisfério sul a cada poucas noites com uma capacidade de detecção sem precedentes. A astrônoma Sarah Greenstreet, pesquisadora do observatório, afirma de forma direta: “Se o Planeta Nove existir no tamanho e na localização hipotetizados, o Vera Rubin irá encontrá-lo.”

A hipótese de que existe um mundo massivo escondido nas regiões mais distantes do Sistema Solar divide a comunidade científica desde 2016. Naquele ano, os astrônomos Konstantin Batygin e Michael Brown, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), publicaram um artigo defendendo que um planeta com cerca de dez vezes a massa da Terra orbita o Sol em uma trajetória altamente elíptica e inclinada, muito além de Netuno. A evidência: um grupo de objetos transnetunianos com órbitas anormalmente alongadas que só poderiam ser explicadas pela influência gravitacional de um vizinho gigante.

O que é o Planeta Nove e por que os cientistas acreditam que ele existe

Segundo informações divulgadas pelo portal G1, o nono planeta hipotético seria maior que a Terra, mas menor que Netuno, um tamanho que a astrônoma Malena Rice, da Universidade Yale, destaca como o mais comum em outros sistemas estelares. “Vemos esse tipo de planeta em algo como metade de outras estrelas, e não temos um dentro do Sistema Solar”, observa Rice. A ausência de um mundo nessa faixa de tamanho no nosso sistema é, por si só, uma anomalia que intriga os pesquisadores.

A principal evidência a favor do Planeta Nove vem do comportamento de seis objetos transnetunianos distantes, corpos gelados que orbitam o Sol além de Netuno no Cinturão de Kuiper. Suas órbitas são anormalmente inclinadas e alongadas, um padrão que modelos computacionais de Batygin e Brown só conseguem reproduzir com a presença de um corpo celeste massivo exercendo influência gravitacional sobre eles. Brown resume a situação: “Se não existir o Planeta Nove, não temos mais explicações para muitos eventos estranhos.”

Por que ninguém conseguiu ver o Planeta Nove até agora

O principal obstáculo é a distância. Os astrônomos do Caltech estimam que o nono planeta esteja, em média, 20 vezes mais distante do Sol do que Netuno, o que significa que ele poderia levar até 20 mil anos terrestres para completar uma única órbita. Um objeto tão remoto reflete pouquíssima luz solar, tornando-o incrivelmente fraco e praticamente invisível para telescópios convencionais.

A órbita prevista complica ainda mais a busca. Enquanto os oito planetas conhecidos viajam ao redor do Sol em trajetórias quase circulares e em um plano aproximadamente plano, o nono planeta seguiria uma órbita altamente elíptica e inclinada, o que significa que ele pode estar em uma região do céu onde ninguém procurou com atenção suficiente. Rice, de Yale, suspeita que o planeta pode já estar nos dados existentes: “Não estou nem um pouco convencida de que ele não esteja simplesmente já em nossos dados. Só precisamos olhar com cuidado.”

Como o Observatório Vera Rubin pode resolver o mistério

Espera‑se que o observatório Vera Rubin, no Chile, resolva o debate sobre o Planeta Nove nos próximos anos — Foto: Anadolu via Getty Images

O Vera Rubin representa um salto tecnológico em relação a telescópios anteriores. Instalado no norte do Chile, equipado com a maior câmera digital já construída, o observatório não foca em alvos específicos como o James Webb, mas varre sistematicamente todo o céu do hemisfério sul a cada poucas noites, catalogando bilhões de objetos cósmicos ao longo de sua missão de dez anos. Espera-se que ele registre mais de 40 mil novos objetos transnetunianos.

A capacidade de encontrar objetos fracos e distantes é o que diferencia o Vera Rubin de qualquer instrumento anterior. “O Rubin consegue encontrar um grande número de objetos no espaço que são mais fracos e mais distantes do que jamais conseguimos ver antes”, explica Greenstreet. Brown, do Caltech, acredita que o observatório “ou encontrará o Planeta Nove diretamente ou encontrará evidências praticamente irrefutáveis de que ele existe ou não existe” dentro de um ou dois anos.

As pistas que já existem e o candidato encontrado em 2024

Em abril de 2024, uma equipe de cientistas de Taiwan, Japão e Austrália analisou levantamentos de dois telescópios espaciais infravermelhos lançados em 1983 e 2006 e encontrou um par de pontos fracos correspondentes que podem representar um planeta desconhecido se movendo ao longo desses 23 anos. O autor principal, Terry Phan, da Universidade Nacional Tsing Hua em Taiwan, é cauteloso e chama o achado de “a descoberta de um potencial candidato a Planeta Nove”, não uma confirmação.

A descoberta foi recebida com ceticismo por parte da comunidade científica, mas também com interesse. Se os pontos detectados nos levantamentos infravermelhos corresponderem de fato ao mesmo objeto, seria a primeira observação direta do nono planeta, embora ainda necessitando confirmação independente. O Vera Rubin, operando continuamente a partir do Chile, é o instrumento ideal para verificar se o candidato é real ou se os pontos são artefatos dos dados antigos.

Os argumentos contra a existência do Planeta Nove

Nem todos os cientistas estão convencidos. Em 2023, a descoberta de Ammonite, um objeto transnetuniano cuja órbita não se alinha com a dos seis TNOs originalmente analisados por Batygin e Brown, enfraqueceu um dos pilares da hipótese. Se o padrão orbital dos objetos distantes não é tão uniforme quanto se pensava, a necessidade de um planeta massivo para explicá-lo diminui.

Em 2025, astrofísicos do instituto alemão Forschungszentrum Jülich apresentaram simulações computacionais sugerindo que a passagem próxima de uma estrela massiva, bilhões de anos atrás, poderia ter causado o caos gravitacional que alterou as órbitas dos transnetunianos. A professora Susanne Pfalzner, que liderou o estudo, admite que o Planeta Nove pode existir, mas considera a probabilidade baixa. Caso essa teoria esteja correta, a Terra e seus vizinhos teriam sido apenas espectadores de um evento gravitacional ocorrido há bilhões de anos. A própria Greenstreet, do Vera Rubin, reconhece que “as evidências desse planeta adicional têm diminuído nos últimos anos.”

O que acontece se o Vera Rubin não encontrar o nono planeta

Mesmo que as imagens do observatório não revelem o Planeta Nove, a missão está longe de ser um fracasso. A vasta região do Sistema Solar externo permanece amplamente inexplorada, e os dados coletados do Chile pelo Vera Rubin podem revelar objetos e fenômenos que ninguém sequer imaginou. Brown, o astrônomo que tirou o status de planeta de Plutão e agora defende a existência de um novo, reconhece a ironia de sua posição e a magnitude do que está em jogo.

Se o nono planeta for confirmado, seria a primeira descoberta de um planeta no Sistema Solar em 180 anos, desde que Netuno foi formalmente identificado em 1846. “O Planeta Nove seria o quinto maior do nosso Sistema Solar e o primeiro descoberto em 180 anos”, afirma Brown. Se não for encontrado, os dados do Vera Rubin ainda reescreverão o que sabemos sobre o Cinturão de Kuiper e as fronteiras do sistema que a Terra chama de lar.

Você acredita que existe um nono planeta escondido no Sistema Solar ou acha que os cientistas estão perseguindo uma miragem? Conte nos comentários o que te fascina mais: a possibilidade de um mundo desconhecido orbitando o Sol há bilhões de anos ou a tecnologia do telescópio que pode finalmente encontrá-lo.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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