Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina, se tornou a primeira cidade do estado a usar tecnologia LiDAR para monitorar a praia com precisão milimétrica. Segundo o NSC, o projeto, conduzido pelo Serviço Geológico do Brasil em parceria com a UFPR foi divulgada nessa terça-feira (19) e a prefeitura local, vai mapear a erosão costeira ao longo de dois anos enquanto a cidade executa o maior alargamento de praia do país, com R$ 336 milhões de investimento.
A praia de Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina, está sendo escaneada por um sensor a laser capaz de medir cada centímetro de areia que a cidade ganha ou perde conforme as estações do ano mudam. O equipamento utiliza tecnologia LiDAR, sigla em inglês para detecção de luz e alcance e sobrevoa a orla em aerolevantamentos que produzem mapas tridimensionais da faixa de areia com precisão inédita para o litoral catarinense. O projeto foi firmado em abril entre o Serviço Geológico do Brasil, a Universidade Federal do Paraná e a prefeitura de Itapoá como parte do programa nacional Dinâmica Costeira, que já entregou resultados em São Vicente, em São Paulo, e conduz estudos em Maricá, no Rio de Janeiro, e Guaratuba, no Paraná.
O monitoramento da praia acontece em um momento singular: Itapoá enfrenta erosão costeira há décadas e está executando o maior alargamento de faixa de areia já feito no Brasil, com investimento de R$ 336 milhões e previsão de depositar 6,4 milhões de metros cúbicos de areia sobre a orla, três vezes mais do que o volume utilizado no famoso alargamento de Balneário Camboriú. A obra já estava 58,5% concluída no início de 2026, com 5 quilômetros expandidos e 3,4 milhões de metros cúbicos depositados. Mas alargar a praia sem entender a dinâmica do mar é como encher um balde furado. É exatamente isso que o LiDAR pretende resolver.
Como funciona o raio-x da praia

O LiDAR é um sensor óptico que emite pulsos de laser em direção ao solo e mede o tempo que cada pulso leva para retornar. Com milhões de pontos coletados por segundo, o equipamento cria um modelo tridimensional extremamente detalhado da superfície. Nos aerolevantamentos de Itapoá, o sensor é acoplado a uma aeronave que percorre a orla do Pontal até a Barra do Saí, produzindo o que os pesquisadores descrevem como um verdadeiro raio-x da praia.
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Os dados coletados permitem identificar com precisão quais trechos da praia estão em processo de erosão — onde a areia está sendo levada pelo mar — e quais estão em acreção, acumulando sedimentos. Além dos sobrevoos, o projeto inclui coleta de sedimentos e análises laboratoriais para entender a composição e a granulometria da areia em diferentes pontos da orla. Duas etapas de levantamento já foram concluídas desde que o trabalho começou em novembro de 2025.
Por que Itapoá precisa desse monitoramento

Itapoá enfrenta problemas de erosão costeira há décadas. A cidade cresceu sobre uma faixa de areia naturalmente dinâmica, e a ocupação urbana próxima à orla agravou a vulnerabilidade. Ressacas frequentes já causaram destruição de calçadas, avenidas e estruturas de lazer, forçando a prefeitura a buscar soluções emergenciais.
O alargamento de praia em curso resolve o problema imediato ao adicionar milhões de metros cúbicos de areia sobre a orla. A areia é retirada da dragagem do canal que dá acesso aos portos de Itapoá e São Francisco do Sul, em uma operação executada por uma draga de 166,5 metros que funciona 24 horas por dia. Mas o alargamento sozinho não garante permanência: se a dinâmica costeira continuar levando areia mais rápido do que o esperado, novas intervenções serão necessárias.
O que os dados vão revelar sobre a dinâmica costeira
O plano de trabalho prevê dois anos de monitoramento, com levantamentos sazonais que vão capturar o comportamento da praia em diferentes condições climáticas. Os resultados incluirão uma análise da linha de costa, um mapa de vulnerabilidade à erosão e um balanço volumétrico que quantifica exatamente quantos metros cúbicos de areia a praia ganha ou perde por estação.
O pesquisador Marcelo Jorge, coordenador do projeto Dinâmica Costeira no Serviço Geológico do Brasil, explicou que o aprofundamento técnico sobre a erosão costeira é essencial para mitigar impactos de eventos extremos e otimizar a aplicação de recursos públicos. Os dados produzidos pelo LiDAR vão permitir que a prefeitura direcione futuras etapas de alargamento da praia — como a planejada para a zona norte, entre o bairro Continental e o Balneário Cambijú — e implementar políticas de ocupação mais seguras.
Um projeto que pode servir de modelo para o litoral brasileiro
Itapoá é o quarto município brasileiro a integrar o projeto Dinâmica Costeira do Serviço Geológico do Brasil, mas é o primeiro de Santa Catarina. O engenheiro Lucas Henderson, da Secretaria de Meio Ambiente de Itapoá, afirmou que o objetivo é transformar a cidade em referência para o monitoramento costeiro de alta precisão. A expectativa é que os dados gerados sirvam não apenas para Itapoá, mas como base metodológica para outras cidades litorâneas que enfrentam erosão.
O próprio Serviço Geológico reconhece que a erosão costeira é um fenômeno que atinge regiões naturalmente frágeis, sujeitas à ação de marés, ventos, ondas, aumento do nível do mar e impactos humanos. O projeto também envolve alunos de graduação e pós-graduação da UFPR, formando uma nova geração de pesquisadores com experiência prática em monitoramento de praia com LiDAR. O modelo desenvolvido em Itapoá, se bem-sucedido, pode ser replicado em centenas de municípios costeiros que enfrentam o mesmo dilema: como proteger a praia sem entender o que o mar está fazendo com ela.
Você mora em uma cidade litorânea que sofre com erosão? Acha que a tecnologia de monitoramento pode realmente evitar que praias desapareçam, ou o avanço do mar é inevitável? Conta nos comentários.

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