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Super El Niño pode bagunçar a safra da tainha em SC e deixar pescadores em alerta para 2026: águas mais quentes podem alterar a migração dos cardumes, dificultar capturas e afetar diretamente a pesca artesanal

Publicado em 26/04/2026 às 16:10
Atualizado em 26/04/2026 às 18:18
Pesca da Tainha, Pesca, El Niño
Imagem: Reprodução
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Possível Super El Niño eleva incerteza sobre a safra da tainha em Santa Catarina, onde águas mais quentes podem alterar a migração dos cardumes, dificultar capturas e afetar diretamente a pesca artesanal local em 2026

O possível Super El Niño acendeu alerta em Santa Catarina na safra da tainha de 2026, com águas mais quentes, risco de mudança na migração dos cardumes e impacto direto sobre a pesca artesanal.

Água mais quente coloca a temporada sob incerteza

A influência do El Niño preocupa pescadores e pesquisadores catarinenses às vésperas da safra da tainha. O aquecimento anormal do mar pode alterar o deslocamento da Mugil liza.

A pesca ocorre tradicionalmente entre 1º de maio e 31 de julho. Nesse período, os cardumes migram do sul do continente em direção ao litoral de Santa Catarina para reprodução, movimento essencial para a pesca artesanal.

Esse trajeto depende da queda gradual da temperatura da água e da atuação de ventos do quadrante sul. Quando essas condições aparecem no ritmo esperado, os peixes se aproximam da costa.

O mar, porém, já mostrou sinais de aquecimeto fora do padrão. No último verão, maricultores de ostras registraram perdas de até 90% da produção, resultado ligado às altas temperaturas observadas na água.

A Federação das Empresas de Aquicultura indicou que a média da água do mar saltou de cerca de 28°C para até 34°C. Esses índices são extremamente prejudiciais para moluscos.

Pesca da Tainha, Pesca, El Niño
Fenômeno El Niño deve ficar mais intenso a partir de maio, aponta NOAA
Foto: Reprodução/Surfer Today/NOAA/ND mais

Safra da tainha depende do resfriamento do mar

A safra da tainha envolve a combinação entre resfriamento gradual das águas, ventos favoráveis e comportamento dos cardumes ao longo da rota migratória pelo litoral catarinense.

Quando o oceano esfria de forma consistente, os cardumes tendem a se concentrar perto da costa. Essa aproximação facilita a captura pelos pescadores e aumenta a chance de uma temporada mais produtiva.

Se o mar permanece mais quente que o normal, os peixes podem atrasar a migração ou seguir por rotas mais afastadas. Com isso, a pescaria se torna mais difícil para as comunidades que dependem da temporada.

O cenário oposto também traz risco. Em 2025, a água mais fria antecipou a passagem dos cardumes pelo litoral catarinense, reduziu o tempo disponível para captura e afetou o aproveitamento da temporada.

Caio Magnotti, doutor em aquicultura e supervisor técnico do Lapmar, destacou que tanto água muito quente quanto muito fria afetam diretamente a pescaria. A incerteza está no equilíbrio entre temperatura e tempo de passagem.

A migração também depende do encontro da Corrente das Malvinas, que traz águas frias do sul, com a Corrente do Brasil, que transporta águas mais quentes e cria zonas de transição térmica.

Pesquisadores acompanham os efeitos no mar

Pesquisadores do Lapmar, o Laboratório de Piscicultura Marinha da UFSC, acompanham continuamente as condições do mar.

O monitoramento busca entender como mudanças térmicas podem interferir no comportamento dos peixes e no equilíbrio ambiental.

A temperatura influencia alimentação, metabolismo e ciclo reprodutivo dos peixes. Temperaturas entre 28°C e 29°C costumam durar poucos dias no verão, mas a última temporada teve longos períodos com a água acima de 31°C.

Magnotti explicou que o calor pode favorecer o crescimento dos peixes, mas também prejudicar outras espécies e desorganizar o ambiente marinho. A temperatura ainda altera profundidade, atividade e organização dos cardumes.

Pequenas variações de temperatua já podem afetar o resultado final da safra da tainha, porque mudam o comportamento dos peixes durante o percurso e tornam a chegada ao litoral menos previsível.

Boletins apontam chance de Super El Niño

O boletim mais recente da NOAA indicou mudanças na temperatura das águas oceânicas que tornam 2026 mais favorável ao chamado Super El Niño.

Caso se confirme, o fenômeno pode ser um dos episódios mais intensos já registrados.

Informações do Meteored apontam transição para aquecimento no Oceano Pacífico Equatorial Central. Entre 18 de março e 1º de abril, a temperatura da superfície do mar subiu de -0,6°C para -0,2°C na região Niño 3.4.

Essa variação ainda está no limiar de neutralidade. Mesmo assim, uma bolha de água quente, com anomalias entre +0,5°C e +6°C nas águas subsuperficiais, avança em direção à superfície.

A probabilidade de formação do El Niño no trimestre maio, junho e julho é de 70%. Para a safra da tainha, o alerta está no efeito que o aquecimento pode provocar sobre ritmo, rota e concentração dos cardumes.

Com informações de ND Mais.

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Romário Pereira de Carvalho

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