Sistema testado nos Cayos da Flórida combina imagens aéreas, sensoriamento multiespectral e aprendizado de máquina para localizar artefatos não detonados mesmo sob sedimentos, algas e distorções causadas pelas ondas
Pesquisadores da Escola Rosenstiel da Universidade de Miami revelaram uma técnica aérea capaz de detectar bombas subaquáticas não detonadas em águas rasas com alta precisão. O sistema combina drones, sensoriamento multiespectral, inteligência artificial e tecnologias desenvolvidas pela NASA para tornar o mapeamento costeiro mais seguro e eficiente.
Bombas subaquáticas ainda representam risco em áreas costeiras
Bombas, minas e projéteis de artilharia não detonados permanecem escondidos em regiões rasas do oceano após décadas de conflitos. Esses artefatos podem ameaçar turistas, a vida marinha e rotas de navegação.
A detecção desses objetos costuma ser cara, lenta e arriscada. Em águas rasas, o sonar padrão pode falhar, enquanto câmeras comuns sofrem com a movimentação da areia e a distorção causada pelas ondas.
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O problema central é a própria água. As ondas funcionam como lentes móveis, distorcendo a luz e dificultando a visualização nítida do fundo do mar.

Drones usaram duas tecnologias avançadas da NASA
Para enfrentar esse obstáculo, a equipe liderada por Ved Chirayath, da Universidade de Miami, implantou drones sobre os Cayos da Flórida. O experimento usou duas tecnologias avançadas da NASA: Fluid Lensing e MiDAR.
O Fluid Lensing é um algoritmo criado para remover, em tempo real, a distorção provocada pelas ondas. Com isso, o sistema consegue gerar imagens mais nítidas e de alta resolução do fundo oceânico.
Já o MiDAR é um sistema ativo de sensoriamento multiespectral. Ele emite múltiplos comprimentos de onda de luz através da coluna d’água, iluminando áreas submersas que normalmente seriam difíceis de observar com clareza.
A combinação dessas ferramentas permitiu que os pesquisadores mapeassem o fundo do mar com menos interferência da superfície, mesmo em um ambiente sujeito a movimento, sedimentos e cobertura biológica.
Teste foi feito em Broad Key, nos Cayos da Flórida
No experimento, os pesquisadores colocaram munições de teste inertes e iscas no fundo do mar ao redor de Broad Key, uma ilha de pesquisa no norte dos Cayos da Flórida.
Detectar uma bomba recém-submersa é mais simples. O desafio maior é localizar um artefato que ficou décadas no ambiente marinho, coberto por sedimentos, algas e outros organismos.
Com o passar do tempo, as marés movimentam areia ao redor dos objetos. Ao mesmo tempo, a vida marinha cresce sobre a superfície metálica, camuflando as munições no cenário natural do oceano.
Para superar essa dificuldade, os pesquisadores treinaram um modelo de aprendizado de máquina com imagens de drones em alta resolução. A inteligência artificial aprendeu a identificar características geométricas das munições.
Com isso, o sistema conseguiu diferenciar os alvos de formações naturais de corais, rochas e detritos. Mesmo após semanas de crescimento biológico e acúmulo de sedimentos, todas as armas de teste foram identificadas com sucesso.
Tecnologia pode tornar operações costeiras mais seguras
Segundo Ved Chirayath, artefatos explosivos não detonados em águas rasas continuam sendo um sério desafio global.
Ele afirmou que os resultados demonstram uma solução aérea escalável para melhorar a precisão da detecção e promover ambientes costeiros mais seguros.
A aplicação da técnica pode ir além da Flórida. bombas subaquáticas não detonadas ainda existem em antigos campos de batalha europeus e em locais de descarte esquecidos no Pacífico.
Esses artefatos também podem liberar substâncias químicas tóxicas em ecossistemas frágeis e interromper projetos importantes de infraestrutura costeira.
Os métodos atuais têm limitações relevantes. Mergulhadores enfrentam riscos elevados, enquanto embarcações acústicas não conseguem operar com segurança em águas com menos de dez metros de profundidade.
Nesse cenário, drones aéreos podem oferecer uma alternativa mais rápida e segura, com capacidade de cobrir grandes áreas costeiras em um único voo.
Apesar dos resultados iniciais de alta precisão, os pesquisadores ainda precisam testar o sistema em uma variedade maior de ambientes marinhos, incluindo canais turvos do Atlântico e baías profundas do Pacífico.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Escola Rosenstiel da Universidade de Miami e do material fornecido sobre o estudo liderado por Ved Chirayath, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

