Ao construir carro de corrida na garagem, o soldador chama atenção da Stock Car e leva o carro de corrida do bairro ao autódromo, mesmo sem carteira de motorista.
Um soldador do interior do Rio transformou a própria casa em oficina para construir carro de corrida na garagem, usando peças reaproveitadas, estudo na marra e muita persistência, mesmo sem ser mecânico e sem saber dirigir.
A história coloca luz em um trabalhador que saiu do zero, chamou atenção de campeões do automobilismo e provou que disciplina e criatividade podem levar um projeto artesanal a um nível que muita gente só vê em autódromo.
O Manuel Luiz Machado Amaro, de 51 anos, caldeireiro e soldador, decidiu construir carro de corrida na garagem em Ururaí, distrito de Campos dos Goytacazes, e acabou virando referência local de automobilismo artesanal.
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Foram 8 anos entre croquis, planejamento e montagem, com noites em claro e fins de semana inteiros dentro da garagem. Ele aprendeu mecânica no processo, porque não tinha formação técnica ou acadêmica para fazer o que fez.
Quem é o soldador que decidiu construir carro de corrida na garagem
O Manuel se apresenta como soldador e caldeireiro e diz que pode ser chamado de “rei da gambiarra”, no sentido de criar soluções com o que tinha à mão. A base do projeto nasceu em casa, com uma garagem pequena e um sonho grande, e muita gente ao redor duvidou desde o começo.
O empurrão emocional veio da infância, quando ele acompanhava corridas com o pai e cresceu admirando Ayrton Senna. A paixão virou combustível para insistir, mesmo ouvindo que não teria dinheiro, técnica, nem condições para um projeto desse tamanho.
O que ele usou no carro e por que o projeto virou uma aula de criatividade
Para construir carro de corrida na garagem, o Manuel misturou peças de quatro veículos diferentes, garimpadas em ferro-velho, e adaptou componentes na mão.
O motor é 1.8, descrito como raridade dos anos 90. O chassi foi feito com aço de carbono. O painel foi fabricado e adaptado, o volante foi reaproveitado, e diversos itens foram combinados para “casar” um conjunto funcional.
Entre as peças citadas no projeto estão tanque de combustível de Chevette, componentes do conjunto AP, câmbio reaproveitado e braço de suspensão traseira de Fusca. É uma engenharia artesanal feita na prática, com soluções criadas para funcionar, não para enfeitar.
O que ainda falta para o carro andar sem ajuda
Apesar de impressionar pelo visual e pela montagem, o carro ainda precisa de ajuste de freios e de embreagem.
Em algumas tentativas, o Manuel consegue dar partida e o ronco do motor aparece com força, mas para sair do lugar a máquina ainda precisa de um empurrãozinho.
Ele mesmo deixa claro que não tem obsessão por velocidade extrema. O objetivo principal é fazer o carro andar, mesmo que seja a 40 km/h, porque ver o projeto se movendo já é a conquista mais simbólica.
Como a garagem chamou atenção de Interlagos e da Stock Car
O carro artesanal já teve momento de vitrine: foi exposto no autódromo de Interlagos, em São Paulo, durante uma prova da Stock Car. Lá, o Manuel conheceu nomes como Rubens Barrichello e Felipe Massa, e recebeu reconhecimento pelo talento e pela persistência.
Esse salto de “garagem” para “autódromo” mostra por que construir carro de corrida na garagem não foi só um hobby. Virou uma história que impacta quem entende do esporte e quem reconhece esforço de trabalhador.
Quanto ele gastou, quanto ofereceram e por que ele não vende

O Manuel afirma ter investido cerca de R$ 100 mil na construção. E mesmo assim, não coloca o carro à venda. Ele diz que já recebeu proposta de R$ 1 milhão e depois uma proposta de R$ 2 milhões “para começar a conversa”, mas recusou.
Para ele, o carro é mais do que valor de mercado. É prova de capacidade, de aprendizado e de resistência a anos de dúvida alheia.
O detalhe mais surpreendente: ele não tem carteira de motorista
O ponto que mais espanta quem ouve a história é simples e real: o Manuel não tem carteira de motorista e nunca dirigiu. Ele diz que o primeiro carro em que pretende colocar a mão para pilotar é o carro que ele próprio construiu.
Agora, com convites para eventos e com o reboque pronto, ele reconhece que precisa tirar a carteira para conseguir se deslocar e levar o projeto com mais autonomia. O sonho cresceu e passou a exigir o próximo passo.
E agora a pergunta rápida: se você tivesse a coragem de construir carro de corrida na garagem, você venderia por R$ 2 milhões ou guardaria como a maior conquista da sua vida?


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