Duas erupções solares classe X atingiram a Terra em menos de 7 horas e causaram blecautes de rádio do Pacífico ao Leste Asiático — pilotos e marinheiros ficaram sem comunicação por até uma hora
Na madrugada de 24 de abril de 2026, a NASA registrou duas erupções solares consecutivas classificadas como X2.4 e X2.5 — as mais intensas em 78 dias. A primeira erupção solar atingiu o pico às 21h07 do dia 23 de abril, e a segunda explodiu apenas sete horas depois, às 4h13 do dia 24.
Ambas as explosões partiram da mesma região de manchas solares, catalogada como AR4419, localizada próxima ao limbo ocidental do Sol.
De acordo com a Space.com, a radiação das explosões viajou até a Terra na velocidade da luz e perturbou a ionosfera — a camada da atmosfera que carrega sinais de rádio e navegação.
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O resultado imediato foi um blecaute de rádio em ondas curtas que atingiu primeiro o Oceano Pacífico e a Austrália, e depois o Leste Asiático.
Pilotos e marinheiros ficaram sem contato por até uma hora sobre o oceano

Segundo a Interesting Engineering, pilotos, marinheiros e serviços de emergência perderam a comunicação de longa distância por períodos que variaram de alguns minutos a quase uma hora.
Além disso, o rádio em ondas curtas continua sendo amplamente usado na aviação e em operações marítimas, especialmente em rotas sobre oceanos remotos onde não existe outra infraestrutura de comunicação.
Na prática, isso significa que aeronaves cruzando o Pacífico ficaram temporariamente cegas para contato com torre de controle.
Contudo, os voos comerciais não precisaram ser desviados, porque os sistemas de backup por satélite conseguiram compensar parcialmente a interrupção.
Ainda assim, o incidente expôs uma fragilidade real: a dependência do mundo de camadas atmosféricas que o Sol pode desligar a qualquer momento.
O Ciclo Solar 25 atingiu seu pico — e superou todas as previsões dos cientistas
Essas duas explosões não aconteceram por acaso. De acordo com especialistas, o Sol está no auge do Ciclo Solar 25, que começou em dezembro de 2019 e atingiu intensidade máxima entre 2024 e 2026.
O número suavizado de manchas solares chegou a 157 em agosto de 2024 — um valor que ficou fora da faixa prevista pelo painel de consenso internacional.
Em fevereiro de 2026, o Sol disparou uma erupção solar de classe X8, a mais poderosa de todo o ciclo até o momento. Portanto, as explosões X2.5 de abril, embora fortes, não são as piores que este ciclo já produziu.
Apesar disso, cientistas alertam que o período de atividade intensa ainda não terminou. Da mesma forma que um vulcão pode ter múltiplas erupções em sequência, o Sol pode produzir explosões cada vez mais fortes até o ciclo começar a desacelerar, possivelmente só em 2027.
O que significa classe X — e por que X2.5 é preocupante
As erupções solares são classificadas em cinco categorias: A, B, C, M e X, em ordem crescente de intensidade. A classe X é a mais poderosa.
Dentro da classe X, o número indica a magnitude. Por exemplo, uma erupção X2.5 é 2,5 vezes mais intensa que uma X1. Para entender a escala, a erupção X8 de fevereiro foi mais de três vezes mais forte que as de abril.
Nesse sentido, as explosões de 23 e 24 de abril não representam um evento catastrófico. No entanto, elas servem como lembrete de que o Sol está ativo e imprevisível neste momento do ciclo.
Consequentemente, agências como a NOAA e a NASA mantêm monitoramento 24 horas por dia para antecipar eventos que possam afetar a infraestrutura terrestre.
O pior cenário: uma erupção solar como a de 1859 custaria US$ 9 trilhões hoje

O evento mais extremo já registrado aconteceu em 1859 e ficou conhecido como Evento Carrington. Naquela época, uma tempestade geomagnética causou faíscas em linhas telegráficas e auroras boreais visíveis até no Caribe.
Se um evento dessa magnitude atingisse o mundo de hoje, os danos seriam catastróficos. Segundo a USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos), entre 20 e 40 milhões de americanos ficariam sem energia elétrica.
De fato, a estimativa da Lloyd’s de Londres coloca o custo global de um evento Carrington em US$ 9,1 trilhões — o equivalente a 1,4% do PIB mundial destruído de uma só vez.
Além do mais, os blecautes poderiam durar de 16 dias a dois anos, dependendo da disponibilidade de transformadores de reposição.
O problema é que transformadores de alta tensão levam quatro anos ou mais para serem fabricados. Igualmente preocupante é o fato de que a maioria deles não é mais produzida nos Estados Unidos.
Por consequência, se centenas de transformadores fossem destruídos simultaneamente, a substituição poderia levar uma década.
GPS, satélites e até semáforos: o que uma erupção solar pode derrubar
Os efeitos de uma supertempestade solar iriam muito além da rede elétrica. Em primeiro lugar, satélites de comunicação e GPS poderiam ser danificados permanentemente pela radiação.
Em segundo lugar, sistemas de navegação aérea e marítima dependeriam de backup terrestre que, em muitas regiões, simplesmente não existe.
Na prática, o impacto se espalharia para:
- Redes de energia elétrica — correntes geomagneticamente induzidas podem queimar transformadores e causar blecautes em cadeia
- Sistemas de GPS — aviões, navios, aplicativos de transporte e logística ficariam sem posicionamento
- Telecomunicações — satélites de internet e telefonia celular poderiam ser desativados
- Mercados financeiros — transações eletrônicas que dependem de sincronização por satélite seriam interrompidas
- Abastecimento de água — bombas elétricas que abastecem cidades inteiras parariam de funcionar
Em comparação, a tempestade solar de março de 1989 deixou 6 milhões de pessoas sem luz na província de Quebec, no Canadá, por nove horas. Aquele evento foi significativamente menor que um Carrington.
O Brasil também é vulnerável — e o país tem pouca proteção contra tempestades solares
Embora os maiores riscos estejam concentrados em latitudes altas, como Canadá e Escandinávia, o Brasil não está imune. Sobretudo porque o país depende de linhas de transmissão de energia extremamente longas — algumas com mais de 2.000 quilômetros.
Dessa forma, correntes induzidas por tempestades geomagnéticas poderiam sobrecarregar transformadores em regiões como o Norte e o Nordeste, que recebem energia de usinas distantes por meio de linhas de alta tensão.
Além disso, o país tem investido cada vez mais em projetos de energia nuclear e renovável, que também dependem de infraestrutura conectada à rede elétrica nacional.
Segundo especialistas, o Brasil ainda não possui um plano nacional de contingência específico para tempestades solares extremas.
O mundo está se preparando — mas não rápido o suficiente

Ainda assim, há esforços em andamento. A NOAA mantém o Space Weather Prediction Center, que emite alertas em tempo real sobre atividade solar. Por sua vez, a NASA monitora o Sol continuamente com o Solar Dynamics Observatory.
No entanto, críticos apontam que a velocidade de preparação é insuficiente. Os transformadores de alta tensão continuam sendo fabricados sob encomenda, sem estoque estratégico.
Será que o mundo conseguiria se proteger se o Sol decidisse disparar uma explosão 100 vezes mais forte amanhã? Por enquanto, a resposta honesta é: provavelmente não.
Por fim, as duas erupções solares de abril de 2026 não causaram danos permanentes. Contudo, elas funcionam como um ensaio — um lembrete de que o Sol tem o poder de desligar a civilização moderna em questão de horas, e que a janela de preparação está se fechando.

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