A usina que virou bomba-relógio: terminar custa R$ 24 bilhões, abandonar custa R$ 26 bilhões, e não fazer nada queima R$ 1 bilhão por ano
No litoral de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, um canteiro de obras funciona ininterruptamente há quase 40 anos. Trabalhadores entram, cumprem turno e saem.
Segundo a Câmara dos Deputados, a obra parada de Angra 3 custa R$ 1 bilhão por ano aos cofres públicos — divididos entre R$ 800 milhões em dívidas, R$ 120 milhões em conservação de equipamentos e R$ 100 milhões em salários.
Contudo, a usina nuclear que deveria ter ficado pronta em 2014 nunca gerou um único watt de energia.
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Além disso, o governo Lula adiou a decisão sobre o futuro da usina para 2026, transformando Angra 3 no que a Revista Sociedade Militar chamou de “bomba-relógio no colo do governo”.
R$ 24 bilhões para terminar, R$ 26 bilhões para abandonar — e nenhuma opção é barata
O dilema de Angra 3 é financeiramente paralisante. Conforme estudo do BNDES divulgado em novembro de 2025, o custo para completar a usina subiu para R$ 23,9 bilhões.
Porém, abandonar oficialmente a obra custaria entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. Esse valor cobre liquidação de empréstimos com bancos públicos, multas contratuais e desmobilização do canteiro.
De acordo com a Gazeta do Povo, desativar Angra 3 custa praticamente o mesmo que terminar.
Portanto, o Brasil está preso em uma armadilha: qualquer decisão custa dezenas de bilhões, e a indecisão custa R$ 1 bilhão a cada 12 meses.
- Custo para completar: R$ 23,9 bilhões (BNDES, nov/2025)
- Custo para abandonar: R$ 22-26 bilhões
- Custo anual da paralisia: R$ 1 bilhão/ano
- Já investido: R$ 12 bilhões+
- Percentual concluído: 65-67%
- Potência planejada: 1.405 MW
- Início das obras: década de 1980

A estatal que pode quebrar por causa de uma obra que nunca termina
Consequentemente, a Eletronuclear — empresa responsável pela construção e operação das usinas nucleares brasileiras — enfrenta risco real de insolvência.
O presidente da companhia alertou que a empresa pode entrar em colapso financeiro em poucos meses se nenhuma decisão for tomada.
Nesse sentido, a dívida acumulada de Angra 3 já consome a maior parte da receita da Eletronuclear, comprometendo até a operação das usinas Angra 1 e Angra 2, que funcionam normalmente.
Da mesma forma, funcionários que trabalham no canteiro de Angra 3 recebem salários para realizar apenas manutenção preventiva de equipamentos — não construção efetiva.
Sobretudo, o cenário cria uma ironia cruel: o Brasil paga R$ 1 bilhão por ano para NÃO ter energia nuclear.

O que 1.405 MW significariam para o Brasil — se a usina existisse
Ainda assim, o potencial de Angra 3 é significativo. Com 1.405 megawatts de potência, a usina poderia abastecer aproximadamente 6 milhões de residências.
Para comparação, Angra 2 — que funciona desde 2001 — gera 1.350 MW e é responsável por cerca de 3% de toda a eletricidade consumida no Sudeste.
Igualmente, a energia nuclear tem uma vantagem que solar e eólica não oferecem: geração contínua 24 horas por dia, independente de sol ou vento.
Em um momento em que o Brasil enfrenta desafios enormes de infraestrutura, ter 1.405 MW ociosos por indecisão política é, no mínimo, frustrante.
De fato, especialistas ouvidos pela Câmara dos Deputados defendem a retomada da construção, argumentando que o custo de terminar é praticamente igual ao de abandonar — mas terminar gera energia por 40 anos.

2026: o ano em que Lula terá que decidir o destino de Angra 3
O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) adiou a decisão sobre Angra 3 em dezembro de 2024, prometendo retomar a discussão em 2025.
Contudo, 2025 passou sem resolução. Agora, a expectativa é que 2026 seja o ano definitivo.
Por outro lado, o contexto político complica. Em ano pré-eleitoral, decisões que envolvem dezenas de bilhões em gastos públicos tendem a ser evitadas.
Dessa forma, a paralisia pode se estender por mais um ciclo — e com ela, mais R$ 1 bilhão desperdiçado.
Será que o Brasil vai finalmente resolver o impasse de Angra 3, ou a usina entrará na sua quinta década de obras sem nunca ter gerado energia?
Apesar dos argumentos técnicos a favor da conclusão, a decisão final depende de fatores que vão além da engenharia: capacidade de financiamento do BNDES, disposição política do Planalto e pressão de grupos ambientalistas que questionam a segurança nuclear pós-Fukushima. O desfecho permanece incerto.

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