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Neorrurais trocam cidades pela qualidade de vida e aceleram êxodo urbano na Espanha

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 10/01/2026 às 14:47
Atualizado em 10/01/2026 às 14:48
Neorrurais lideram êxodo urbano na Espanha ao buscar qualidade de vida fora das cidades em meio à crise imobiliária.
Foto: IA
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Neorrurais lideram êxodo urbano na Espanha ao buscar qualidade de vida fora das cidades em meio à crise imobiliária.

êxodo urbano vem ganhando força na Espanha nos últimos anos, especialmente entre jovens profissionais e famílias que deixam grandes cidades em busca de qualidade de vida.

O movimento envolve quem está migrando, quando essa tendência se intensificou após a pandemia, onde ela ocorre — sobretudo em vilarejos pouco povoados —, como se dá essa mudança e por quê: a crise imobiliária na Espanha, marcada por preços recordes de aluguel e compra de imóveis. 

Esse deslocamento tem alterado a dinâmica de regiões conhecidas como Espanha vazia, áreas rurais que sofreram despovoamento ao longo de décadas, mas que agora voltam ao radar de quem busca tranquilidade, moradia acessível e novos modelos de vida. 

Crise imobiliária na Espanha acelera saída das grandes cidades 

crise imobiliária na Espanha é apontada como um dos principais gatilhos do êxodo urbano.

Segundo dados recentes, os preços dos imóveis já superaram os níveis da bolha de 2008, enquanto os aluguéis registram aumentos de dois dígitos em diversas regiões. 

De acordo com María Matos, diretora de estudos do portal Fotocasa, 63% das pessoas que procuram moradia afirmam que gostariam de se mudar para áreas rurais.

O desejo é ainda mais forte entre jovens e pessoas de baixa renda, que veem no campo uma alternativa para conquistar independência financeira. 

Entre jovens de 18 a 24 anos, 70% manifestam vontade de viver fora dos grandes centros, embora muitos reconheçam as dificuldades práticas dessa decisão, principalmente por limitações profissionais. 

Neorrurais buscam qualidade de vida fora dos centros urbanos 

Nesse contexto surgem os neorrurais, pessoas que optam conscientemente por trocar a cidade pelo campo.

É o caso de Ainara e Roger, cientistas que deixaram Sevilha para morar em Corterrangel, uma aldeia de apenas 15 habitantes na província de Huelva. 

“Valorizamos muito o silêncio e o contato com a natureza”, afirma Ainara.

O casal conseguiu comprar a casa à vista, algo que consideravam impossível na capital andaluza devido à instabilidade dos contratos de trabalho e à dificuldade de financiamento imobiliário. 

Mesmo com o deslocamento diário de mais de uma hora até Sevilha, eles avaliam que a mudança compensou.

“Viver aqui nos dá muita paz”, resume a pesquisadora, reforçando o papel da qualidade de vida como fator central do êxodo urbano. 

Mudança de carreira acompanha o êxodo urbano 

O movimento não se limita à moradia. Para muitos, o êxodo urbano representa também uma transformação profissional.

A publicitária Anaí Meléndez decidiu deixar Madri após enfrentar salários baixos e aluguéis elevados. 

“Os salários eram irrisórios”, relata.

Após uma demissão e com o seguro-desemprego, ela voltou à cidade natal, Nava del Rey, onde abriu o restaurante Caín, focado em carnes na brasa e produtos locais. 

“Nos vilarejos, há muito trabalho, mas é preciso criá-lo, ir atrás”, afirma Anaí.

Segundo ela, outros jovens também retornaram para empreender, seja abrindo clínicas, seja revitalizando vinhas familiares. 

Espanha vazia tenta se reinventar para atrair novos moradores 

O avanço dos neorrurais reacende o debate sobre a Espanha vazia, regiões que perderam população desde o êxodo rural do século passado.

Para Diego Curto, gerente da Associação para o Desenvolvimento Integral do Vale de Ambroz (DIVA), a perda de moradores gera um ciclo negativo. 

“A perda populacional leva ao fechamento de serviços, comércios e restaurantes”, explica.

Para romper esse ciclo, organizações locais criam bancos de imóveis, divulgam oportunidades de trabalho e orientam famílias interessadas em se mudar. 

“As pessoas buscam qualidade de vida e tranquilidade”, afirma Curto, destacando também o interesse crescente de famílias latino-americanas em se estabelecer nessas regiões. 

Barreiras ainda limitam o avanço do êxodo urbano 

Apesar do interesse crescente, o êxodo urbano enfrenta obstáculos.

A escassez de moradias em vilarejos e a concentração de projetos habitacionais em grandes cidades dificultam novas migrações. 

Segundo María Matos, a Espanha acumula um déficit de cerca de 150 mil moradias por ano, agravado pela chegada de mais de 500 mil pessoas ao país no último período. 

Além disso, persistem estereótipos sobre a vida rural. “Muitos achavam que era um retrocesso”, conta Ainara. Ainda assim, para quem consegue romper com a rotina urbana, a mudança representa uma escolha consciente por um modo de vida mais equilibrado. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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