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Emirados Árabes instalam 16 caixões gigantes de concreto no mar de Abu Dhabi para erguer 600 metros de cais sobre uma ilha artificial offshore, receber mega-iates de mais de 100 metros e estrear uma técnica inédita no país

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 06/07/2026 às 18:36 Atualizado em 06/07/2026 às 18:55
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Blocos gigantes de concreto saíram de um porto, atravessaram o mar e deram forma a uma estrutura inédita em Abu Dhabi, criada em uma ilha artificial offshore para receber embarcações de luxo com dimensões incomuns e alta exigência operacional.

Os Emirados Árabes Unidos passaram a usar caixões gigantes de concreto armado em uma obra marítima inédita no país, instalada no mar de Abu Dhabi para formar 600 metros lineares de cais em uma ilha artificial offshore.

Projetada para receber alguns dos maiores mega-iates do mundo, a estrutura atende embarcações com mais de 100 metros de comprimento e reúne engenharia portuária, construção em alto-mar e infraestrutura náutica de grande porte em uma mesma intervenção.

Caixões gigantes de concreto em Abu Dhabi

Em Abu Dhabi, a obra foi realizada pelo NMDC Group, empresa dos Emirados Árabes que atua em engenharia, construção marítima, dragagem e energia, em parceria com a portuguesa Etermar, especializada em estruturas flutuantes de concreto armado.

Segundo a Etermar, o projeto marcou a primeira construção de cais baseada em caixões de concreto nos Emirados Árabes Unidos, criando uma nova aplicação técnica para obras marítimas executadas em ilhas artificiais offshore no país.

O sistema adotado envolveu duas paredes de cais, cada uma com 300 metros de extensão, até formar o total de 600 metros lineares de berço destinado à atracação de embarcações de grande porte.

Para compor essa estrutura, foram usados 16 caixões de concreto armado, módulos de grandes dimensões que funcionam como blocos estruturais na formação de paredes marítimas, fundações portuárias e áreas de atracação em ambiente costeiro.

As peças não foram moldadas diretamente no local final da obra, pois a Etermar informou que os caixões foram construídos no Porto de Mina Zayed, em Abu Dhabi, sobre uma doca flutuante mobilizada a partir de Portugal.

Depois de concluídas, as estruturas seguiram rebocadas pelo mar até a ilha artificial offshore, onde a própria empresa portuguesa realizou a instalação dos módulos responsáveis pela formação das novas paredes de cais.

Ilha artificial offshore e mega-iates de mais de 100 metros

A operação chama atenção pela sequência técnica exigida para transformar módulos flutuantes de concreto armado em uma base fixa, capaz de sustentar atividades náuticas em uma área construída fora da costa.

Nesse tipo de solução, os caixões são produzidos como grandes estruturas flutuantes, transportados por via marítima e posicionados no ponto previsto pelo projeto antes de passarem a integrar a base física do cais.

Após o assentamento, os módulos criam uma superfície resistente para suportar operações em ambiente marinho, reduzindo etapas construtivas no local definitivo e concentrando parte relevante da execução em uma área portuária controlada.

No caso de Abu Dhabi, os 16 caixões permitiram formar duas linhas de cais em uma ilha artificial projetada e construída pelo NMDC Group, principal contratado da intervenção marítima.

A finalidade declarada da estrutura é receber mega-iates com mais de 100 metros de comprimento, categoria associada a embarcações de alto valor, grande porte e alta exigência operacional em profundidade, estabilidade e proteção costeira.

Além dos caixões, o projeto incluiu o desenho técnico de elementos complementares, como viga de coroamento, sistema de proteção contra erosão provocada pela ação da água e vala de fundação.

Esses componentes ajudam a manter a estabilidade da estrutura diante do movimento das ondas, das correntes e das variações do ambiente submerso, fatores decisivos para obras marítimas expostas a esforços constantes.

Engenharia marítima no Porto de Mina Zayed

Na etapa de preparação, a execução também envolveu estudos de engenharia conduzidos pelo NMDC Group, responsável por assegurar as condições técnicas necessárias ao desenho e à construção da ilha offshore.

Segundo a Etermar, o grupo realizou análises hidrodinâmicas, meteoceânicas e de investigação do solo, além de serviços de dragagem, aterro hidráulico, quebra-mar, revestimentos de proteção e modelagem de praia.

A construção do berço foi concluída em cinco meses, prazo apresentado pela Etermar como demonstração da eficiência da solução baseada em caixões de concreto aplicada em cooperação com o NMDC Group.

Durante a obra, aproximadamente 190 trabalhadores de diferentes nacionalidades participaram das atividades, e cerca de metade desse contingente era formada por profissionais portugueses envolvidos na execução dos serviços marítimos e estruturais.

Outro ponto relevante foi a combinação entre produção local e know-how internacional, já que a doca flutuante veio de Portugal, mas os caixões foram fabricados em Abu Dhabi, no Porto de Mina Zayed.

Essa estratégia permitiu que a obra avançasse sem depender do transporte internacional das peças já concluídas, mantendo a fabricação dos módulos no próprio emirado antes do deslocamento marítimo até a ilha artificial.

Estruturas flutuantes de concreto armado

A Etermar afirma ter experiência desde o fim da década de 1980 na fabricação de caixões flutuantes de concreto armado por meio de tecnologia de formas deslizantes, usada em estruturas marítimas de grande porte.

Essa especialização permitiu à empresa atuar em obras portuárias nas quais grandes módulos precisam ser moldados, flutuados e instalados com precisão em ambientes sujeitos a correntes, ondas e variações do leito marinho.

Na ilha offshore de Abu Dhabi, a técnica foi aplicada a uma infraestrutura náutica de alto padrão, voltada a embarcações privadas de escala excepcional e com exigências semelhantes às de portos comerciais complexos.

Diferentemente de intervenções ligadas apenas a contêineres, granéis ou terminais industriais, essa obra foi desenhada para atender mega-iates, segmento que demanda soluções robustas de atracação, proteção costeira e operação em águas abrigadas.

A escolha por caixões de concreto armado também evidencia a busca por módulos pré-fabricados capazes de reduzir etapas no ambiente final de instalação, um recurso recorrente em grandes projetos executados no mar.

Em vez de construir toda a estrutura diretamente em alto-mar, parte do trabalho ocorre em uma área controlada, enquanto os blocos prontos são levados por via marítima até o ponto definitivo de instalação.

Infraestrutura marítima nos Emirados Árabes Unidos

No comunicado sobre a obra, a Etermar classificou a solução como sustentável e associou o projeto à sua estratégia de ampliar o uso de estruturas de concreto armado em aplicações marítimas e energéticas.

A empresa também relacionou sua experiência com caixões e plataformas flutuantes a projetos futuros de energia offshore, incluindo estruturas associadas a parques eólicos instalados em ambiente marítimo.

Para Abu Dhabi, a obra representa uma nova aplicação de engenharia em um setor no qual o emirado já concentra investimentos em infraestrutura marítima, ilhas artificiais e operações costeiras de grande escala.

Ao instalar um cais de 600 metros com 16 caixões de concreto, o projeto amplia a capacidade técnica local para receber embarcações de grande porte em uma área offshore construída especificamente para esse uso.

O resultado é uma estrutura que combina escala, precisão e função de alto valor simbólico, pois blocos gigantes de concreto saíram de um porto, flutuaram pelo mar e foram instalados em uma ilha artificial.

Destinado a mega-iates acima de 100 metros, o cais mostra como obras marítimas podem unir engenharia pesada, infraestrutura náutica de luxo e construção offshore em um mesmo projeto no Golfo.

Até que ponto ilhas artificiais como essa podem redesenhar o futuro das grandes obras marítimas no Golfo?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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