Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o número de assentamentos rurais em condição de seca extrema quase triplicou no país, segundo monitoramento oficial do Cemaden. Minas Gerais concentrou 15 dos 32 casos mais graves registrados no período.
A seca voltou a acender um alerta em áreas rurais do Brasil. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden, mostram que houve uma intensificação expressiva da estiagem em assentamentos rurais entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Segundo o monitoramento oficial, o número de assentamentos classificados em condição de seca extrema subiu de 12 para 32 em apenas um mês. No mesmo período, os assentamentos enquadrados em seca severa mais do que dobraram, passando de 176 para 366.
O avanço chama atenção porque atinge diretamente comunidades rurais que dependem da água para produção agrícola, criação de animais, abastecimento local e manutenção da renda familiar.
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Minas Gerais concentra quase metade dos assentamentos em seca extrema

Entre os 32 assentamentos rurais em seca extrema registrados em janeiro de 2026, Minas Gerais aparece como o estado mais afetado, com 15 casos. Na sequência vêm Mato Grosso, com 9 assentamentos, Tocantins, com 4, São Paulo, com 2, e Pernambuco, com 1.
A concentração em Minas Gerais reforça um quadro que já vinha sendo observado pelo próprio Cemaden. Em dezembro de 2025, o órgão apontava a persistência de condições de seca severa a extrema em grande parte do estado, além do sul de Goiás e porções de São Paulo. O relatório também destacava que o déficit hídrico permanecia particularmente acentuado em Minas Gerais, com impactos contínuos sobre sistemas hídricos e atividades produtivas. Esse cenário aparece no levantamento de dezembro de 2025 divulgado pelo órgão.
Na prática, isso significa que a seca não aparece apenas como um dado climático isolado. Ela afeta o solo, a vegetação, a disponibilidade de água e a capacidade de produção em áreas onde muitas famílias dependem diretamente da agricultura.
O que significa seca extrema?

A classificação de seca extrema indica uma situação mais grave do que a seca moderada ou severa. Ela costuma estar associada a um conjunto de fatores, como falta prolongada de chuva, redução da umidade do solo, estresse da vegetação e risco de impacto direto sobre lavouras, pastagens, nascentes e reservatórios.
No caso dos assentamentos rurais, o problema é ainda mais sensível porque essas áreas geralmente concentram pequenos produtores, agricultores familiares e comunidades com menor capacidade de adaptação financeira diante de perdas na produção.
Quando a chuva falha por vários meses, os efeitos aparecem em cadeia: o solo perde umidade, as pastagens enfraquecem, a produção agrícola cai, os animais sofrem com falta de alimento e água, e as famílias passam a depender mais de apoio externo ou de fontes alternativas de abastecimento.
Seca severa também disparou no campo
Além do avanço da seca extrema, o dado sobre seca severa revela que o problema é mais amplo. O número de assentamentos nessa condição saltou de 176 para 366 entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Esse aumento indica que mais áreas rurais estão se aproximando do estágio mais crítico. Mesmo quando ainda não chegam à seca extrema, assentamentos em seca severa já podem enfrentar prejuízos significativos na agricultura, dificuldade para manter rebanhos, redução da água disponível e maior vulnerabilidade social.
O cenário preocupa porque janeiro costuma ser um mês importante para o regime de chuvas em várias regiões do país. Quando a recuperação da umidade não ocorre de forma suficiente nesse período, os efeitos podem se prolongar e comprometer os meses seguintes.
Impacto social: por que os assentamentos preocupam mais?

A seca em grandes áreas produtivas já é preocupante, mas o avanço em assentamentos rurais tem um componente social ainda mais forte. Essas comunidades muitas vezes dependem de pequenas lavouras, produção de subsistência, criação de animais e venda local de alimentos.
Com a seca, a renda pode cair rapidamente. A perda de uma safra ou a necessidade de comprar água e ração pode pressionar famílias que já operam com margens pequenas. Em regiões mais vulneráveis, a estiagem também pode aumentar o custo de vida, reduzir a oferta de alimentos e ampliar a dependência de programas públicos.
Outro ponto crítico é o abastecimento. Em muitas áreas rurais, a água vem de poços, cisternas, nascentes, pequenos açudes ou caminhões-pipa. Quando a seca se intensifica, essas fontes podem deixar de ser suficientes.
Minas Gerais já vinha sob alerta hídrico
O destaque de Minas Gerais no levantamento não ocorre por acaso. O estado aparece em relatórios recentes do Cemaden como uma das áreas mais afetadas pelo déficit hídrico. Em dezembro de 2025, o órgão apontou que a situação mineira permanecia crítica, com reflexos sobre sistemas hídricos e atividades produtivas.
Minas tem uma combinação que ajuda a explicar a preocupação: grande extensão territorial, forte presença de agricultura e pecuária, muitas comunidades rurais e dependência de regimes de chuva que podem variar bastante entre regiões.
Quando a seca se instala em áreas agrícolas, os efeitos podem atingir desde pequenos produtores até cadeias maiores de abastecimento. A redução de água no solo também aumenta a vulnerabilidade a queimadas, perda de vegetação e degradação de áreas produtivas.
Outras áreas monitoradas também mostram sinais de pressão

O boletim de janeiro de 2026 do Cemaden não analisou apenas assentamentos rurais. O órgão também acompanhou a seca em terras indígenas, unidades de conservação e áreas agroprodutivas.
Nas terras indígenas, houve aumento no número de áreas em seca moderada, que passou de 45 para 53, e os casos de seca severa subiram de 7 para 8 entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Já nas unidades de conservação, o quadro mais crítico ficou relativamente estável: duas unidades permaneceram em seca extrema, enquanto as em seca severa tiveram leve redução, de 12 para 11.
Nas áreas agroprodutivas, o Cemaden informou que 237 municípios registraram mais de 80% de suas áreas agroprodutivas sob condição de seca em janeiro. Apesar de representar queda em relação aos 269 municípios observados em dezembro, o número ainda indica uma pressão significativa sobre a produção rural.
O alerta para os próximos meses
O avanço da seca em assentamentos rurais mostra que o problema precisa ser acompanhado de perto. Mesmo que algumas regiões recebam chuva pontual, isso nem sempre é suficiente para reverter o déficit acumulado no solo, recuperar pastagens ou restabelecer reservatórios.
Para comunidades rurais, a diferença entre seca severa e extrema pode significar perda de produção, aumento de custos e necessidade de medidas emergenciais. Por isso, o monitoramento mensal do Cemaden funciona como uma ferramenta importante para orientar governos, produtores, órgãos de assistência técnica e defesa civil.
O salto de 12 para 32 assentamentos em seca extrema em apenas um mês indica que o cenário pode mudar rapidamente. E, com Minas Gerais liderando o número de casos mais graves, o estado passa a ser um dos principais pontos de atenção no início de 2026.

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