O avanço do biometano no interior de São Paulo impulsiona a energia limpa, fortalece a transição energética, reduz emissões e transforma resíduos em desenvolvimento econômico sustentável
O Estado de São Paulo amplia o avanço do biometano como um dos eixos estratégicos da energia limpa e da transição energética, com foco no interior paulista, na valorização de resíduos e no fortalecimento do desenvolvimento regional sustentável.
A estratégia estadual ganhou destaque após a visita da secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende, à usina Santa Cruz, do Grupo São Martinho, em Américo Brasiliense, além de encontros com empresários e lideranças políticas em Ribeirão Preto.
Segundo publicação feita pela Semil no dia 22 de dezembro de 2025, as agendas reforçaram o compromisso do governo paulista em ampliar a produção e a integração do biometano à rede de gás canalizado, acelerando a transição energética e reduzindo as emissões de gases de efeito estufa.
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Biometano no interior de São Paulo como motor da transição energética
A produção de biometano a partir de resíduos agroindustriais avança de forma consistente no interior de São Paulo, tornando-se um dos pilares da política estadual de transição energética. Um exemplo emblemático é a usina Santa Cruz, do Grupo São Martinho, que transforma vinhaça — resíduo da produção de etanol de cana-de-açúcar — em combustível renovável.
Em operação desde outubro de 2025, a unidade tem capacidade para produzir cerca de 15 milhões de metros cúbicos de biometano por safra, o equivalente a aproximadamente 70 mil metros cúbicos por dia. Parte do resíduo biodigerido retorna aos canaviais como adubo orgânico, reforçando os princípios da economia circular e reduzindo impactos ambientais.
Energia limpa e redução de emissões com impacto regional
Segundo Agenor Cunha Pavan, vice-presidente e superintendente agroindustrial da São Martinho, o volume de biometano produzido na usina Santa Cruz pode evitar a emissão de até 32 mil toneladas equivalentes de gases de efeito estufa por ano. Esse resultado evidencia o papel do combustível renovável na transição energética e na mitigação das mudanças climáticas.
O biometano já está conectado ao sistema de distribuição de gás por meio de gasoduto, atendendo Ribeirão Preto e municípios do noroeste paulista via Necta Gás Natural. Essa integração demonstra como a energia limpa pode ser incorporada à infraestrutura existente, ampliando escala e eficiência sem grandes obras adicionais.
São Paulo amplia capacidade instalada de biometano e energia limpa
Durante a visita técnica, a secretária Natália Resende destacou que São Paulo já se diferencia no cenário nacional ao contar com 500 mil metros cúbicos de biometano por dia em capacidade instalada, distribuídos em oito plantas autorizadas. A expectativa do governo estadual é alcançar 700 mil metros cúbicos diários até o final de 2026, com mais sete unidades em processo de início de produção.
De acordo com a secretária, o biometano representa uma fonte de energia limpa, com potencial para acelerar a transição energética, reduzir emissões e impulsionar o desenvolvimento econômico no interior paulista.
Desenvolvimento regional impulsionado pela transição energética
A expansão do biometano também gera impactos positivos na economia regional. A produção descentralizada fortalece cadeias produtivas locais, atrai investimentos privados e gera empregos diretos e indiretos no interior de São Paulo.
Esse modelo de transição energética valoriza resíduos agroindustriais, reduz custos operacionais e cria novas fontes de receita para o setor produtivo. Ao mesmo tempo, promove maior segurança energética e amplia o acesso à energia limpa em regiões fora dos grandes centros urbanos. A energia renovável produzida no interior transforma desafios ambientais em oportunidades econômicas.
Integração do biometano à infraestrutura de gás em São Paulo
Na sequência da agenda oficial, a secretária visitou a sede da Necta Gás Natural, em Ribeirão Preto, onde participou de encontros com empresários e parlamentares. Foram apresentados projetos voltados à descarbonização, com destaque para a interconexão de plantas de biometano e iniciativas direcionadas à logística de veículos pesados.
A Necta apresentou seu plano de investimentos para o noroeste paulista, abrangendo municípios como São José do Rio Preto, Presidente Prudente e Ribeirão Preto. A proposta é consolidar esses polos como referências regionais em energia limpa, alinhando mobilidade sustentável, infraestrutura de gás e transição energética.
Segundo o CEO da empresa, José Eduardo Moreira, a estratégia está em total convergência com o plano energético de São Paulo, ampliando o acesso ao biometano como fonte renovável, segura e competitiva.
São Paulo lidera projetos pioneiros em biometano no Brasil
O protagonismo de São Paulo no setor de biometano é reforçado por iniciativas pioneiras. Em 2025, Presidente Prudente tornou-se o primeiro município brasileiro abastecido integralmente com biometano, produzido pela Usina Cocal e comercializado pela Necta Gás Natural, a partir de investimento de R$ 12 milhões.
Outro destaque é Paulínia, que abriga a maior planta de produção de biometano do Brasil a partir de resíduos sólidos urbanos. O empreendimento recebe resíduos de 35 municípios da região de Campinas e contou com investimento de R$ 450 milhões da Edge, empresa do grupo Cosan.
O projeto fortalece a convergência entre energia limpa, gestão de resíduos e transição energética. São Paulo constrói um ecossistema integrado de biometano, resíduos e inovação energética.
Economia circular e energia limpa com o programa Integra Resíduos
Essas iniciativas fazem parte de uma estratégia mais ampla de valorização de resíduos, por meio do programa Integra Resíduos. A política pública promove a regionalização da destinação de resíduos sólidos, com foco no aproveitamento energético e na geração de novos produtos.
Atualmente, 344 municípios participam do programa, ampliando a escala da energia limpa e criando condições estruturais para o avanço do biometano em diferentes regiões do Estado. O modelo fortalece a transição energética, reduz a dependência de combustíveis fósseis e melhora a eficiência ambiental da gestão de resíduos.
O papel do biometano no futuro energético paulista
O conjunto de políticas públicas, investimentos privados e inovação tecnológica consolidou uma matriz energética em que São Paulo já apresenta 59% de fontes renováveis, enquanto a matriz elétrica atinge 96%, um dos índices mais elevados do mundo.
A expansão do biometano reforça esse cenário ao diversificar a oferta de energia limpa, aumentar a segurança energética e contribuir de forma efetiva para as metas climáticas. Ao transformar resíduos em combustível renovável, São Paulo acelera a transição energética, fortalece o desenvolvimento regional e se posiciona como referência nacional e internacional em sustentabilidade e economia de baixo carbono.

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