Megaestrutura soviética no rio Ienissei reúne dimensões elevadas, função estratégica na Sibéria e um acidente que levou à revisão de padrões de segurança hidrelétrica. Barragem, reservatório e casa de força estão entre os principais elementos da engenharia energética russa.
A usina hidrelétrica Sayano-Shushenskaya, construída no rio Ienissei, na Sibéria, é a maior da Rússia em capacidade instalada e integra o conjunto de grandes obras de engenharia desenvolvidas pela União Soviética.
Com 6.400 megawatts, a estrutura combina uma barragem em arco-gravidade de 242 metros com um reservatório de cerca de 31,3 bilhões de metros cúbicos.
Maior hidrelétrica da Rússia nasceu da demanda industrial soviética
Erguida perto de Sayanogorsk, na região da Khakássia, a obra começou em 1963 e entrou em operação gradualmente entre o fim dos anos 1970 e a década de 1980.
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A demanda por eletricidade barata para mineração, metalurgia e grandes complexos industriais da Sibéria esteve entre os fatores que motivaram o desenvolvimento do projeto.
Entre as alternativas estudadas, o Ienissei foi escolhido pelo volume de água e pelo potencial de aproveitamento hidrelétrico em trechos próximos às montanhas Sayan.
Para desviar suas águas durante a construção, equipes soviéticas abriram túneis nas encostas, ergueram ensecadeiras e secaram partes do leito para preparar a fundação da barragem.
Barragem de 242 metros exigiu fundações reforçadas

Antes da concretagem, a base da estrutura passou por uma etapa de tratamento voltada à estabilidade do conjunto e ao controle de infiltrações.
Rochas instáveis foram removidas, fissuras naturais receberam injeção de cimento e galerias técnicas foram abertas para permitir inspeções, medições de infiltração e acompanhamento estrutural durante a operação.
Em vez de executar a estrutura de uma só vez, os engenheiros dividiram a barragem em blocos e lançaram o concreto por etapas sucessivas.
Como o clima siberiano apresenta frio intenso e grande variação térmica, o controle de temperatura do material foi adotado para reduzir riscos de fissuras na massa de concreto.
Reservatório artificial tem mais de 300 quilômetros
Atrás da barragem, formou-se o reservatório Sayano-Shushenskoye, com mais de 300 quilômetros de extensão ao longo do vale do Ienissei.
Além de fornecer água às turbinas, o lago artificial participa da regulação de vazões sazonais do rio, especialmente durante o degelo de primavera e nos períodos de menor fluxo.
Na base da barragem, a casa de força abriga dez unidades geradoras de 640 megawatts cada, conectadas ao sistema elétrico regional.
Os rotores, com cerca de 920 toneladas, exigiram montagem com alto grau de precisão, porque falhas de alinhamento poderiam gerar vibrações, perda de eficiência e danos aos equipamentos.
Acidente de 2009 deixou 75 mortos na usina

Em 17 de agosto de 2009, a usina registrou um dos acidentes hidrelétricos mais graves do século XXI, segundo registros técnicos e relatos oficiais divulgados após o episódio.
A Unidade 2 foi destruída após falhas associadas à fixação da tampa da turbina, o que provocou inundação na casa de máquinas e deixou 75 mortos.
Apesar dos danos na área de geração, a barragem não colapsou e continuou a conter o reservatório formado pelo rio Ienissei.
O acidente atingiu principalmente os equipamentos eletromecânicos e levou a Rússia a iniciar a reconstrução da usina, com troca de turbinas, modernização de controles e instalação de novos sensores.
Reconstrução modernizou a segurança da Sayano-Shushenskaya
A recuperação foi concluída em 2014, quando a última unidade reconstruída voltou a operar conectada à rede elétrica.
Desde então, Sayano-Shushenskaya permanece como ativo relevante para o sistema elétrico siberiano e para setores industriais que dependem de grande volume de energia, entre eles a produção de alumínio.
Mais de meio século após o início das obras, a hidrelétrica segue associada à escala dos megaprojetos soviéticos e aos desafios de operação de infraestruturas críticas por longos períodos.
Sua trajetória reúne demanda industrial, aproveitamento energético do rio Ienissei e mudanças adotadas após o acidente de 2009 nos sistemas de manutenção, monitoramento e segurança.

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