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Pesquisadores alemães encontram nas lamas do Mar do Norte os restos de Rungholt, a cidade medieval rica que afundou em uma única noite de tempestade em 1362 — e a igreja principal foi mapeada

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 08/05/2026 às 17:30 Atualizado em 07/05/2026 às 23:47
Cidade medieval Rungholt afundada no Mar do Norte mapeada por arqueólogos
A cidade medieval Rungholt afundou no Mar do Norte numa noite de 1362. Imagem ilustrativa.
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Pesquisadores alemães mapearam sob as lamas do Mar do Norte os restos de Rungholt, a cidade medieval rica que afundou em uma única noite de tempestade em janeiro de 1362 e ficou perdida durante 660 anos. Conforme paper publicado na Nature Scientific Reports, a equipe identificou a igreja principal e estruturas urbanas inteiras.

Rungholt ficou conhecida como a “Atlântida do Mar do Norte”. Era uma cidade rica da região de Edomsharde, na Frísia Norte alemã. Comerciava com toda a Europa do Norte e possuía igrejas, diques e mais de 60 montes habitacionais conhecidos como “Warften”.

A tragédia tem nome próprio na historiografia: “Grote Mandränke”, o “grande afogamento de homens”. Foi uma supertempestade em janeiro de 1362 que devastou Alemanha, Holanda, Dinamarca e Reino Unido. As estimativas falam em 25 mil mortos numa única noite.

Como a Atlântida do Mar do Norte foi finalmente localizada

A localização precisa de Rungholt era um mistério há séculos. Pescadores e arqueólogos encontravam tijolos isolados, partes de cerâmica e fragmentos de dique. Apesar disso, ninguém sabia onde exatamente o coração da cidade tinha afundado.

A equipe combinou três técnicas geofísicas. A primeira foi gradiometria magnética. A segunda, indução eletromagnética. A terceira, sísmica de superfície. Os três métodos juntos varreram quilômetros quadrados da costa próxima à pequena ilha de Hallig Südfall.

Pesquisadores alemães mapeiam ruínas de Rungholt no Mar do Norte
Equipes de Kiel e Mainz usaram gradiometria magnética para encontrar Rungholt. Imagem ilustrativa.

Conforme o portal Medievalists.net, o trabalho envolveu a Universidade de Kiel, a Johannes Gutenberg University Mainz, o Centro de Arqueologia Báltica e Escandinava e o departamento estadual de arqueologia de Schleswig-Holstein.

O que a equipe encontrou sob a lama

O achado-marco é a igreja principal de Edomsharde. Ela tinha cerca de 40 metros de comprimento. Foi identificada pelos contornos magnéticos de sua fundação. É a primeira estrutura monumental da cidade comprovada cientificamente.

Além da igreja, foram mapeados 64 montes habitacionais, valas de drenagem extensas e restos de um dique de proteção marítima. Em conjunto, formam o tecido urbano de uma cidade comercial próspera. Conforme os pesquisadores, isso confirma que Rungholt era um centro real, não uma lenda.

Os artefatos resgatados incluem cerâmica fina importada, espadas e objetos metálicos. Em outras palavras, era uma sociedade ligada ao comércio transregional. Por isso, sua perda foi considerada um golpe econômico para a região do Norte da Europa.

Por que uma cidade inteira pode afundar em uma noite

A geografia da Frísia Norte é traiçoeira. As terras baixas dependem de diques. Quando a maré combina com vento forte e baixa pressão atmosférica, a água sobe metros acima do normal. Em 1362, todas essas condições alinharam.

De fato, o que Rungholt experimentou foi uma onda de tempestade gigantesca. Os diques cederam. A cidade ficou submersa em horas e nunca mais reapareceu. Conforme reportagem do All That’s Interesting, foi um dos eventos meteorológicos mais letais da história europeia medieval.

O que isso ensina sobre a costa do século 21

A redescoberta de Rungholt chega num momento simbólico. Cidades costeiras de hoje enfrentam o mesmo dilema. Subida do nível do mar, tempestades extremas e diques em estresse. A diferença é que agora temos satélites, sensores e modelos.

Apesar disso, o paralelo é direto. Recife, Santos, Itajaí e Florianópolis têm áreas construídas em cota baixa. Por outro lado, agora há monitoramento contínuo. O que faltava em 1362, nós temos. O que sobrava em 1362 — confiança nos diques —, nós também temos.

Em última análise, Rungholt é um aviso vindo do passado. No entanto, a tecnologia que finalmente a achou também é a tecnologia que pode evitar uma próxima Rungholt. Cabe ao planeta usá-la — antes que outra noite de tempestade vire patrimônio submarino.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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