Com 27 quilômetros de extensão e um ponto mais profundo a 392 metros abaixo do nível do mar, o Rogfast vai substituir sete travessias de balsa na costa oeste da Noruega e reduzir uma viagem de 21 horas pela metade
Na costa oeste da Noruega, a rodovia E39 serpenteia entre fiordes profundos por 1.090 quilômetros.
Para percorrer esse trecho de Trondheim a Kristiansand, motoristas precisam de 21 horas — e dependem de sete travessias de balsa que param com mau tempo.
O projeto Rogfast pretende mudar isso furando a rocha debaixo dos fiordes.
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Quando concluído em 2033, o túnel terá 27 quilômetros de extensão e atingirá 392 metros abaixo do nível do mar — o mais profundo do mundo para veículos.
A travessia que hoje depende de balsas levará apenas 35 minutos de carro dentro do túnel.
O custo estimado é de US$ 2,4 bilhões (cerca de 20 bilhões de coroas norueguesas).

392 metros de rocha e água sobre a cabeça: como funciona
O túnel Rogfast passará sob o leito do fiorde Boknafjorden, na região de Rogaland.
São quatro pistas de rodagem — duas em cada direção.
No ponto mais profundo, a estrada ficará 392 metros abaixo do nível do mar.
No meio do túnel, há um recurso inédito: uma saída para a ilha de Kvitsøy, com uma rotatória subterrânea a 250 metros de profundidade.
Será a rotatória rodoviária mais profunda do planeta.
A construção começou em 2018, com o primeiro contrato principal no outono de 2021.
O projeto enfrentou uma pausa em 2019 por aumento de custos, mas foi retomado.
Por que a Noruega precisa deste túnel
A costa oeste norueguesa é recortada por fiordes que funcionam como barreiras naturais.
Cada fiorde obriga carros e caminhões a parar, embarcar em balsas e esperar — às vezes horas em dias de temporal.
A E39 tem sete travessias de balsa, tornando o transporte imprevisível e lento.
O Rogfast elimina uma dessas barreiras, conectando Stavanger, Haugesund e Bergen por terra contínua.
O tempo total da E39, de 21 horas, cairá para cerca de 10 horas quando todos os projetos estiverem prontos.

A Noruega é o país dos túneis: Rogfast será o rei
A Noruega já tem os túneis rodoviários mais longos do mundo.
O Laerdal Tunnel, com 24,5 quilômetros, é o atual recordista mundial.
O Ryfast, com 14,4 quilômetros, detém o recorde de profundidade rodoviária a 292 metros.
O Rogfast superará ambos: será 2,5 km mais longo que o Laerdal e 100 metros mais profundo que o Ryfast.
O país tem mais de 1.100 túneis rodoviários — perfurar montanhas faz parte do DNA norueguês.
O impacto econômico: turismo, comércio e emprego
A conexão rodoviária contínua vai acelerar o comércio e o turismo na costa oeste.
Empresas que dependiam de horários de balsas terão previsibilidade logística.
Turistas poderão percorrer a costa sem interrupções marítimas.
O financiamento combina pedágios e suporte do governo norueguês.
Para um país que já vive de petróleo do Mar do Norte, investir US$ 2,4 bilhões em infraestrutura de transporte é uma aposta na diversificação econômica.

Os desafios de furar rocha a 392 metros sob a água
A engenharia do Rogfast enfrenta pressão hidrostática extrema.
A rocha a essa profundidade pode ter fraturas e infiltrações de água do fiorde.
A ventilação de um túnel rodoviário de 27 km é complexa — os gases dos veículos precisam ser extraídos continuamente.
A rotatória subterrânea para Kvitsøy adiciona uma camada de complexidade inédita.
Os noruegueses têm experiência: Laerdal, Ryfast e dezenas de outros túneis provaram que a geologia local é viável.
Mas 392 metros é um novo recorde, e cada metro a mais de profundidade aumenta os riscos.
O que pode dar errado
O projeto já enfrentou aumentos de custo que causaram pausa em 2019.
O orçamento subiu do estimado €1,9 bilhão para US$ 2,4 bilhões.
A conclusão, prevista inicialmente para datas anteriores, agora aponta para 2033.
Geologia imprevisível sob o fiorde pode gerar atrasos adicionais.
Porém, a Noruega tem um histórico forte de entregar túneis — mesmo que atrasados.
Quando o Rogfast abrir, dirigir pela costa norueguesa será como viajar numa autoestrada europeia — só que 392 metros debaixo de um fiorde.

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