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Rochas que dão petróleo: o lugar que mais tem petróleo no planeta, com mais de 30 campos supergigantes e 5 bilhões de barris em cada um

Publicado em 12/05/2026 às 09:09
Atualizado em 12/05/2026 às 09:11
Petróleo
Imagem: Ilustraçao
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Com mais de 30 campos supergigantes e poços de alto rendimento, Golfo Pérsico concentra reservas únicas de petróleo e gás graças a uma combinação rara de rochas, domos e placas tectônicas

Mais de 30 campos supergigantes cercam o Golfo Pérsico, cada um com 5 bilhões ou mais de barris de petróleo bruto, em uma região onde poços produzem até cinco vezes mais que os melhores do Mar do Norte e da Rússia.

Por que a região é incomparável

A abundância do petróleo do Golfo resulta de rara combinação geológica. As rochas conseguem gerar, armazenar e reter hidrocarbonetos em níveis ideais ou próximos disso, formando uma província energética sem paralelo.

A presença de hidrocarbonetos era conhecida antes da formação do golfo, ocorrida no fim da última Idade do Gelo, entre 14 mil e 6 mil anos atrás.

Exsudações naturais aparecem ao longo de rios e vales. Milhares de anos antes da Era Comum, populações usavam betume para fazer argamassa e impermeabilizar embarcações.

A primeira descoberta moderna ocorreu em 1908, em uma área de exsudação no oeste do Irã. Nas décadas de 1950 e 1960, a exploração confirmou a escala excepcional da região.

Outras áreas, como oeste da Sibéria e bacia do Permiano, também concentram grandes volumes. Nenhuma, porém, iguala a magnitude das resrevas e o rendimento do Golfo Pérsico.

O choque entre placas que moldou os depósitos

A região está no encontro da placa Arábica com a placa Eurasiática. Essa colisão ocorreu há cerca de 35 milhões de anos.

O choque dobrou, fraturou e transformou camadas rochosas em profundidade, sob calor e pressão. Os dois lados do golfo têm características diferentes, mas ambos favoreceram grandes acumulações.

No lado iraniano, a Cordilheira de Zagros se estende por cerca de 1,8 mil km, do Golfo de Omã até a fronteira com a Turquia.

A cadeia integra o sistema alpino-himalaio e tem rochas dobradas e fraturadas nos últimos 60 milhões de anos, após colisões da África, Arábia e Índia com a Eurásia.

Na costa arábica, esse dobramento intenso não ocorreu. Forças compressivas deformaram uma plataforma rígida de rocha basal, criando domos que ocupam dezenas ou centenas de quilômetros quadrados.

Sob o Golfo Pérsico há uma bacia cheia de sedimentos erodidos da elevação de Zagros. Nas partes profundas, temperaturas e pressões altas criaram condições para formar petróleo e gás.

Rochas orgânicas alimentam o petróleo do Golfo

O petróleo e o gás nascem de material orgânico marinho, como zooplâncton e fitoplâncton, acumulado em folhelhos e calcários. Com calor e pressão, esse material vira hidrocarbonetos.

Rochas com pelo menos 2% de material orgânico são consideradas boas geradoras. No Golfo Pérsico, muitas camadas têm essa característica, com espessura, abundância e riqueza orgânica.

Entre os exemplos estão as formações Hanifa e Tuwaiq, na costa arábica, formadas no Jurássico, entre 200 milhões e 145 milhões de anos atrás.

No Irã, a formação Kazhdumi surgiu no Cretáceo, entre 145 milhões e 66 milhões de anos atrás. Essas rochas têm entre 1% e 13% de conteúdo orgânico.

Domos e dobras aprisionam volumes gigantes

Rochas dobradas, fraturadas e em forma de domo facilitam o aprisionamento de hidrocarbonetos. As dobras de Zagros, visíveis em imagens de satélite, armazenam centenas de bilhões de barris e grandes volumes de gás.

Mapas de petróleo e gás mostram campos alongados, parecidos com salsichas, no sentido noroeste-sudeste. Eles refletem estruturas dobradas e reúnem centenas de jazidas do sul do Irã ao nordeste do Iraque.

Na placa arábica, os domos originaram acumulações ainda mais vastas. O campo de Ghawar, na Arábia Saudita, é o maior do mundo e pode produzir mais de 70 bilhões de barris.

O South Pars-North Dome, compartilhado por Irã e Catar, pode produzir ao menos 46 trilhões de metros cúbicos de gás, energia equivalente a mais de 200 bilhões de barris de petróleo.

Os calcários estão entre os principais reservatórios. Em algumas partes, foram parcialmente dissolvidos, facilitando o fluxo de petróleo e gás. Em Zagros, fluidos escoam por fraturas e falhas.

O Arab-D, em Ghawar, e o calcário de Asmari, em campos de Zagros, têm rochas de alta qualidade que se estendem por centenas a milhares de quilômetros quadrados.

Reservas ainda podem crescer

A combinação desses fatores concentra cerca de metade das reservas convencionais de petróleo do mundo e 40% do gás em apenas 3% da superfície terrestre.

Mesmo depois de mais de um século de perfuração e prdução, avaliações do Serviço Geológico dos EUA indicam que ainda existem grandes jazidas a descobrir na região.

Em relatório de 2012 sobre a Península Arábica e Zagros, a agência estimou até 86 bilhões de barris de petróleo e 9,5 trilhões de metros cúbicos de gás ainda nas rochas.

Novos volumes também poderiam vir de perfuração horizontal e fracking, técnicas desenvolvidas nos Estados Unidos nas décadas de 2000 e 2010.

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos vêm testando esses métodos em seus campos. Ainda é cedo para medir o sucesso, mas estudos indicam possibilidade de ampliar ainda mais a produção.

Com informações de Época Negócios.

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Romário Pereira de Carvalho

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