Com mais de 30 campos supergigantes e poços de alto rendimento, Golfo Pérsico concentra reservas únicas de petróleo e gás graças a uma combinação rara de rochas, domos e placas tectônicas
Mais de 30 campos supergigantes cercam o Golfo Pérsico, cada um com 5 bilhões ou mais de barris de petróleo bruto, em uma região onde poços produzem até cinco vezes mais que os melhores do Mar do Norte e da Rússia.
Por que a região é incomparável
A abundância do petróleo do Golfo resulta de rara combinação geológica. As rochas conseguem gerar, armazenar e reter hidrocarbonetos em níveis ideais ou próximos disso, formando uma província energética sem paralelo.
A presença de hidrocarbonetos era conhecida antes da formação do golfo, ocorrida no fim da última Idade do Gelo, entre 14 mil e 6 mil anos atrás.
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90 bilhões de barris de petróleo, 1.669 trilhões de pés cúbicos de gás natural e 84% das reservas prováveis em áreas offshore estão sob o Ártico e o degelo que abre rotas marítimas e expõe esse tesouro energético está transformando o Polo Norte em uma disputa estratégica entre EUA, Rússia, China e Canadá por petróleo, gás, navegação e poder militar
Exsudações naturais aparecem ao longo de rios e vales. Milhares de anos antes da Era Comum, populações usavam betume para fazer argamassa e impermeabilizar embarcações.
A primeira descoberta moderna ocorreu em 1908, em uma área de exsudação no oeste do Irã. Nas décadas de 1950 e 1960, a exploração confirmou a escala excepcional da região.
Outras áreas, como oeste da Sibéria e bacia do Permiano, também concentram grandes volumes. Nenhuma, porém, iguala a magnitude das resrevas e o rendimento do Golfo Pérsico.
O choque entre placas que moldou os depósitos
A região está no encontro da placa Arábica com a placa Eurasiática. Essa colisão ocorreu há cerca de 35 milhões de anos.
O choque dobrou, fraturou e transformou camadas rochosas em profundidade, sob calor e pressão. Os dois lados do golfo têm características diferentes, mas ambos favoreceram grandes acumulações.
No lado iraniano, a Cordilheira de Zagros se estende por cerca de 1,8 mil km, do Golfo de Omã até a fronteira com a Turquia.
A cadeia integra o sistema alpino-himalaio e tem rochas dobradas e fraturadas nos últimos 60 milhões de anos, após colisões da África, Arábia e Índia com a Eurásia.
Na costa arábica, esse dobramento intenso não ocorreu. Forças compressivas deformaram uma plataforma rígida de rocha basal, criando domos que ocupam dezenas ou centenas de quilômetros quadrados.
Sob o Golfo Pérsico há uma bacia cheia de sedimentos erodidos da elevação de Zagros. Nas partes profundas, temperaturas e pressões altas criaram condições para formar petróleo e gás.
Rochas orgânicas alimentam o petróleo do Golfo
O petróleo e o gás nascem de material orgânico marinho, como zooplâncton e fitoplâncton, acumulado em folhelhos e calcários. Com calor e pressão, esse material vira hidrocarbonetos.
Rochas com pelo menos 2% de material orgânico são consideradas boas geradoras. No Golfo Pérsico, muitas camadas têm essa característica, com espessura, abundância e riqueza orgânica.
Entre os exemplos estão as formações Hanifa e Tuwaiq, na costa arábica, formadas no Jurássico, entre 200 milhões e 145 milhões de anos atrás.
No Irã, a formação Kazhdumi surgiu no Cretáceo, entre 145 milhões e 66 milhões de anos atrás. Essas rochas têm entre 1% e 13% de conteúdo orgânico.
Domos e dobras aprisionam volumes gigantes
Rochas dobradas, fraturadas e em forma de domo facilitam o aprisionamento de hidrocarbonetos. As dobras de Zagros, visíveis em imagens de satélite, armazenam centenas de bilhões de barris e grandes volumes de gás.
Mapas de petróleo e gás mostram campos alongados, parecidos com salsichas, no sentido noroeste-sudeste. Eles refletem estruturas dobradas e reúnem centenas de jazidas do sul do Irã ao nordeste do Iraque.
Na placa arábica, os domos originaram acumulações ainda mais vastas. O campo de Ghawar, na Arábia Saudita, é o maior do mundo e pode produzir mais de 70 bilhões de barris.
O South Pars-North Dome, compartilhado por Irã e Catar, pode produzir ao menos 46 trilhões de metros cúbicos de gás, energia equivalente a mais de 200 bilhões de barris de petróleo.
Os calcários estão entre os principais reservatórios. Em algumas partes, foram parcialmente dissolvidos, facilitando o fluxo de petróleo e gás. Em Zagros, fluidos escoam por fraturas e falhas.
O Arab-D, em Ghawar, e o calcário de Asmari, em campos de Zagros, têm rochas de alta qualidade que se estendem por centenas a milhares de quilômetros quadrados.
Reservas ainda podem crescer
A combinação desses fatores concentra cerca de metade das reservas convencionais de petróleo do mundo e 40% do gás em apenas 3% da superfície terrestre.
Mesmo depois de mais de um século de perfuração e prdução, avaliações do Serviço Geológico dos EUA indicam que ainda existem grandes jazidas a descobrir na região.
Em relatório de 2012 sobre a Península Arábica e Zagros, a agência estimou até 86 bilhões de barris de petróleo e 9,5 trilhões de metros cúbicos de gás ainda nas rochas.
Novos volumes também poderiam vir de perfuração horizontal e fracking, técnicas desenvolvidas nos Estados Unidos nas décadas de 2000 e 2010.
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos vêm testando esses métodos em seus campos. Ainda é cedo para medir o sucesso, mas estudos indicam possibilidade de ampliar ainda mais a produção.
Com informações de Época Negócios.

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