Perfuração autônoma petróleo com IA: a Nabors Industries quer reduzir de 20 para 5 o número de trabalhadores por poço usando sondas robotizadas, enquanto sistemas como o InteliAutomate já enviam comandos diretos às sondas sem intervenção humana e robôs-cães patrulham refinarias e plataformas offshore
A perfuração autônoma petróleo deixou de ser promessa de futuro e virou realidade operacional em campos ao redor do mundo. A Nabors Industries, maior empresa de perfuração onshore do planeta, anunciou planos para reduzir de 20 para apenas 5 o número de trabalhadores em cada poço usando sondas automatizadas com inteligência artificial. Além disso, o consórcio Inteliwell — formado por Transocean, Intelilift (subsidiária da Nekkar) e Viasat — já desenvolveu sistemas que automatizam a construção inteira de um poço, desde o planejamento até a execução.
Ao mesmo tempo, robôs quadrúpedes da Boston Dynamics já patrulham refinarias e plataformas, enquanto veículos submarinos autônomos inspecionam dutos no fundo do oceano. Portanto, o setor de petróleo e gás vive uma transformação silenciosa que pode eliminar milhares de postos de trabalho e, ao mesmo tempo, tornar as operações mais seguras e eficientes do que nunca.
A maior perfuradora do mundo aposta na perfuração autônoma petróleo para cortar 75%% da equipe
A Nabors Industries revelou à Bloomberg que pretende diminuir de 20 para 5 os trabalhadores em cada poço utilizando sondas de perfuração automatizadas. Dessa forma, a redução de 75%% na equipe representa uma economia potencial de bilhões de dólares em salários só nos Estados Unidos.
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O Iron Roughneck, robô desenvolvido pela National Oilwell Varco, já automatiza a conexão de segmentos de tubulação nas sondas. Essa tarefa, antes executada por três profissionais em condições de alto risco, agora precisa de apenas duas pessoas. Assim, a máquina assume o trabalho mais perigoso da operação.

Ahmed Hashmi, diretor de tecnologia de exploração e extração da BP, descreveu uma visão ainda mais ampla. Segundo ele, “não se trata apenas de automatizar a plataforma, mas de automatizar tudo o que vem antes dela”. Dessa forma, Hashmi prevê que um engenheiro poderá projetar um poço de petróleo em sua mesa de escritório e, ao apertar um botão, um sistema automatizado identificará o equipamento necessário, criará um modelo 3D e enviará instruções para construí-lo em campo.
O sistema que já manda instruções diretas para as sondas sem nenhum operador
O consórcio Inteliwell, formado por Transocean, Intelilift e Viasat, desenvolveu três sistemas integrados de perfuração autônoma petróleo que funcionam em conjunto. O InteliPlan cria programas automatizados de construção de poços. Por sua vez, o InteliAutomate envia instruções diretamente aos controladores dos equipamentos da sonda. Já o InteliAssist monitora parâmetros em tempo real e executa simulações de engenharia.
- InteliPlan: gera programas de construção automatizados e legíveis por humanos
- InteliAutomate: envia comandos do programa direto para os controladores da sonda
- InteliAssist: monitora parâmetros e roda simulações em tempo real
A Intelie, parte da Viasat desde a aquisição da RigNet em 2021, contribui com experiência operacional em IA e análise de dados em tempo real. Consequentemente, o sistema é aplicável em todas as categorias de sondas, tanto onshore quanto offshore. Essa tecnologia segue a tendência das petroleiras de investir bilhões em inovação, impulsionadas por regulamentações que exigem aplicação de recursos em pesquisa e desenvolvimento.
Robôs-cães e veículos submarinos já operam em plataformas e refinarias

A inteligência artificial não atua apenas na perfuração. Robôs Spot, da Boston Dynamics, já realizam inspeção rotineira, trabalho de segurança e coleta de dados em refinarias, sítios de perfuração e plataformas offshore. Esses robôs quadrúpedes percorrem áreas de risco sem expor nenhum trabalhador, registrando imagens e dados de sensores que alimentam sistemas preditivos.
Além disso, pesquisadores da Universidade de Houston desenvolveram ROVs equipados com câmeras de vídeo e sensores SmartTouch para inspeção autônoma de dutos submarinos. Dessa maneira, esses veículos utilizam sonares de varredura para detectar falhas em oleodutos no fundo do mar, substituindo mergulhadores em tarefas de alto risco.
A profissão de sondador offshore, que hoje opera perfuração sob pressão constante, pode ser profundamente transformada à medida que esses sistemas ganham escala.
Brasil já desenvolve robôs para o pré-sal em parceria com a Petrobras

O Brasil não está fora dessa corrida. O Projeto Annelida, desenvolvido pelo SENAI em parceria com a Petrobras, criou um robô projetado especificamente para desobstrução de dutos em operações de pré-sal. Consequentemente, o equipamento foi pensado para enfrentar as condições extremas encontradas a milhares de metros de profundidade nos campos do pré-sal brasileiro.
A perfuração autônoma petróleo no Brasil ganha relevância ainda maior quando se considera que o país é hoje o 7º maior produtor mundial, com 5,3 milhões de barris por dia. Portanto, cada ganho de eficiência por automação representa bilhões de reais em produtividade para a indústria nacional.
O que ainda falta para robôs dominarem completamente as sondas de petróleo
Apesar dos avanços significativos, a perfuração autônoma petróleo ainda enfrenta limitações importantes. Os sistemas atuais estão em estágio inicial de desenvolvimento e implantação. O Iron Roughneck é mais consolidado, com referência desde 2017, enquanto projetos com robôs Spot e sistemas submarinos seguem em fases de teste ou piloto.
Contudo, especialistas alertam que, mesmo quando um robô com IA supera o desempenho humano, os custos de hardware e de transição podem superar os ganhos de eficiência. Por outro lado, a indústria reconhece que operadores humanos continuarão sendo necessários por algum tempo. Dessa forma, a transição completa para sistemas totalmente autônomos deve levar anos, e não meses.
Por consequência, o cenário mais provável é uma coexistência gradual entre humanos e máquinas, onde trabalhadores migram de funções operacionais para supervisão e manutenção de sistemas autônomos. Ainda assim, o ritmo de adoção está acelerando, e profissionais do setor precisam se preparar para um mercado de trabalho radicalmente diferente nos próximos anos.

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