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2 comentários 6 min de leitura

Robôs constroem casas com argila retirada do próprio terreno e zero aço estrutural no Texas, as paredes são feitas de uma mistura milenar de adobe que emite 80% menos carbono que a construção convencional e o sistema opera 24 horas por dia sem precisar de mais do que duas pessoas

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 05/05/2026 às 16:04 Atualizado em 05/05/2026 às 16:08
Robôs constroem casas de adobe com argila do terreno e zero aço no Texas. A construção emite 80% menos carbono que o método convencional.
Robôs constroem casas de adobe com argila do terreno e zero aço no Texas. A construção emite 80% menos carbono que o método convencional.
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A startup Terran Robotics, com sede em Bloomington (Indiana), concluiu em abril de 2026 a primeira casa construída por robôs com adobe em Proto-Town, comunidade experimental próxima a Lockhart, no Texas. Segundo a emissora KXAN-TV, o sistema robótico Terry opera por cabos suspensos em quatro torres com inteligência artificial e usa mistura de argila, solo, água e palha extraída do próprio terreno, sem concreto, aço estrutural ou transporte de materiais. A casa cumpre a norma IRC Appendix U de construção em adobe e emite 80% menos carbono incorporado que uma construção convencional, segundo a empresa.

Robôs estão construindo casas com argila retirada do próprio terreno no centro do Texas, e o resultado é uma construção que dispensa aço estrutural, concreto e praticamente qualquer material transportado de fora. A Terran Robotics, startup norte-americana com sede em Bloomington, Indiana, concluiu em abril a primeira casa de adobe usando um sistema robótico autônomo chamado Terry, que opera 24 horas por dia com inteligência artificial e cabos suspensos em quatro torres posicionadas nos cantos da propriedade. O método emite 80% menos carbono incorporado do que a construção convencional.

A tecnologia mira um problema que os Estados Unidos não conseguem resolver com métodos tradicionais. Os custos de materiais de construção subiram 34% desde 2020, e a escassez de mão de obra no setor atinge 92%, segundo dados compilados pelo Tiny House Talk. Com robôs que operam com apenas duas pessoas de suporte e usam matéria-prima disponível em qualquer terreno, a Terran propõe uma alternativa que ataca simultaneamente o custo dos materiais, a falta de trabalhadores e as emissões de carbono da indústria da construção.

Como o robô Terry constrói uma casa de adobe

imagem ilustrativa

O sistema Terry funciona de forma diferente de qualquer impressora 3D de casas. Quatro torres são posicionadas nos cantos da propriedade, conectadas por cabos que sustentam o robô no ar, com dois motores por torre. O robô pega a argila com uma garra mecânica, transporta até o muro em construção e deposita o material no ponto exato. Depois troca de ferramenta: um martelo automático compacta a argila depositada, formando a parede de adobe camada por camada.

imagem 1: Um robô suspenso por cabos baixa um balde de argila enquanto constrói uma parede de adobe em um local de testes perto de Luling, no Texas. O sistema utiliza solo de origem local e ferramentas automatizadas para construir casas. (Crédito: Terran Robotics)

imagem 2: Um sistema da Terran Robotics coloca pedaços de argila sobre uma superfície de construção antes de moldá-los em paredes em um canteiro de obras no centro do Texas. O material é proveniente diretamente da propriedade. (Crédito: Terran Robotics)

Tudo é guiado por câmeras e aprendizagem por reforço (reinforcement learning), sistema de inteligência artificial que permite ao robô corrigir a posição automaticamente a cada depósito. Anastasia Nikoulina, engenheira de software da Terran Robotics, explicou à emissora KXAN-TV de Austin que o sistema “tenta replicar como um humano construiria uma casa de adobe”, mas com precisão milimétrica e capacidade de operar 24 horas sem descanso. O setup exige apenas duas pessoas e pode cobrir uma área do tamanho de um campo de futebol americano.

O que é adobe e por que 10% da população mundial ainda mora nele

Uma casa de adobe em construção em Proto-Town, perto de Luling, Texas, exibe grossas paredes de terra construídas com automação robótica. A Terran Robotics planeja ampliar a tecnologia para habitações populares. (Crédito: Eric Henrikson/KXAN)

O adobe é uma mistura milenar composta por aproximadamente 20% de argila, mais solo, água e palha, usada em construção há milhares de anos em regiões que vão da América Latina ao Oriente Médio. Cerca de 8 a 10% da população mundial ainda vive em casas de terra ou estruturas semelhantes, segundo dados citados pela Terran Robotics em entrevista à KXAN. O material regula umidade e temperatura naturalmente, é resistente ao fogo, antimofo e funciona como isolante acústico.

video: Kxan

A grande vantagem do adobe em um contexto moderno é que a matéria-prima está em qualquer lugar. A cadeia de suprimentos da Terran é o próprio solo do terreno, eliminando custos de transporte, intermediários e dependência de materiais industrializados como concreto e aço. Em vez de trazer toneladas de materiais de fábricas distantes, o robô extrai o que precisa de baixo dos próprios pés. A empresa descreve isso como “zero milhas de transporte de material”.

Os números que mostram a vantagem ambiental e econômica

As métricas da Terran Robotics posicionam a construção com robôs e adobe em patamar que a indústria convencional não consegue igualar em sustentabilidade. Cada casa emite 80% menos carbono incorporado do que uma construção equivalente com materiais tradicionais, e a eliminação total de aço estrutural remove da equação um dos insumos mais intensivos em energia e emissões da indústria pesada.

A casa concluída em Proto-Town cumpre a norma IRC Appendix U, regulamentação do código internacional de construção para estruturas de Cob Construction (Adobe Monolítico), o que significa que o produto atende requisitos legais de habitação nos Estados Unidos. O tempo de construção é de 5 a 7 dias por unidade, e cada operador pode ficar até 3 dias fora do canteiro enquanto os robôs continuam trabalhando autonomamente. Para uma indústria que enfrenta escassez de 92% de mão de obra, a autonomia é argumento decisivo.

A primeira casa e o que a Terran planeja construir agora

A primeira casa em Proto-Town é versão híbrida: duas paredes são de adobe construídas pelo robô e dois lados são estrutura de madeira convencional, modelo escolhido para validar a tecnologia antes de avançar para construções inteiramente de terra. A próxima versão será 100% adobe, eliminando completamente a madeira da estrutura. A Terran planeja construir mais de 20 unidades em Proto-Town ao longo do próximo ano.

A expansão vai além do Texas. A empresa planeja levar a tecnologia para ADUs (Accessory Dwelling Units, ou moradias acessórias) e pocket neighborhoods em Indiana, modelo habitacional que coloca pequenas casas em torno de espaços comunitários compartilhados. Para viabilizar a escala, a Terran conta com financiamento da National Science Foundation (NSF), Elevate Ventures e Flywheel Fund, além de parcerias técnicas com a Autodesk (gigante de software de engenharia) e a ARUP (firma global de engenharia que projetou a Ópera de Sydney).

O que a construção com robôs e adobe pode ensinar ao Brasil

O Brasil tem tradição centenária em construção com terra: a taipa de pilão é técnica colonial que ainda aparece em cidades históricas de Minas Gerais, Goiás e São Paulo. A diferença entre a taipa colonial e o que a Terran Robotics faz é a automação: onde antes era necessário exército de trabalhadores compactando terra por semanas, agora um robô com IA faz sozinho em dias, com precisão e escala que o trabalho manual não alcança.

Para um país que enfrenta déficit habitacional de milhões de unidades e onde o custo do aço, do cimento e do transporte de materiais corrói o orçamento de programas como Minha Casa Minha Vida, a possibilidade de construir com o solo do próprio terreno usando robôs autônomos não é ficção científica: é alternativa técnica que a indústria da construção terá que considerar conforme a pressão por descarbonização aumenta e os materiais convencionais se tornam cada vez mais caros.

Você moraria em uma casa de adobe construída por robôs ou acha que o material é frágil demais para ser levado a sério? Conte nos comentários se conhece construções de terra no Brasil e o que pensa sobre usar inteligência artificial para resolver a crise habitacional.

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Lázaro Marcelo Gomes
Lázaro Marcelo Gomes
06/05/2026 07:47

Que genial, velhos tempos de volta! Eu já morei vários anos em casa de Adobe nos anos de 1970 e até mesmo em rancho de **** a piqui coberto de filhas de babaçu; claro que pra maioria estas casas são coisas do outro mundo! Mais sim, é caídas do passado que agora está de volta em altas tecnologias e com esta falta de moradia está é a solução definitiva; pode construir uma casa para mim que em aceito de coração ❤️ e bem vindo de volta ao futuro…

billgates
billgates
Em resposta a  Lázaro Marcelo Gomes
06/05/2026 11:17

vai estudar escrever certo

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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