ANTT detalha pacote de R$ 10,78 bilhões na BR-163 e na BR-230, com 245,8 km de duplicações, 118,23 km de faixas adicionais e 34,48 km de acessos aos portos do Pará antes da disputa na B3, em São Paulo.
Um pacote de R$ 10,78 bilhões em investimentos poderá mudar o traçado e a capacidade de um dos corredores rodoviários mais movimentados pelo transporte de grãos do Brasil. A proposta inclui 245,80 quilômetros de duplicações, novos espaços para ultrapassagens e acessos a terminais portuários que recebem cargas vindas do Centro-Oeste.
O detalhamento foi divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) nesta sexta-feira, 6 de novembro. A agência especificou a extensão das intervenções previstas nas rodovias BR-163, em Mato Grosso e no Pará, e BR-230, no Pará, às vésperas de um processo competitivo que poderá trocar o comando da concessionária Via Brasil BR-163.
O programa integra um contrato reestruturado para o período de 2027 a 2046. As cifras descrevem obras e obrigações planejadas para as próximas duas décadas; a disputa marcada para 12 de novembro ainda precisa ocorrer, e a execução dependerá das condições contratuais e do cronograma de cada intervenção.
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Quase 246 quilômetros de duplicações e mais 118 quilômetros de faixas adicionais entram no plano
Segundo a informação divulgada pela ANTT, estão previstas 245,80 km de duplicações e 118,23 km de faixas adicionais. A primeira intervenção amplia uma rodovia de pista simples para duas pistas separadas; a segunda cria espaço extra de circulação em segmentos determinados.
O projeto reserva ainda 30,64 km de vias marginais, destinadas a organizar deslocamentos locais e reduzir a mistura entre o tráfego urbano e os veículos que percorrem longas distâncias. Para caminhoneiros, as intervenções poderão criar trechos mais seguros para ultrapassagem e reduzir retenções em pontos de maior movimento.
O pacote inclui melhorias em cruzamentos, correções de traçado, passarelas para pedestres, pontos de ônibus e passagens para animais. Também estão previstas intervenções em pontes, viadutos e outras estruturas especiais. A distribuição das obras depende do programa de exploração rodoviária e de seus cronogramas técnicos.
Novos acessos no Pará somam 34,48 km e miram terminais que recebem a safra
Além das pistas principais, a ANTT detalhou 34,48 quilômetros de acessos portuários no Pará. São 14,75 km até o Porto de Itapacurá, associados à BR-230, e 19,73 km até o Porto de Santarenzinho, ligados à BR-163. Os dois trechos fazem parte das melhorias previstas para a circulação de cargas rumo à região do Rio Tapajós.
Essas conexões são importantes porque a BR-163 funciona como rota de saída de produtos agrícolas de Mato Grosso para os terminais do Arco Norte. Caminhões atravessam grandes distâncias até os pontos onde a carga segue por embarcações, e acessos inadequados podem formar filas próximas às comunidades e aos pátios de transbordo.
Há trabalhos portuários que já estavam em execução antes do novo leilão. Em comunicado publicado em outubro, a Via Brasil informou que o novo acesso às estações de transbordo em Miritituba havia atingido 50% de execução, com investimento aproximado de R$ 80 milhões.
Nessa obra, a concessionária relatou a mobilização de 179 profissionais e 80 equipamentos, além de previsão de entrega em novembro. A intervenção de Miritituba foi apresentada separadamente dos novos acessos de Itapacurá e Santarenzinho; os prazos e as extensões de um projeto são próprios de cada obra.

Contrato de 20 anos reúne obras de R$ 10,78 bilhões e custos operacionais de R$ 3,67 bilhões
O eixo rodoviário sob responsabilidade da Via Brasil reúne aproximadamente 1.009 quilômetros entre a região de Sinop, em Mato Grosso, e Miritituba, no Pará. O trecho passa por partes da BR-163/MT, da BR-163/PA e da BR-230/PA, conectando áreas produtoras, cidades e terminais logísticos.
No modelo apresentado pela ANTT em 6 de novembro, os R$ 10,78 bilhões são classificados como investimentos de capital, conhecidos como CAPEX. Outra parcela, de R$ 3,67 bilhões, corresponde a custos operacionais, ou OPEX, relacionados à manutenção da prestação de serviços ao longo do contrato.
Essas categorias de gasto têm finalidades diferentes. O investimento cobre ampliações e melhorias da infraestrutura, enquanto os custos operacionais incluem atividades necessárias para manter a rodovia em funcionamento. Os valores são projeções para o ciclo contratual, sem representar recursos integralmente desembolsados neste momento.
Na Serra do Cachimbo, obras já exigiram retirada de 43,5 mil metros cúbicos de rocha
As dificuldades de construir nessa região aparecem em intervenções recentes. Em outubro, a Via Brasil anunciou a conclusão de três correções de traçado na Serra do Cachimbo, em Guarantã do Norte, no norte de Mato Grosso. As entregas ocorreram nos quilômetros 1.102, 1.103 e 1.109.
Para executar essas correções, as equipes removeram mais de 43,5 mil metros cúbicos de rocha e escavaram cerca de 8 mil metros cúbicos de terra. O serviço consumiu aproximadamente 3 mil toneladas de concreto e recebeu 9,5 mil metros quadrados de revestimento asfáltico, segundo a concessionária.
O trabalho foi feito para suavizar curvas, melhorar a visibilidade dos motoristas e reorganizar a geometria das pistas em área de relevo complexo. Esses resultados pertencem às intervenções concluídas em 2026 e ajudam a dimensionar o tipo de obra envolvido nas melhorias rodoviárias, sem antecipar o andamento das novas duplicações previstas.
Previsão frustrada para a Ferrogrão levou à revisão de uma concessão assinada em 2022
A Via Brasil assumiu a concessão em 2022, quando o contrato foi estruturado para um período de transição. A modelagem considerava que a ferrovia Ferrogrão entraria em operação ainda nesta década e absorveria uma parcela relevante das cargas transportadas pela rodovia.
Com o atraso do projeto ferroviário, o movimento de caminhões permaneceu concentrado na BR-163 e superou as estimativas usadas originalmente. A situação levou a uma revisão econômico-financeira acompanhada pelo Tribunal de Contas da União, com ampliação do prazo contratual e previsão de mais intervenções.
O novo planejamento considera 20 anos de concessão, de 2027 a 2046. A fiscalização continuará nas mãos da ANTT, que deverá acompanhar a qualidade dos serviços, os investimentos e o cumprimento das obrigações, independentemente de quem controle a empresa.
Disputa na B3 poderá mudar o controlador, mas a atual empresa também pode vencer
O processo competitivo nº 02/2026 prevê a venda de 100% das ações da concessionária, não da rodovia, que permanece pública. A sessão está marcada para 12 de novembro, às 14h, na B3, em São Paulo. O vencedor será definido pelo maior desconto sobre a tarifa básica de pedágio, observadas as regras do edital.
As propostas e garantias deverão ser entregues em 9 de novembro. A controladora atual poderá concorrer e continuar responsável pela concessão caso vença. Em comunicado de 3 de novembro, a ANTT informou não ter identificado, em uma condição específica de cumprimento físico, impedimento para sua participação.
O modelo também prevê desconto básico para pagamento eletrônico por tag e benefício para usuários frequentes de veículos leves, conforme os critérios contratuais. A ANTT seguirá responsável por fiscalizar a concessionária durante a eventual transição e depois da assinatura dos aditivos necessários.
Para os motoristas e o transporte de cargas, vêm pela frente duplicações, faixas de ultrapassagem, marginais e acessos portuários distribuídos pelo corredor. A próxima definição será de quem assumirá as obrigações financeiras e técnicas do contrato de 20 anos. Quem trafega pela BR-163 pode contar nos comentários quais pontos mais precisam dessas melhorias.
