Nova técnica preserva corações após morte circulatória sem reanimação nem máquinas caras, resolvendo dilemas éticos e ampliando a oferta de órgãos
Uma nova técnica pode mudar completamente os transplantes de coração. Pela primeira vez, cientistas conseguiram preservar corações de doadores após morte circulatória (DCD) sem reanimar o órgão ou usar máquinas caras. O feito foi realizado pela equipe da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos.
Transplantes de corações DCD sempre foram um desafio. Os métodos disponíveis esbarravam em altos custos ou em questões éticas.
Em alguns países, é proibido reanimar o coração dentro do corpo do doador. Já os sistemas de perfusão extracorpórea, que simulam o funcionamento do coração fora do corpo, são caros e inacessíveis em muitos lugares.
-
Estônia ergue bunkers, trincheiras e “dentes de dragão” na fronteira com a Rússia para transformar florestas e campos em linha de defesa da Otan, atrasar blindados em uma eventual ofensiva e mostrar que o Báltico não quer ser pego despreparado
-
Com 670 toneladas, 25 metros de comprimento e rotação de 360 graus, a máquina médica gigante de Heidelberg gira ao redor do paciente para atacar tumores difíceis com feixes de íons sem abrir o corpo
-
Cratera de 3 bilhões de anos pode ser a mais antiga já conhecida da Terra, e minerais minúsculos ajudaram cientistas a resolver uma dúvida que atravessava bilhões de anos da história do planeta
-
Cratera gigante causada pelo impacto de um asteroide na Austrália revela possível “chuva de ouro” há 790 mil anos
Uma nova alternativa
Diante disso, os pesquisadores da Vanderbilt criaram uma nova alternativa. A técnica, chamada de REUP — sigla para recuperação rápida com preservação ultraoxigenada prolongada —, propõe uma abordagem diferente.
Em vez de tentar fazer o coração voltar a bater, o REUP utiliza uma solução fria e rica em oxigênio para preservar o órgão logo após a morte.
O procedimento é mais simples, mais barato e evita dilemas éticos. “É algo que nunca foi feito com sucesso no campo do transplante cardíaco”, afirmou o Dr. Aaron Williams, principal autor do estudo.
Ele acredita que o método pode ser adotado em todo o mundo e transformar a forma como os transplantes são realizados.
Desde novembro de 2024, a equipe da Vanderbilt já utilizou o REUP em 20 transplantes bem-sucedidos. Os resultados, segundo os pesquisadores, estão dentro dos padrões já praticados atualmente.
O novo método resolve dois dos maiores entraves aos transplantes DCD: o custo das máquinas e os problemas éticos da reanimação. Isso pode liberar centenas de corações viáveis por ano, especialmente em locais com poucos recursos.
Segundo Williams, a ideia surgiu a partir das limitações dos dois métodos tradicionais. “Todos nós já pensamos nessas questões há algum tempo. Como equipe, criamos esta solução de preservação cardíaca que ajuda a ressuscitar e proteger corações com DCD para que possam ser usados para transplante”, explicou.
O funcionamento do REUP é direto. A solução fria, composta por hemácias concentradas, cardioplegia del Nido e outros aditivos, é liberada no coração do doador logo após a morte.
Isso impede a deterioração celular, reduz a inflamação e mantém o tecido viável sem que o órgão volte a bater.
Com essa técnica, os corações podem permanecer em boas condições por até oito horas. Isso representa uma vantagem em relação aos métodos anteriores, que exigiam prazos muito curtos para o transporte e o uso do órgão.
Antes, muitos corações DCD eram descartados por conta das condições frágeis ou pela distância até o hospital receptor.
Antes de 2020, a própria Vanderbilt só aceitava doadores com morte cerebral. Agora, o centro se destaca como referência em transplantes DCD. O REUP é a inovação mais recente nesse caminho.
No futuro, os cientistas esperam adaptar a técnica para outros órgãos, como fígados, rins e pulmões. Há também a expectativa de uso em transplantes pediátricos.
A descoberta representa um avanço promissor no campo da medicina de transplantes.
Com informações de Interesting Engineering.
