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Retomada das obras da usina nuclear de Angra 3 irá refletir no bolso do consumidor.

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 23/11/2018 às 09:33 Atualizado em 24/11/2018 às 13:58

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ANGRA 3
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Estudos feitos pela consultoria PSR sobre Angra 3, analisaram o impacto de diferentes fontes sobre a conta de luz ao longo de 35 anos e chegaram à conclusão que a retomada das obras da usina nuclear de Angra 3 sairá mais cara para o consumidor do que abandonar o projeto

O governo aprofundou nos últimos meses os estudos para a retomada de Angra 3, para que o edital da licitação que vai escolher um parceiro para o empreendimento possa ser lançado no ano que vem. As premissas do edital e o tipo de licitação serão definidos por um grupo de trabalho vinculado ao Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos. O primeiro passo para tornar o empreendimento atrativo aos investidores foi dado no dia 9 de outubro, quando o Conselho Nacional de Política Energética aprovou preço de referência de R$ 480,00/MWh para a energia da usina. A preço de Angra 3 estava na faixa de R$ 240/MWh. O aumento de tarifa da usina nuclear de Angra 3 foi considerado positivo para o crédito da Eletrobras, segundo a agência de risco Moody’s. O governo espera, porém, que o valor possa ser reduzido em uma licitação para definir o parceiro.

Prós e Contras

Finalizar a obra custaria cerca de R$ 17 bilhões, abandoná-la, R$ 12 bilhões —considerando os custos para quitar empréstimos, desmontar a estrutura, ressarcir contratos rompidos e pagar dívidas. Para retomar as obras, que estão paralisadas por alvo da Operação Lava Jato, o projeto precisa de cerca de R$ 15,5 bilhões em investimentos. O TCU (Tribunal de Contas da União)ficou preocupado com os custos e abriu uma auditoria para analisar os critérios de retomada das obras e seus efeitos sobre os custos finais. A previsão é que essa análise seja concluída em março de 2019.

“Essa ação eleva o crédito da Eletrobras porque vai elevar o fluxo de geração de caixa a partir dessa nova usina nuclear, além de dar um incentivo maior à Eletrobras para completar a construção”, diz o relatório da agência. Os defensores do projeto, alega que a diferença tornaria o custo-benefício favorável à conclusão, em contrapartida os custos irão refletir no bolso do consumidor.

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr, comentou que 63% da usina estão prontos e que a nova tarifa abre a perspectiva de aporte de recursos por um parceiro, que não existia com a tarifa anterior. “Agora, com essa tarifa de R$ 480, você consegue alguém que possa colocar dinheiro e ver perspectiva de retorno do investimento. E, óbvio que, do outro lado, gente disposta a financiar. Não é só capital próprio, não é só equity”, disse o executivo.

“A tarifa mais alta também tem potencial de criar uma solução de longo prazo para os passivos de Angra 3. A Eletronuclear tem negociado com credores como o BNDES, a Caixa Econômica Federal, para adiar o cronograma original de pagamentos das amortizações da dívida, já que a geração de caixa foi adiada”, afirma ainda a Moody’s. A ideia é incluir a usina no programa de concessões do governo federal e buscar parceiros para concluir a obra. A Eletronuclear, estatal responsável pelo setor, já assinou parcerias com empresas da China, da França e da Rússia para estudar o projeto.

Investir ou abandonar?

E agora, abandonar Angra 3? – ou seja, jogar no lixo as dezenas de bilhões de reais já gastos na obra – e iniciar usinas de energia solar, trazendo um cálculo sobre o preço de energia. Os investimentos em energia solar são ótimos, pena que o país como o nosso não aproveite melhor esta energia disponibilizada gratuitamente pela natureza, porém o sol é uma fonte intermitente, porque nem sempre faz sol, e não tem, nem de longe, o vigor suficiente para sustentar setores que precisam de energia intensiva, como indústrias. Portanto, uma coisa é investir em energia solar; outra é torrar R$ 12 bilhões para “abandonar” Angra 3.

Angra 3 tem capacidade de 1.405 MW (megawatts). É terceira do primeiro programa nuclear brasileiro, iniciado na década de 1970 – as outras duas estão em operação.

As obras de Angra 3 foram paralisadas em 2015 após divergências entre os consórcios responsáveis pela construção e a Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras responsável pela operação do parque nuclear brasileiro. Na época, as empresas já eram investigadas pela Operação Lava Jato, que levou à prisão em 2016 o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, condenado a 43 anos por corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e associação criminosa.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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