Nasa usou relógio com tecnologia da USP para acompanhar sono, atividade e exposição à luz dos astronautas da Artemis II, em uma das missões mais simbólicas da nova corrida lunar.
A Nasa levou para a Artemis II uma tecnologia que nasceu na USP e acabou no pulso dos astronautas em uma missão histórica ao redor da Lua. O relógio, um actígrafo desenvolvido a partir de pesquisas conduzidas na EACH sob coordenação do professor Mario Pedrazzoli, monitora padrões de sono, atividade e exposição à luz, exatamente o tipo de dado que ganha peso máximo quando cada hora de voo pode mexer com desempenho, atenção e segurança da tripulação.
A própria NASA diz que os astronautas da Artemis II usaram um actígrafo (objeto semelhante a um relógio) antes, durante e depois da missão.
Nasa colocou o relógio da USP onde o corpo humano é mais testado
A Artemis II não foi uma viagem qualquer. Segundo a NASA, a missão foi o primeiro voo tripulado do programa Artemis, durou 9 dias, 1 hora e 32 minutos, foi lançada em 1º de abril de 2026 e retornou em 10 de abril, levando humanos ao entorno da Lua pela primeira vez em mais de 50 anos.
-
Um gás raro corta pelas fontes termais na Zâmbia e revela uma falha profunda que pode atravessar a crosta até o manto terrestre
-
Esqueça a imagem de continente congelado e parado: cientistas acabam de revelar centenas de terremotos sob a Antártida Oriental, em uma área onde ninguém esperava encontrar esse fenômeno
-
Huawei vai colocar baterias chinesas em 24 cidades da Amazônia, em projeto de R$ 850 milhões que pode virar o maior sistema de armazenamento de energia do Brasil
-
China liga à rede elétrica a maior estação de armazenamento com baterias ultragrandes já construída no mundo e fecha contrato bilionário que consolida uma tecnologia capaz de sustentar cidades inteiras com energia limpa
Em um ambiente desses, monitorar sono e ritmos biológicos deixa de ser detalhe e passa a ser peça de sobrevivência operacional.
No estudo ARCHeR, a NASA afirma que os actígrafos acompanham bem-estar, atividade, padrões de sono e interações da tripulação, com coleta de dados também durante a missão.
A agência diz ainda que esses monitores ajudam os próprios astronautas e os controladores em solo a observar informações de saúde e comportamento em tempo real, com impacto direto na segurança da missão e na compreensão de como o sono e a atividade afetam a performance em espaço profundo.
O relógio da USP não nasceu para ser gadget
O equipamento usado pelos astronautas da Artemis II tem um perfil bem diferente do relógio comum vendido como acessório de bem-estar.
A EACH informa que o dispositivo foi criado com foco científico e registra de forma contínua movimento, sono, intensidade luminosa e até a composição espectral da luz ambiente, incluindo luz azul, uma variável decisiva para o ciclo sono-vigília.
A Condor Instruments, empresa que aprimorou e passou a produzir a tecnologia, descreve esse tipo de actígrafo como um aparelho de pesquisa com acelerômetro e sensores de luz e temperatura, desenhado para coleta contínua de dados por longos períodos.
Da USP ao espaço, a rota do relógio passou por pesquisa pesada
A origem dessa tecnologia está em pesquisas conduzidas na USP e financiadas em sua fase inicial pelo Programa PIPE da FAPESP, antes de o dispositivo ganhar escala com a Condor Instruments.
O trabalho liderado por Mario Pedrazzoli faz parte de uma linha de pesquisa consolidada em cronobiologia e sono dentro da universidade, área em que o pesquisador acumula produção científica ligada a actigrafia, ritmos circadianos e marcadores fisiológicos do sono.
O salto para a Artemis II transformou esse percurso acadêmico em vitrine global para a ciência brasileira.
Astronautas da Artemis II deram ao relógio da USP o palco que pouca tecnologia brasileira alcança
Quando uma tecnologia brasileira entra na rotina de uma missão da Nasa, o peso vai muito além da curiosidade.
O relógio ligado à USP passou a operar dentro de um programa criado para preparar o retorno humano ao espaço profundo e abrir caminho para futuras viagens à Lua e a Marte.
A NASA afirma que os resultados do ARCHeR servirão para desenvolver protocolos, intervenções e tecnologias capazes de ajudar humanos a viver e trabalhar melhor em missões cada vez mais longas e mais distantes.
Para a USP, esse uso internacional virou a prova mais visível de que pesquisa pública feita no Brasil também consegue chegar aos ambientes mais extremos do planeta — e fora dele.
Comente: você imaginava que um relógio nascido na USP estaria no pulso dos astronautas da Artemis II em uma missão da Nasa? Compartilhe este artigo com quem acompanha ciência, espaço e tecnologia brasileira.


Seja o primeiro a reagir!