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Reino Unido coloca no ar o novo avião-radar E-7 Wedgetail, baseado no Boeing 737 e equipado com radar de 360° para vigiar o céu a longa distância

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 26/03/2026 às 23:05
Atualizado em 27/03/2026 às 23:48
Assista o vídeoReino Unido testa o E-7 Wedgetail, avião-radar baseado no Boeing 737 com vigilância 360° e foco em comando e controle aéreo.
Reino Unido testa o E-7 Wedgetail, avião-radar baseado no Boeing 737 com vigilância 360° e foco em comando e controle aéreo.
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Plataforma militar recoloca no centro da defesa britânica uma capacidade estratégica de vigilância aérea, comando em tempo real e integração com aliados, enquanto testes, infraestrutura e conversões avançam para preparar a entrada em serviço do E-7 Wedgetail na Royal Air Force.

O Reino Unido avançou na introdução do E-7 Wedgetail AEW Mk1, avião-radar desenvolvido para ampliar a vigilância aérea e coordenar operações em tempo real.

Baseado no Boeing 737 Next Generation, o modelo realizou seu primeiro voo de testes em território britânico a partir de Birmingham, etapa considerada decisiva pela Royal Air Force e pela Boeing antes da entrada em serviço da nova capacidade.

A aeronave chega para preencher uma lacuna relevante na defesa britânica desde a retirada do E-3D Sentry, antigo sistema de alerta aéreo antecipado da RAF.

Diferentemente de caças ou bombardeiros, o Wedgetail atua como centro aéreo de vigilância, comando e controle, reunindo informações do espaço aéreo e da superfície para apoiar decisões de combate, missões conjuntas e integração com forças aliadas.

E-7 Wedgetail amplia vigilância aérea da RAF

Reino Unido testa o E-7 Wedgetail, avião-radar baseado no Boeing 737 com vigilância 360° e foco em comando e controle aéreo.
Reino Unido testa o E-7 Wedgetail, avião-radar baseado no Boeing 737 com vigilância 360° e foco em comando e controle aéreo.

O principal diferencial do E-7 está no sensor instalado sobre a fuselagem.

Em vez do tradicional radar rotativo visto em gerações anteriores de aeronaves AWACS, o Wedgetail usa o MESA, sigla em inglês para Multi-role Electronically Scanned Array, desenvolvido pela Northrop Grumman e montado em uma estrutura fixa na parte superior do avião.

Segundo a RAF, a Boeing e a própria fabricante do sensor, o sistema oferece cobertura de 360 graus e mantém vigilância contínua em ambientes complexos.

Na prática, isso permite acompanhar simultaneamente alvos aéreos e marítimos, além de distribuir dados em tempo real para outras aeronaves, navios e centros de comando.

A RAF informa que o Wedgetail consegue rastrear centenas de contatos ao mesmo tempo, condição essencial para operações em cenários contestados, nos quais a identificação rápida de ameaças pode definir a resposta de toda a força.

Boeing 737 serve de base para missão de alerta aéreo

A escolha do Boeing 737 NG como plataforma também ajuda a explicar o peso estratégico do programa.

Como a aeronave deriva de uma família produzida em grande escala, a base logística já existente tende a facilitar manutenção, peças de reposição e suporte técnico.

De acordo com a Boeing, o E-7 pode cobrir mais de 4 milhões de quilômetros quadrados em uma missão padrão e permanecer em voo por mais de 10 horas, com possibilidade de ampliar a permanência com reabastecimento em voo.

Esse arranjo transforma o avião em um nó avançado de gerenciamento de batalha.

Em vez de apenas “ver mais longe”, o Wedgetail foi desenhado para organizar a atuação de caças, aeronaves de reabastecimento, meios de inteligência e outras plataformas conectadas à operação.

Reino Unido testa o E-7 Wedgetail, avião-radar baseado no Boeing 737 com vigilância 360° e foco em comando e controle aéreo.
Reino Unido testa o E-7 Wedgetail, avião-radar baseado no Boeing 737 com vigilância 360° e foco em comando e controle aéreo.

A capacidade de reunir, processar e redistribuir informações é justamente o que faz desse tipo de vetor uma peça central da guerra aérea contemporânea.

Conversão em Birmingham acelera entrada do novo avião-radar

No caso britânico, três aeronaves estão sendo convertidas no Reino Unido por equipes baseadas em Birmingham.

A Boeing informou que mais de 100 profissionais trabalham na modificação dos 737 NG destinados à RAF, num processo que inclui reforços estruturais, integração do sensor MESA e adaptação dos sistemas de missão.

O primeiro exemplar britânico completou seu voo funcional de verificação ainda nessa fase de testes e avaliação.

Antes mesmo dessa etapa, a RAF já havia anunciado a instalação do primeiro radar MESA em uma das células em conversão, ressaltando a complexidade técnica da modificação.

O sensor é montado sobre uma seção da fuselagem reforçada para receber o conjunto dorsal, ponto que distingue o Wedgetail de um 737 comercial convencional e exige engenharia pesada ao longo de toda a adaptação da aeronave.

RAF Lossiemouth recebe estrutura para operar o Wedgetail

Enquanto os aviões passam por integração e testes, a infraestrutura em solo também vem sendo preparada.

Em RAF Lossiemouth, na Escócia, foi aberta uma instalação dedicada à manutenção do Wedgetail ao lado das estruturas já utilizadas pela frota de P-8 Poseidon.

A base será o futuro centro operacional do modelo, que ficará com o No. 8 Squadron, unidade tradicionalmente ligada às missões de alerta aéreo antecipado da força britânica.

Empregos e fornecedores entram no radar do programa britânico

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O programa ganhou dimensão também fora do ambiente estritamente militar.

Dados oficiais do governo britânico e da Boeing indicam que a iniciativa sustenta 190 empregos altamente qualificados no país, sendo 130 em Birmingham, além de envolver dezenas de fornecedores locais.

Esse efeito industrial ajuda a explicar por que o Wedgetail vem sendo tratado em Londres não apenas como aquisição de defesa, mas como projeto de base tecnológica e logística de longo prazo.

A convergência com a frota de Poseidon reforça esse raciocínio.

Como os dois programas usam a mesma família de fuselagem, a RAF tende a aproveitar sinergias em manutenção, treinamento e apoio operacional em Lossiemouth.

Ainda assim, o Wedgetail não é apenas uma adaptação de plataforma conhecida: seu valor está no pacote de sensores, comunicações e gerenciamento de batalha que o transforma em centro aéreo de coordenação.

Cooperação internacional reforça peso estratégico do E-7

O E-7 deixou há tempos de ser visto apenas como uma solução australiana ou britânica.

A RAF participa de um acordo trilateral com a Royal Australian Air Force e a Força Aérea dos Estados Unidos para interoperabilidade, testes, treinamento, sustentação e desenvolvimento de capacidades.

Esse esforço conjunto procura padronizar procedimentos e ampliar a compatibilidade entre operadores ou futuros usuários da plataforma.

No Reino Unido, porém, a situação ainda é de transição.

A aeronave já voou em testes, a estrutura de apoio foi aberta e a preparação da unidade operadora avança, mas a entrada efetiva em serviço ficou para 2026, após sucessivos ajustes no cronograma.

Assim, o marco recente não representa operação plena da frota, e sim um passo concreto na retomada da capacidade britânica de alerta aéreo e controle aerotransportado.

Por trás da aparência de um 737 profundamente modificado, o E-7 reúne radar de cobertura total, enlaces de comunicação e sistemas de comando capazes de ampliar o alcance de toda a força ao seu redor.

Para a RAF, a aposta é que esse conjunto devolva ao país uma ferramenta estratégica para detectar ameaças antes, organizar a resposta com mais precisão e operar de forma mais integrada com aliados da Otan e parceiros próximos.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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