Estudos e especialistas apontam que modernizar redes elétricas, investir em armazenamento e melhorar o consumo final são medidas decisivas para reduzir desperdícios no sistema energético brasileiro.
No Dia da Eficiência Energética, celebrado anualmente em 5 de março, a Engenharia Elétrica ganha destaque no debate sobre o uso racional da eletricidade.
Além disso, especialistas apontam que os maiores ganhos de eficiência energética no Brasil estão no consumo final e na modernização das redes elétricas, e não apenas na geração.
Segundo a professora Michele Rodrigues, do Centro Universitário FEI, referência em engenharia que completa 85 anos em 2026, a melhoria da eficiência depende diretamente da forma como a energia é consumida e distribuída.
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Ao mesmo tempo, o avanço acelerado das fontes renováveis, especialmente solar e eólica, vem exigindo redes elétricas mais inteligentes e flexíveis.
Portanto, investimentos em tecnologias de gestão energética, armazenamento e modernização da infraestrutura elétrica tornaram-se tão estratégicos quanto ampliar a produção de eletricidade.
Avanço das energias renováveis aumenta desafios operacionais
De acordo com dados divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em 2024, cerca de 88,2% da eletricidade gerada no Brasil teve origem em fontes renováveis.
Além disso, aproximadamente 24% dessa geração veio de usinas solares e eólicas, evidenciando a rápida expansão dessas tecnologias no país.
No entanto, apesar desse avanço, novos desafios operacionais começaram a surgir no sistema elétrico brasileiro.
Segundo registros do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em 2025, foram observados episódios de restrição de geração, conhecidos como curtailment.
Nessas situações, até 20% da energia produzida por usinas solares e eólicas deixou de ser utilizada em determinados períodos.
Isso ocorreu principalmente devido às limitações da rede elétrica e à baixa capacidade de absorção da energia gerada.
Consequentemente, esses dados indicam que o desafio atual do setor não está apenas em produzir energia, mas sim em tornar o sistema elétrico mais eficiente e integrado.
Consumo final concentra maior potencial de eficiência
Segundo a professora Michele Rodrigues, da área de Engenharia Elétrica da FEI, o desperdício de energia no Brasil ocorre majoritariamente no consumo final e na distribuição.
De acordo com a especialista, o maior potencial de ganho de eficiência energética está no uso final da eletricidade.
Entre os principais pontos críticos, destacam-se:
- Motores elétricos utilizados em processos industriais
- Sistemas de climatização com baixo controle energético
- Equipamentos que operam sem gestão energética otimizada
Além disso, em períodos de calor extremo, as perdas elétricas tendem a aumentar.
Isso acontece porque temperaturas mais altas elevam a resistência elétrica dos condutores.
Consequentemente, ocorre o chamado efeito Joule, que intensifica as perdas de energia durante a transmissão e o consumo.
Portanto, simultaneamente, o consumo aumenta e a eficiência operacional diminui.
Redes inteligentes e armazenamento ampliam eficiência do sistema
Diante desse cenário, especialistas defendem que a modernização da rede elétrica brasileira é fundamental.
Segundo Michele Rodrigues, o avanço da eficiência energética depende da adoção de tecnologias capazes de controlar melhor o consumo e a distribuição da eletricidade.
Entre as principais soluções destacadas estão:
- Redes elétricas inteligentes (smart grids)
- Sistemas de armazenamento em baterias
- Monitoramento energético em tempo real
- Gerenciamento ativo da demanda elétrica
Além disso, essas tecnologias podem reduzir perdas operacionais e evitar desperdícios de energia.
Ao mesmo tempo, elas ampliam a capacidade útil do sistema elétrico sem exigir novas usinas de geração.
Consequentemente, a integração de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, torna-se mais eficiente.
Limitações estruturais do sistema elétrico brasileiro
Por outro lado, o crescimento acelerado das energias renováveis também revelou limitações no modelo atual do sistema elétrico brasileiro.
Historicamente, o sistema foi projetado para operar com geração centralizada e previsível.
No entanto, a geração renovável possui características diferentes.
Em regiões com grande concentração de usinas solares e eólicas, por exemplo, a capacidade de transmissão nem sempre consegue escoar toda a energia produzida.
Além disso, a geração dessas fontes varia ao longo do dia.
Enquanto isso, a demanda elétrica costuma ter picos concentrados em horários específicos.
Consequentemente, torna-se mais difícil equilibrar oferta e consumo de energia.
Falta de flexibilidade provoca desperdício energético
Nesse contexto, um dos principais desafios do sistema elétrico é a falta de flexibilidade operacional.
Ou seja, muitas vezes o sistema não consegue se adaptar rapidamente às mudanças de geração e demanda.
Além disso, a ausência de armazenamento de energia em larga escala, somada à falta de resposta automatizada da demanda, agrava o problema.
Por isso, o fenômeno conhecido como curtailment acaba ocorrendo.
Nessas situações, usinas solares e eólicas são obrigadas a reduzir sua produção, mesmo quando há vento ou radiação solar disponíveis.
Portanto, do ponto de vista da eficiência energética, trata-se de uma perda sistêmica relevante, causada por limitações estruturais da rede.
Eficiência energética surge como estratégia imediata
Diante desse cenário, especialistas defendem uma mudança de foco no setor elétrico.
Segundo Michele Rodrigues, utilizar de forma mais eficiente a energia já disponível é a estratégia mais racional no curto prazo.
Além disso, a eficiência energética pode ampliar a capacidade útil do sistema elétrico sem exigir grandes investimentos em novas usinas.
Consequentemente, também são reduzidos os impactos ambientais associados à expansão da geração elétrica.
Assim, a modernização das redes e a melhoria do consumo final tornam-se elementos centrais para o futuro da matriz energética brasileira.
FEI mantém tradição em engenharia e inovação tecnológica
A Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de Medeiros (FEI) possui mais de oito décadas de tradição no ensino superior brasileiro.
Atualmente, a instituição atua nas áreas de Administração, Ciência da Computação, Ciência de Dados, Inteligência Artificial e Engenharia.
Ao longo de sua trajetória, mais de 60 mil profissionais já foram formados pela FEI.
Além disso, a instituição integra a Companhia de Jesus e mantém forte atuação em ensino, pesquisa e extensão.
A FEI também oferece diversas formações em engenharia, incluindo Engenharia Civil, Automação e Controle, Materiais, Produção, Elétrica, Mecânica, Química e Engenharia de Robôs.
Essa última, inclusive, é considerada a primeira graduação em Engenharia de Robôs do Brasil.
Consequentemente, a instituição consolidou-se como um dos maiores polos educacionais de robótica inteligente da América Latina.
Além disso, acompanhando as megatendências tecnológicas globais, a FEI participou da formulação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais para cursos de Engenharia e Administração, junto ao Ministério da Educação.
Assim, a instituição contribuiu para incorporar conceitos de interdisciplinaridade e empreendedorismo na formação universitária brasileira.
Diante desse cenário de transformação energética e tecnológica, a pergunta permanece: o Brasil conseguirá modernizar seu sistema elétrico a tempo de aproveitar todo o potencial das energias renováveis?

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