Lançamento do Royal Pop expõe força do mercado de relógios colecionáveis, provoca tumultos em lojas selecionadas e reacende debate sobre hype, segurança e revenda internacional.
Uma colaboração entre Swatch e Audemars Piguet transformou o lançamento do Royal Pop em um dos episódios mais comentados do mercado de relógios. A coleção chegou a lojas selecionadas no sábado e provocou filas, fechamento de unidades, intervenção policial e relatos de confrontos em diferentes países.
A procura pelo modelo cresceu após meses de campanha online. Cada comprador podia adquirir apenas uma unidade, vendida por US$ 448, cerca de R$ 2,2 mil. O produto, porém, rapidamente apareceu no mercado paralelo por valores muito superiores.
Campanha digital ampliou o interesse pelo Royal Pop

A Swatch apostou na combinação entre luxo acessível, edição limitada e colaboração entre marcas suíças para atrair colecionadores e consumidores jovens. Segundo a especialista em varejo Catherine Shuttleworth, ouvida pela BBC, a estratégia funcionou porque uniu exclusividade, novidade e preço mais baixo em relação ao universo da Audemars Piguet.
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A crítica e podcaster Britt Pearce também reconheceu o apelo da parceria. Para ela, esse tipo de colaboração cria um fenômeno passageiro, mas altamente empolgante para o público interessado em relógios.
Multidões fecharam lojas e exigiram ação policial
No Reino Unido, várias lojas da Swatch foram fechadas depois que centenas de pessoas se concentraram do lado de fora. Relatos apontaram comportamento agressivo e pelo menos uma prisão durante a movimentação.
Cidades como Amsterdã e Milão também registraram brigas. Episódios semelhantes ocorreram em regiões da Ásia e do Oriente Médio, onde a procura pelo relógio superou a capacidade de atendimento das lojas.
Segundo a Reuters, policiais usaram gás lacrimogêneo para controlar cerca de 300 pessoas perto de uma loja da Swatch nos arredores de Paris. Em Lille, no norte da França, quatro pessoas relataram agressões durante a confusão.
Em Nova York, consumidores chegaram a acampar por uma semana para garantir uma unidade. Relatos também indicaram que algumas pessoas passaram mal durante a espera prolongada.

Revenda transformou o relógio em ativo especulativo
O lançamento atraiu colecionadores, curiosos e compradores interessados em lucro rápido. Pessoas que saíam das lojas com o Royal Pop receberam ofertas pelo dobro do preço original.
Um consumidor identificado como Jaylen disse à BBC que comprou um relógio por 335 libras e vendeu a peça por pouco mais de mil libras. Ele também afirmou que pagou amigos para tentar adquirir outros modelos em lojas diferentes.
Anúncios online passaram a listar unidades do Royal Pop por valores entre 3 mil e 5 mil libras, equivalentes a aproximadamente R$ 20 mil e R$ 33 mil. A revista britânica WatchPro, porém, alertou que parte dessas ofertas pode ser falsa.
Swatch defendeu lançamento e citou normalização das vendas
A Swatch afirmou, na segunda-feira, que a resposta à coleção foi “fenomenal em todo o mundo”. A empresa informou que problemas ocorreram em apenas 20 das 220 lojas onde os relógios foram colocados à venda.
A marca também comparou o episódio ao lançamento do MoonSwatch, colaboração de 2022 com a Omega. Naquele caso, filas, fechamento de lojas e acionamento da polícia também marcaram o primeiro dia de vendas.
A empresa reforçou que a coleção Royal Pop ficará disponível por vários meses. Com isso, a Swatch indicou que a pressão sobre as lojas deve diminuir após o impacto inicial.
Experiência dividiu colecionadores e consumidores
Parte dos compradores avaliou o Royal Pop como um item colecionável com potencial de valorização. Alguns consumidores disseram que o relógio poderia ser guardado, passado adiante e ganhar importância com o tempo.
Outros questionaram o preço, o esforço e o ambiente de tensão nas filas. Uma jovem ouvida em Birmingham afirmou que o relógio não valia o dinheiro nem o tempo de espera.
Britt Pearce declarou que a experiência em uma loja de Londres prejudicou sua percepção sobre a colaboração. Para ela, o entusiasmo inicial deu lugar a preocupação com a segurança do público.
O caso Royal Pop mostra como exclusividade, marketing digital e revenda podem transformar um relógio em objeto de disputa global. Até que ponto uma colaboração de luxo acessível justifica filas por dias, fechamento de lojas e intervenção policial?
