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R$ 270 milhões em um só pronto-socorro, quase o que Mato Grosso reserva para dois hospitais inteiros: Várzea Grande espera o edital prometido para agosto, agora remarcado para até o fim de 2026

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 03/11/2026 às 16:25
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Homem de terno azul assina documento sobre a planta impressa do hospital, com microfone na mão, enquanto duas mulheres observam sorrindo.
Assinatura do termo do novo Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande em 3 de julho; o edital prometido para agosto ainda não saiu. Foto: Mayke Toscano/Secom MT
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O novo Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande vai ocupar o prédio que seria o centro de controle do VLT, ao lado do aeroporto. O edital ficou para depois de agosto, e a conta mostra o tamanho da obra para uma cidade de 323 mil moradores.

O Governo de Mato Grosso anunciou em 3 de julho de 2026 a construção do novo Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Várzea Grande, com investimento de R$ 270 milhões, segundo o comunicado da Secretaria de Comunicação do Estado (Secom MT). No mesmo dia, o Estado reservou R$ 8,5 milhões para uma nova sede da Politec na cidade.

Quatro meses depois, o edital da obra ainda não saiu. Na sexta-feira, 30 de outubro, o governador Otaviano Pivetta disse que o documento será publicado ainda em 2026, de acordo com o Olhar Direto.

“Eu garanto que ainda nesse ano [vamos publicar o edital] para a construção do novo pronto-socorro e hospital do município de Várzea Grande”, afirmou o governador, na fala registrada pelo Olhar Direto.

O endereço é o que chama atenção. O pronto-socorro vai nascer na estrutura que abrigaria o Centro de Controle Operacional do VLT, o trem que não chegou a rodar, ao lado do Aeroporto Internacional Marechal Rondon.

Quanto custa o novo pronto-socorro de Várzea Grande perto de outros hospitais de Mato Grosso?

Os R$ 270 milhões são para uma única unidade. Para comparar, a Secom MT informou em 18 de outubro que o Estado lançou os editais de dois hospitais regionais, em Pontes e Lacerda e em Barra do Garças, com R$ 300 milhões em obras para os dois juntos, segundo o balanço das obras hospitalares do governo.

Vista aérea de um grande prédio hospitalar de telhado cinza em construção, cercado de terra vermelha e mata.
Obra do Hospital Estadual do Médio Norte, em Tangará da Serra, orçado em R$ 155 milhões e com 71% de execução em outubro. Foto: SES-MT

O pronto-socorro de Várzea Grande equivale a 90% desse valor (conta nossa: 270 dividido por 300).

O mesmo balanço lista três hospitais estaduais em construção no interior. O de Tangará da Serra tem custo previsto de R$ 155 milhões, o de Confresa, R$ 158 milhões, e o de Juína, R$ 151 milhões.

Diante do mais caro deles, o de Confresa, a obra de Várzea Grande sai 71% maior (conta nossa: 270 dividido por 158 dá 1,71).

HospitalCidadeValor informado pelo EstadoSituação
Hospital e Pronto-Socorro MunicipalVárzea GrandeR$ 270 milhõesedital prometido para até o fim de 2026
Hospital Estadual do Araguaia XinguConfresaR$ 158 milhões em obras68% executado
Hospital Estadual do Médio NorteTangará da SerraR$ 155 milhões em obras71% executado
Hospital Estadual do NoroesteJuínaR$ 151 milhões60% executado
Dois hospitais regionaisPontes e Lacerda e Barra do GarçasR$ 300 milhões em obras, somadoseditais lançados
Fonte dos números: Secom MT (julho e outubro de 2026).

Fonte dos números: Secom MT (julho e outubro de 2026).

Quanto os R$ 270 milhões pesam para Várzea Grande?

O IBGE estima que Várzea Grande tem 323.172 moradores em 2026, segundo a página da cidade no IBGE Cidades. Dividido por morador, o investimento dá cerca de R$ 835 por pessoa (conta nossa).

A mesma página do IBGE mostra que a prefeitura empenhou R$ 1,53 bilhão em despesas brutas em 2025, somando tudo.

O hospital, sozinho, corresponde a 17,7% desse gasto anual da cidade inteira (conta nossa: 270 milhões divididos por 1,526 bilhão).

Em salários mínimos de 2026, de R$ 1.621, os R$ 270 milhões equivalem a cerca de 166,5 mil salários (conta nossa).

Por que o pronto-socorro vai para o prédio do VLT?

O Governo do Estado escolheu um terreno público que estava parado. No anúncio de julho, a Prefeitura de Várzea Grande descreveu o lugar como a área que foi a estação do VLT, atrás de um supermercado perto do aeroporto e ao lado do terminal do BRT.

Grupo de pessoas sob a estrutura de concreto e metal inacabada do antigo VLT, diante de uma mesa com a planta do hospital impressa.
Anúncio de 3 de julho na estrutura que abrigaria o centro de controle do VLT, ao lado do aeroporto. Foto: Mayke Toscano/Secom MT

O governador justificou a escolha pelo custo e pela pressa. “Optamos por utilizar uma estrutura já iniciada porque isso permitirá concluir o hospital com mais rapidez e menor custo”, disse Pivetta, no texto publicado pela prefeitura.

Segundo o RDNews, o governo citou ainda o heliponto do Ciopaer, no aeroporto, que tem apoio de UTI aérea.

A mesma reportagem diz que a licitação deve incluir uma avenida nova ligando o bairro Cristo Rei, o mais populoso da cidade segundo o governador, ao pronto-socorro.

O JBNews informa que a área tem cerca de 16 mil metros quadrados.

O que muda para quem depende do pronto-socorro de Várzea Grande hoje?

Por enquanto, nada muda na porta do hospital. O próprio governador disse, em 30 de outubro, que a fila e os pacientes nos corredores continuam até a obra ficar pronta. “Infelizmente nós vamos continuar convivendo com essa cena desagradável, muito ruim, que eu não gostaria, mas que nós vamos mudar”, declarou Pivetta, segundo o Olhar Direto.

Na mesma entrevista, ele descartou usar o Hospital Metropolitano como pronto-socorro. Pelo relato do Olhar Direto, Pivetta disse que a unidade atende alta complexidade e que abrir as portas para a urgência levaria “contaminação” e “altos riscos” para dentro dela.

A prefeita Flávia Moretti explicou em julho a diferença entre a unidade atual e a nova. “Hoje nosso Pronto-Socorro é somente PS. Ele não é hospital”, disse ela, segundo o VG Notícias.

Com o hospital novo, a promessa é fazer cirurgias eletivas e de média e alta complexidade no próprio hospital de Várzea Grande, segundo a prefeita.

Segundo o VG Notícias, a prefeita disse que o prédio atual seguirá na rede municipal, talvez como policlínica.

Quantos leitos o novo hospital vai ter?

O número varia conforme a fonte. Na cerimônia de julho, a prefeita falou em 300 leitos, segundo o VG Notícias. O RDNews registrou, no mesmo dia, projeção de mais de 200 leitos.

Se forem 300, o investimento dá R$ 900 mil por leito. Se forem 200, sobe para R$ 1,35 milhão (conta nossa).

O hospital de Alta Floresta, entregue pelo Estado em março, serve de régua. Ele custou R$ 186 milhões em obras e tem 162 leitos, segundo a Secom MT, ou cerca de R$ 1,15 milhão por leito (conta nossa).

A divisão de tarefas também já foi anunciada. O Estado projeta e constrói, e a prefeitura fica com os equipamentos e o funcionamento, segundo o RDNews.

Quando sai o edital do pronto-socorro de Várzea Grande?

Em 3 de julho, Pivetta tinha prometido o edital para o fim de agosto. A licitação seria pelo Regime Diferenciado de Contratações Integradas, o RDCI, em que a empresa vencedora também faz os projetos da obra, de acordo com o Olhar Direto.

O prazo de agosto passou sem edital. Até esta terça-feira, 3 de novembro, são 64 dias além da data prometida (conta nossa, contados a partir de 31 de agosto).

O novo prazo é o fim de 2026. Da data de hoje até 31 de dezembro, restam 58 dias (conta nossa).

Em julho, a prefeita disse que a previsão do governo é concluir a obra em cerca de dois anos, segundo o VG Notícias.

No vídeo do anúncio publicado pelo Governo de Mato Grosso no canal oficial da Secom MT, o governo apresenta o hospital como o principal destaque do pacote de julho para Várzea Grande, com o aporte de R$ 270 milhões.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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