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Mineral descoberto em Minas Gerais tem nome de professor da UFMG e cristais quase invisíveis

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Escrito por Carla Teles Publicado em 03/11/2026 às 17:11
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Mineral descoberto em Minas Gerais tem nome de professor da UFMG e cristais quase invisíveis (3)
Brandãoíta, mineral descoberto em Minas Gerais, homenageia professor da UFMG e possui cristais microscópicos reconhecidos pela ciência desde 2017.
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Chamada de brandãoíta, espécie foi reconhecida em 2017, tem cristais microscópicos e também dá nome a um museu de mineralogia em Belo Horizonte.

Um mineral encontrado no leste de Minas Gerais recebeu o nome de um professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e passou a integrar oficialmente a lista internacional de espécies minerais em 2017. A brandãoíta foi identificada na região de Divino das Laranjeiras e apresenta cristais tão pequenos que sua caracterização exige equipamentos de análise mineralógica. O nome homenageia Paulo Roberto Gomes Brandão, professor emérito da universidade.

A história foi apresentada pelo Portal Minerais do Brasil e é documentada pela própria UFMG em registro de outubro de 2017. A espécie recebeu aprovação da Associação Mineralógica Internacional (IMA) em agosto daquele ano, enquanto sua descrição detalhada e estrutura cristalina foram publicadas posteriormente na revista científica Mineralogical Magazine.

Mineral brandãoíta foi encontrada em uma área de mineração no leste de Minas Gerais

Cristais transparentes de quartzo fotografados em close-up sobre fundo escuro.
Cristais de quartzo fotografados em detalhe. A brandãoíta, mineral brasileiro reconhecido em 2017, possui cristais microscópicos. Imagem ilustrativa/Pexels.

O local de origem da brandãoíta é a mina João Firmino, situada na região da fazenda Pomarolli, próxima a Linópolis, no município de Divino das Laranjeiras.

A área faz parte de uma região conhecida pela ocorrência de pegmatitos graníticos, rochas formadas durante os estágios finais da cristalização de determinados magmas e que podem concentrar diversos minerais.

No caso da brandãoíta, os pesquisadores identificaram a espécie em uma cavidade rica em albita, associada a outros fosfatos secundários.

O estudo científico registra sua ocorrência ao lado de minerais como berilonita, atencioíta e zanazziíta.

Essas associações ajudam a compreender as condições geológicas em que os cristais se formaram e permitem comparar o material com espécies já descritas.

O trabalho foi desenvolvido por uma equipe formada por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, incluindo Luiz Alberto Dias Menezes Filho e Mário Luiz de Sá Carneiro Chaves.

A identificação de uma espécie mineral não equivale à descoberta de uma reserva economicamente explorável. Nesse caso, o reconhecimento está relacionado à composição química e à estrutura cristalina do material.

A importância do conhecimento geológico também aparece em pesquisas sobre o potencial mineral brasileiro. Em outra reportagem, o CPG abordou as limitações do mapeamento geológico do território brasileiro, que influencia a identificação e a avaliação de ocorrências minerais.

Cristais da brandãoíta podem medir menos de 100 micrômetros

A brandãoíta pertence ao grupo dos fosfatos hidratados e contém berílio, alumínio, fósforo, oxigênio e hidrogênio em sua composição.

Segundo a descrição científica publicada na Mineralogical Magazine, seus cristais individuais são transparentes e incolores, enquanto os agrupamentos apresentam aparência branca.

A espécie forma cristais alongados semelhantes a agulhas, com menos de 10 micrômetros de largura e menos de 100 micrômetros de comprimento.

Um micrômetro corresponde à milésima parte de um milímetro. Portanto, um cristal com 100 micrômetros mede apenas 0,1 milímetro.

Esses pequenos cristais podem se reunir em agregados arredondados que alcançam aproximadamente 1 a 1,5 milímetro.

O estudo também identificou brilho vítreo e dureza 6 na escala de Mohs, utilizada para comparar a resistência dos minerais ao risco.

A densidade calculada foi de aproximadamente 2,353 gramas por centímetro cúbico.

A fórmula química ideal da espécie pode ser representada como BeAl₂(PO₄)₂(OH)₂·5H₂O.

Apesar de conter berílio, um elemento utilizado em determinadas aplicações industriais, não há informações que indiquem exploração comercial da brandãoíta para obtenção desse metal.

Seu registro está relacionado à pesquisa mineralógica e à identificação de uma combinação específica de elementos e estrutura cristalina.

Associação Mineralógica Internacional aprovou o nome em agosto de 2017

Formação de cristais brancos observada em fotografia macro.
Formação de cristais claros em amostra mineral. Fotografia ilustrativa de mineralogia. Imagem Pexels.

Uma nova espécie mineral precisa ser diferenciada das já conhecidas antes de receber reconhecimento científico.

Esse processo envolve análises químicas, estudos cristalográficos e documentação das características físicas do material.

No caso da brandãoíta, a aprovação ocorreu em agosto de 2017 pela Comissão de Novos Minerais, Nomenclatura e Classificação da Associação Mineralógica Internacional.

O registro recebeu o identificador IMA 2016-071a.

A aprovação foi divulgada na newsletter nº 39 da comissão, publicada em outubro de 2017. Já o artigo completo sobre a composição e a estrutura do mineral apareceu no volume 83 da Mineralogical Magazine, referente a 2019.

A publicação científica reúne resultados de análises por microssonda eletrônica, espectrometria e difração de raios X, utilizadas para determinar a composição e a organização dos átomos no cristal.

Um exemplar de referência da espécie está preservado na coleção mineralógica do Royal Ontario Museum, em Toronto, no Canadá, sob o número M57443.

Esse material serve como referência física para futuras comparações e estudos científicos.

A documentação é especialmente importante porque minerais visualmente semelhantes podem apresentar composições ou estruturas distintas.

Pesquisas mineralógicas também são utilizadas para investigar materiais de interesse tecnológico. O CPG já mostrou um estudo sobre a identificação de terras raras em rochas, embora a brandãoíta pertença a uma espécie e a um contexto científico diferentes.

Professor Paulo Brandão recebeu homenagem por sua atuação na pesquisa mineral

Mãos seguram uma amostra de rocha durante inspeção com iluminação direcionada.
Exame visual de uma amostra de rocha. A identificação científica de novas espécies exige análises químicas e cristalográficas. Imagem: Pexels.

O nome brandãoíta foi escolhido por Luiz Alberto Dias Menezes Filho, mineralogista, colecionador e pesquisador brasileiro que participou de sua descoberta.

Segundo o documento publicado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Metalúrgica, Materiais e de Minas da UFMG, Menezes Filho morreu em julho de 2014, antes do reconhecimento oficial da espécie.

A homenagem foi destinada a Paulo Roberto Gomes Brandão, professor emérito do Departamento de Engenharia de Minas da UFMG.

Nascido em 26 de janeiro de 1944, em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, Brandão formou-se em Engenharia de Minas pela universidade e realizou mestrado e doutorado na University of British Columbia, no Canadá.

Sua atuação acadêmica esteve relacionada à caracterização mineralógica de minérios e ao desenvolvimento de técnicas de concentração mineral.

Essas pesquisas contribuem para identificar as propriedades dos materiais e compreender como diferentes minerais podem ser separados durante processos de beneficiamento.

O professor recebeu o título de emérito da UFMG em 2004 e morreu em 2023, conforme informações de documentos institucionais da universidade.

A escolha do nome preservou sua referência na nomenclatura mineralógica internacional.

Museu Brandãoíta reúne centenas de minerais e rochas na UFMG

Brandãoíta, mineral descoberto em Minas Gerais, homenageia professor da UFMG e possui cristais microscópicos reconhecidos pela ciência desde 2017.
Imagem: Divulgação.

A homenagem também está presente no Museu de Mineralogia Professor Paulo Roberto Gomes Brandão, conhecido como Museu Brandãoíta.

O espaço funciona no Departamento de Engenharia de Minas da UFMG, em Belo Horizonte, e mantém um acervo de centenas de minerais e rochas.

Segundo um projeto de extensão registrado pela universidade em novembro de 2024, parte das amostras está na sala 4242, enquanto outras ficam expostas em armários distribuídos pelo corredor do departamento.

O projeto foi elaborado para ampliar a organização do acervo e desenvolver atividades de divulgação científica.

A proposta contempla estudantes de Engenharia de Minas e Geologia, além de alunos do ensino básico e interessados em mineralogia.

A documentação institucional identifica a preservação das coleções e a aproximação com o público como objetivos do trabalho.

Em junho de 2026, integrantes do Museu Brandãoíta também participaram da exposição Coleções com Memória, realizada no MM Gerdau, em Belo Horizonte.

A apresentação incluiu minerais que receberam nomes de cientistas, entre eles a brandãoíta.

A espécie permanece registrada nas bases mineralógicas internacionais, enquanto o museu da UFMG conserva amostras e documentos utilizados no ensino e na divulgação da mineralogia.

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Carla Teles

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