Chamada de brandãoíta, espécie foi reconhecida em 2017, tem cristais microscópicos e também dá nome a um museu de mineralogia em Belo Horizonte.
Um mineral encontrado no leste de Minas Gerais recebeu o nome de um professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e passou a integrar oficialmente a lista internacional de espécies minerais em 2017. A brandãoíta foi identificada na região de Divino das Laranjeiras e apresenta cristais tão pequenos que sua caracterização exige equipamentos de análise mineralógica. O nome homenageia Paulo Roberto Gomes Brandão, professor emérito da universidade.
A história foi apresentada pelo Portal Minerais do Brasil e é documentada pela própria UFMG em registro de outubro de 2017. A espécie recebeu aprovação da Associação Mineralógica Internacional (IMA) em agosto daquele ano, enquanto sua descrição detalhada e estrutura cristalina foram publicadas posteriormente na revista científica Mineralogical Magazine.
Mineral brandãoíta foi encontrada em uma área de mineração no leste de Minas Gerais

O local de origem da brandãoíta é a mina João Firmino, situada na região da fazenda Pomarolli, próxima a Linópolis, no município de Divino das Laranjeiras.
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A área faz parte de uma região conhecida pela ocorrência de pegmatitos graníticos, rochas formadas durante os estágios finais da cristalização de determinados magmas e que podem concentrar diversos minerais.
No caso da brandãoíta, os pesquisadores identificaram a espécie em uma cavidade rica em albita, associada a outros fosfatos secundários.
O estudo científico registra sua ocorrência ao lado de minerais como berilonita, atencioíta e zanazziíta.
Essas associações ajudam a compreender as condições geológicas em que os cristais se formaram e permitem comparar o material com espécies já descritas.
O trabalho foi desenvolvido por uma equipe formada por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, incluindo Luiz Alberto Dias Menezes Filho e Mário Luiz de Sá Carneiro Chaves.
A identificação de uma espécie mineral não equivale à descoberta de uma reserva economicamente explorável. Nesse caso, o reconhecimento está relacionado à composição química e à estrutura cristalina do material.
A importância do conhecimento geológico também aparece em pesquisas sobre o potencial mineral brasileiro. Em outra reportagem, o CPG abordou as limitações do mapeamento geológico do território brasileiro, que influencia a identificação e a avaliação de ocorrências minerais.
Cristais da brandãoíta podem medir menos de 100 micrômetros
A brandãoíta pertence ao grupo dos fosfatos hidratados e contém berílio, alumínio, fósforo, oxigênio e hidrogênio em sua composição.
Segundo a descrição científica publicada na Mineralogical Magazine, seus cristais individuais são transparentes e incolores, enquanto os agrupamentos apresentam aparência branca.
A espécie forma cristais alongados semelhantes a agulhas, com menos de 10 micrômetros de largura e menos de 100 micrômetros de comprimento.
Um micrômetro corresponde à milésima parte de um milímetro. Portanto, um cristal com 100 micrômetros mede apenas 0,1 milímetro.
Esses pequenos cristais podem se reunir em agregados arredondados que alcançam aproximadamente 1 a 1,5 milímetro.
O estudo também identificou brilho vítreo e dureza 6 na escala de Mohs, utilizada para comparar a resistência dos minerais ao risco.
A densidade calculada foi de aproximadamente 2,353 gramas por centímetro cúbico.
A fórmula química ideal da espécie pode ser representada como BeAl₂(PO₄)₂(OH)₂·5H₂O.
Apesar de conter berílio, um elemento utilizado em determinadas aplicações industriais, não há informações que indiquem exploração comercial da brandãoíta para obtenção desse metal.
Seu registro está relacionado à pesquisa mineralógica e à identificação de uma combinação específica de elementos e estrutura cristalina.
Associação Mineralógica Internacional aprovou o nome em agosto de 2017

Uma nova espécie mineral precisa ser diferenciada das já conhecidas antes de receber reconhecimento científico.
Esse processo envolve análises químicas, estudos cristalográficos e documentação das características físicas do material.
No caso da brandãoíta, a aprovação ocorreu em agosto de 2017 pela Comissão de Novos Minerais, Nomenclatura e Classificação da Associação Mineralógica Internacional.
O registro recebeu o identificador IMA 2016-071a.
A aprovação foi divulgada na newsletter nº 39 da comissão, publicada em outubro de 2017. Já o artigo completo sobre a composição e a estrutura do mineral apareceu no volume 83 da Mineralogical Magazine, referente a 2019.
A publicação científica reúne resultados de análises por microssonda eletrônica, espectrometria e difração de raios X, utilizadas para determinar a composição e a organização dos átomos no cristal.
Um exemplar de referência da espécie está preservado na coleção mineralógica do Royal Ontario Museum, em Toronto, no Canadá, sob o número M57443.
Esse material serve como referência física para futuras comparações e estudos científicos.
A documentação é especialmente importante porque minerais visualmente semelhantes podem apresentar composições ou estruturas distintas.
Pesquisas mineralógicas também são utilizadas para investigar materiais de interesse tecnológico. O CPG já mostrou um estudo sobre a identificação de terras raras em rochas, embora a brandãoíta pertença a uma espécie e a um contexto científico diferentes.
Professor Paulo Brandão recebeu homenagem por sua atuação na pesquisa mineral

O nome brandãoíta foi escolhido por Luiz Alberto Dias Menezes Filho, mineralogista, colecionador e pesquisador brasileiro que participou de sua descoberta.
Segundo o documento publicado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Metalúrgica, Materiais e de Minas da UFMG, Menezes Filho morreu em julho de 2014, antes do reconhecimento oficial da espécie.
A homenagem foi destinada a Paulo Roberto Gomes Brandão, professor emérito do Departamento de Engenharia de Minas da UFMG.
Nascido em 26 de janeiro de 1944, em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, Brandão formou-se em Engenharia de Minas pela universidade e realizou mestrado e doutorado na University of British Columbia, no Canadá.
Sua atuação acadêmica esteve relacionada à caracterização mineralógica de minérios e ao desenvolvimento de técnicas de concentração mineral.
Essas pesquisas contribuem para identificar as propriedades dos materiais e compreender como diferentes minerais podem ser separados durante processos de beneficiamento.
O professor recebeu o título de emérito da UFMG em 2004 e morreu em 2023, conforme informações de documentos institucionais da universidade.
A escolha do nome preservou sua referência na nomenclatura mineralógica internacional.
Museu Brandãoíta reúne centenas de minerais e rochas na UFMG

A homenagem também está presente no Museu de Mineralogia Professor Paulo Roberto Gomes Brandão, conhecido como Museu Brandãoíta.
O espaço funciona no Departamento de Engenharia de Minas da UFMG, em Belo Horizonte, e mantém um acervo de centenas de minerais e rochas.
Segundo um projeto de extensão registrado pela universidade em novembro de 2024, parte das amostras está na sala 4242, enquanto outras ficam expostas em armários distribuídos pelo corredor do departamento.
O projeto foi elaborado para ampliar a organização do acervo e desenvolver atividades de divulgação científica.
A proposta contempla estudantes de Engenharia de Minas e Geologia, além de alunos do ensino básico e interessados em mineralogia.
A documentação institucional identifica a preservação das coleções e a aproximação com o público como objetivos do trabalho.
Em junho de 2026, integrantes do Museu Brandãoíta também participaram da exposição Coleções com Memória, realizada no MM Gerdau, em Belo Horizonte.
A apresentação incluiu minerais que receberam nomes de cientistas, entre eles a brandãoíta.
A espécie permanece registrada nas bases mineralógicas internacionais, enquanto o museu da UFMG conserva amostras e documentos utilizados no ensino e na divulgação da mineralogia.
