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186 mil empregos no Paraná: construção civil abre 1.067 vagas em agosto, contra 420 um ano antes, e obras de infraestrutura respondem por metade dos 10 mil postos criados em 2026

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 03/11/2026 às 16:23
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Dois operários de capacete azul e cinto de segurança amarrado a um cabo trabalham sobre uma laje de vergalhões, com prédios altos e um guindaste ao fundo.
Operários em obra no Paraná, em foto divulgada pela Fiep com o levantamento dos 186 mil empregos da construção. Foto: Gelson Bampi/Agência Fiep
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O levantamento da Fiep mostra o tamanho da construção civil no estado, e a soma dos três segmentos revela quem segurou as contratações de 2026: pontes, viadutos e estradas.

A construção civil do Paraná reúne cerca de 186 mil empregos com carteira assinada, segundo o levantamento da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). O estudo saiu em 26 de outubro, um dia depois do Dia da Construção.

O número vem do Novo Caged de agosto de 2026. É o cadastro do governo federal que registra cada admissão e cada demissão com carteira.

Em agosto, o setor abriu 1.067 vagas a mais do que fechou no estado. No mesmo mês de 2025, tinham sido 420, de acordo com o boletim da Fecomércio PR de 13 de outubro.

A alta é de 154%. Foi o maior crescimento proporcional entre os grandes setores da economia paranaense naquele mês.

Quantas pessoas trabalham na construção civil do Paraná?

São cerca de 186 mil trabalhadores formais, na conta do Núcleo de Assessoria Econômica da Fiep. O setor responde por 13,7% do PIB industrial do Paraná, pelo dado de 2024 do Ipardes, o instituto de estatística do estado.

O número de empresas também cresceu. A RAIS é a relação anual que os empregadores entregam ao governo.

Por ela, os estabelecimentos da construção civil no Paraná passaram de 26.490 em 2024 para 26.754 em 2025. São 264 a mais, alta de 1% (conta nossa: 264 dividido por 26.490).

Cruzando o Caged de 2026 com a RAIS de 2025, dá perto de 7 empregados por estabelecimento (186 mil dividido por 26.754, conta nossa). É uma conta aproximada, porque as bases são de anos diferentes.

O retrato é de um setor feito de muita empresa pequena e média. Vai das construtoras de prédio às firmas que só fazem fundação, elétrica ou terraplenagem.

Quantas vagas a construção civil abriu no Paraná em agosto?

O saldo de agosto foi de 1.067 empregos na construção civil. A indústria, sem contar as obras, abriu só 130 no mesmo mês, segundo a análise da Fiep de 30 de setembro.

Ou seja, de cada 9 vagas industriais de agosto, 8 vieram das obras (1.067 de 1.197, conta nossa).

Na mesma análise da federação, a economista da Fiep Mari Santos disse que a construção “teve papel decisivo” na retomada das contratações.

Somando todos os setores, o Paraná criou 8.009 empregos formais em agosto, pela Fecomércio PR. A construção civil ficou com 13,3% desse saldo (1.067 dividido por 8.009, conta nossa).

O líder disparado foi o setor de serviços, com 5.076 vagas. O comércio veio depois, com 1.809.

Quais obras puxam os empregos da construção no Paraná?

A Fiep publica os segmentos em listas separadas, e somados eles contam outra história. No Caged, a construção civil tem três pedaços.

Vista aérea de um viaduto de concreto em construção cortando um bairro de casas baixas, com a rodovia passando ao lado.
Novo viaduto da PR-151 em Palmeira, nos Campos Gerais, parte da restauração em concreto da rodovia até Ponta Grossa. Foto: DER/PR

O primeiro são as obras de infraestrutura, como estradas, pontes e saneamento. O segundo é a construção de edifícios. O terceiro são os serviços especializados, como demolição, preparo de terreno e instalação elétrica.

De janeiro a agosto de 2026, a construção civil do Paraná somou 10.034 vagas. As obras de infraestrutura ficaram com 5.100.

Os serviços especializados tiveram 2.637 e os edifícios, 2.297. Somadas, as três partes dão exatamente 10.034.

Na soma, as obras de infraestrutura respondem por 50,8% dos empregos novos do setor no ano (5.100 dividido por 10.034, conta nossa).

Em agosto, a lista se repete. As obras de infraestrutura abriram 629 vagas e os serviços especializados, 486.

As duas juntas dão 1.115, mais que o saldo total de 1.067 da construção no mês. A conta só fecha se os edifícios terminaram agosto com cerca de 48 vagas a menos (1.067 menos 1.115, conta nossa).

A Fiep não lista os edifícios entre os segmentos positivos do mês.

As obras em andamento ajudam a entender de onde sai essa mão de obra. No noroeste, a nova ponte sobre o Rio Ivaí, na PR-498, liga São Carlos do Ivaí a Japurá.

Ela chegou a 45,39% de execução, com equipes em balsas concretando pilares no leito do rio, segundo a Agência Estadual de Notícias do Paraná.

A ponte terá 400 metros e custa R$ 71,59 milhões ao Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR). A entrega está prevista para fevereiro de 2028.

Nos Campos Gerais, o DER/PR está terminando um viaduto em Palmeira. Ele faz parte da restauração em concreto de 32,71 km da PR-151 até Ponta Grossa, conforme a Agência Estadual de Notícias.

Quanto o Paraná pesa na construção do Brasil?

No país, a construção civil encerrou agosto com 3,151 milhões de trabalhadores formais. O dado é da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), também com base no Novo Caged.

Guindaste amarelo ao lado de pilares altos de concreto com andaimes, em terreno enlameado na margem de um rio.
Pilares da nova ponte de 400 metros sobre o Rio Ivaí, na PR-498, que chegou a 45,39% de execução em outubro. Foto: DER/PR

Com 186 mil, o Paraná tem 1 em cada 17 trabalhadores da construção do Brasil (5,9%, conta nossa: 186 mil dividido por 3,151 milhões).

De janeiro a agosto, o setor criou 200.431 vagas no país. As 10.034 do Paraná equivalem a 5% desse total (conta nossa).

O desenho nacional é parecido. No Brasil, as obras de infraestrutura também lideraram o ano, pela CBIC.

O saldo do segmento subiu de 62.312 vagas nos oito primeiros meses de 2025 para 79.065 no mesmo período de 2026. A alta foi de 26,89%.

O salário de entrada ajuda a explicar a procura. Em agosto, o salário médio de admissão na construção no Brasil foi de R$ 2.642,46, segundo a CBIC.

O valor fica 9,61% acima da média de todas as atividades. Dá 1,63 salário mínimo de R$ 1.621 (conta nossa), e a entidade não separa esse salário por estado.

A CBIC também aponta o lado caro da obra. Em 12 meses até agosto, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 6,59%.

No mesmo período, o IPCA subiu 4,22%. A mão de obra da construção ficou 7,60% mais cara.

O que a Fiep planeja para a construção civil até 2040?

A federação lançou em 2025 a Rota Estratégica da Indústria da Construção 2040. São 152 diretrizes sobre produtividade, digitalização, inovação e sustentabilidade, segundo o mesmo texto da Fiep.

Ricardo Lora coordena o Conselho Setorial da Indústria da Construção da Fiep. Para ele, cada obra “movimenta fornecedores, indústrias, prestadores de serviços e trabalhadores”.

A cadeia vai do cimento e do aço às estruturas metálicas e esquadrias, como descreve a federação.

O próximo retrato sai com o Caged de setembro. Até lá, o placar da construção civil no Paraná é este: 186 mil carteiras, 10.034 vagas novas no ano.

Metade delas veio de estrada, ponte e viaduto.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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