Alta de até 5% em materiais de construção pressiona custo de imóveis na planta e pode aumentar parcelas durante a obra.
Em abril de 2026, o FGV IBRE informou, em boletim divulgado em 27 de abril, que o INCC-M subiu 1,04%, acima da alta de 0,36% registrada em março, elevando o acumulado em 12 meses para 6,28%. A pressão veio principalmente do grupo Materiais, Equipamentos e Serviços, que avançou 1,35%, com aceleração em todas as sete capitais pesquisadas pelo índice. O impacto aparece em insumos básicos de obra: massa de concreto subiu 4,39%, tubos e conexões de PVC avançaram 5,11%, cimento Portland comum teve alta de 3,02% e blocos de concreto subiram 1,48%.
Para quem comprou imóvel na planta com contrato vinculado ao custo da construção, esses reajustes ajudam a explicar por que parcelas e saldo devedor podem ficar mais pesados durante a execução da obra.
Para quem está pagando parcelas durante a construção, o impacto pode aparecer mês a mês, elevando o valor final do imóvel.
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Materiais essenciais registram aumentos acima da média
Entre os insumos mais afetados, alguns se destacam pela magnitude da alta registrada em abril. A massa de concreto apresentou aumento superior a 4%, enquanto tubos de PVC ultrapassaram 5% de elevação. O cimento também registrou avanço acima de 3%, e os vergalhões de aço tiveram alta próxima de 1%.
Esses materiais fazem parte da base de praticamente qualquer obra, desde estruturas até acabamento.
Quando itens fundamentais sobem ao mesmo tempo, o efeito não é isolado, mas acumulativo em toda a cadeia da construção.
Parcelas de imóveis na planta acompanham custo da obra
Ao contrário de imóveis prontos, os contratos de unidades na planta possuem um mecanismo de atualização vinculado ao custo da construção.
Isso significa que, durante o período de obras, o valor das parcelas pode ser reajustado conforme os preços de materiais e serviços variam.
Na prática, o comprador pode perceber:
- aumento gradual nas parcelas
- elevação do saldo devedor ao longo da obra
Esse modelo é comum no mercado imobiliário brasileiro e serve para proteger as construtoras contra oscilações de custo. O efeito colateral é que o risco da inflação da obra acaba sendo compartilhado com o comprador.
Pressão vem de múltiplos fatores, incluindo energia e logística
O aumento recente nos materiais não ocorre de forma isolada. Diversos fatores contribuem para a elevação dos custos, incluindo:
- encarecimento de insumos industriais
- aumento nos custos de transporte
- variações no preço de energia
Produtos como PVC, por exemplo, têm origem petroquímica, o que os torna sensíveis a oscilações no preço do petróleo. Já o transporte de materiais é diretamente impactado pelo custo do diesel. Esses elementos criam um efeito cascata que se reflete no valor final da construção.
Mercado imobiliário sente impacto mesmo sem paralisação de obras
Diferente de crises mais agudas, o cenário atual não necessariamente interrompe projetos, mas altera sua estrutura de custos. Construtoras continuam operando, porém com margens mais pressionadas. Em alguns casos, isso pode resultar em:
- reajuste de preços para novos lançamentos
- redução de oferta em determinadas faixas de preço
- maior cautela em novos projetos
O impacto não aparece apenas para quem já comprou, mas também para quem pretende entrar no mercado.
Comprador pode pagar mais sem perceber imediatamente
Um dos aspectos mais relevantes desse tipo de aumento é a forma como ele se manifesta. Diferente de uma alta direta no preço de um produto, o custo da construção é diluído ao longo do tempo. Isso faz com que muitos compradores só percebam o impacto após alguns meses.

As parcelas podem subir gradualmente, sem um salto abrupto, mas acumulando um valor significativo ao final do contrato. O resultado é um aumento silencioso no custo total do imóvel.
Alta acumulada ao longo de 12 meses reforça tendência de pressão
Além do aumento mensal, o comportamento ao longo de um período mais longo reforça a tendência de encarecimento. Nos últimos 12 meses, os custos da construção acumulam alta superior a 6%, indicando que o movimento não é pontual.
Esse tipo de trajetória mostra que o setor vem enfrentando uma pressão contínua, e não apenas um episódio isolado. A persistência da alta amplia o impacto sobre contratos mais longos, como os de imóveis na planta.
Setor depende de insumos industriais sensíveis a variações globais
A construção civil está fortemente conectada a cadeias produtivas globais. Materiais como aço, derivados de petróleo e insumos químicos dependem de mercados internacionais, o que os torna vulneráveis a oscilações externas. Mesmo quando a demanda interna está estável, mudanças no cenário global podem influenciar os preços locais.
Essa dependência aumenta a exposição do setor a fatores que vão além da economia doméstica. O cenário atual evidencia uma diferença importante entre tipos de aquisição imobiliária.
No imóvel pronto, o preço é definido no momento da compra. Já no imóvel na planta, o valor final pode variar ao longo do tempo.
Isso significa que o comprador assume parte da incerteza relacionada ao custo da obra. Em períodos de alta, essa diferença se torna mais perceptível e relevante para o planejamento financeiro.
Planejamento financeiro se torna essencial em cenários de alta
Diante da possibilidade de aumento nas parcelas, o planejamento financeiro ganha ainda mais importância. Compradores precisam considerar não apenas o valor inicial do imóvel, mas também a possibilidade de reajustes ao longo da obra.
Essa avaliação pode influenciar:
- capacidade de pagamento
- escolha do imóvel
- prazo do financiamento
Ignorar essa variável pode levar a surpresas ao longo do contrato.
Mercado segue operando, mas com maior sensibilidade a custos
Apesar das pressões, o setor da construção continua ativo, com projetos em andamento e novos lançamentos. No entanto, o ambiente atual exige maior atenção a custos e eficiência.
Construtoras tendem a ajustar estratégias para lidar com a volatilidade, enquanto compradores precisam acompanhar mais de perto as variações. O equilíbrio entre oferta, demanda e custo se torna mais delicado em cenários de inflação de insumos.
Com materiais subindo, parcelas sendo reajustadas ao longo da obra e custos acumulando mês a mês, você acredita que ainda vale a pena comprar imóvel na planta ou o risco de pagar mais no final pode mudar essa decisão?

