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Quatro anos antes de o Brasil lançar o PIX, a Índia já tinha de pé a UPI, um sistema de pagamentos instantâneos que hoje move cerca de 80% do varejo digital do país e ajudou a transformar fintechs como a Razorpay em empresas bilionárias

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 09/06/2026 às 14:54
Atualizado em 09/06/2026 às 14:56
Assista o vídeoA UPI, sistema de pagamentos da Índia, nasceu em 2016, antes do PIX, move 80% do varejo digital e fez da fintech Razorpay uma empresa avaliada em bilhões.
A UPI, sistema de pagamentos da Índia, nasceu em 2016, antes do PIX, move 80% do varejo digital e fez da fintech Razorpay uma empresa avaliada em bilhões.
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Ao contrário do que dizem algumas manchetes, a Índia não copiou o PIX, pois seu sistema de pagamentos nasceu em 2016, quatro anos antes do brasileiro. A UPI virou referência mundial e impulsionou fintechs como a Razorpay, hoje avaliada em cerca de 9 bilhões de dólares e a caminho da bolsa.

Quando o Brasil lançou o PIX, em novembro de 2020, a Índia já operava havia quatro anos um sistema de pagamentos instantâneos muito parecido, a UPI. Criada em 2016 pela NPCI, a corporação nacional de pagamentos que opera o serviço, a Unified Payments Interface se tornou a espinha dorsal das transações digitais indianas. Segundo dados da própria NPCI e análises do setor, ela responde hoje por cerca de 80% dos pagamentos digitais no varejo do país, e foi nesse ambiente que surgiram fintechs bilionárias, como a Razorpay.

A ordem cronológica desmonta uma ideia que circula em algumas manchetes, a de que a Índia teria copiado o PIX. Na prática, foi o contrário, e a comparação entre os dois sistemas foi tema até de um evento do setor em São Paulo, onde uma executiva da NPCI chegou a chamar a UPI de irmão mais velho do PIX, segundo relatos da imprensa especializada. Fundada em 2014, a Razorpay aproveitou essa onda de pagamentos digitais e hoje é avaliada na casa dos bilhões de dólares, a caminho de abrir capital.

A Índia não copiou o PIX, e a conta dos anos explica

A UPI, sistema de pagamentos da Índia, nasceu em 2016, antes do PIX, move 80% do varejo digital e fez da fintech Razorpay uma empresa avaliada em bilhões.
A confusão começa pela data. 

A UPI foi lançada em abril de 2016 pela NPCI, sob supervisão do banco central indiano, conforme registros da própria entidade.

O PIX, operado pelo Banco Central do Brasil, só estreou em novembro de 2020, segundo o cronograma oficial do regulador brasileiro.

Ou seja, o sistema de pagamentos indiano é cerca de quatro anos mais antigo que o brasileiro, o que torna impossível falar em cópia.

A semelhança entre os dois, no entanto, é real e reconhecida pelos próprios envolvidos. 

No Ebanx Payment Summit, encontro do setor realizado em São Paulo, a executiva Maria Francis, da NPCI, descreveu a UPI como o irmão mais velho do PIX, afirmando que se trata basicamente da mesma coisa, segundo relatos da imprensa especializada sobre o evento.

A largada antecipada deu à UPI funções que o Brasil só foi incorporar depois ao PIX, como os pagamentos recorrentes.

Em vez de cópia, o que existe é um parentesco entre dois dos sistemas de pagamentos instantâneos mais bem-sucedidos do mundo.

Como funciona o sistema de pagamentos que move o varejo indiano

No essencial, a UPI funciona como o PIX que o brasileiro conhece. 

É um sistema de pagamentos em tempo real, disponível 24 horas por dia, que permite transferências diretas entre contas bancárias pelo celular, com custo baixo ou nulo para o usuário.

Conforme dados da NPCI e análises comparativas, como a do instituto americano ORF, a ferramenta responde por cerca de 80% dos pagamentos digitais no varejo indiano, chegando a 85% do total de transações digitais em alguns levantamentos.

A maior diferença em relação ao PIX está na arquitetura. 

A UPI é um sistema aberto e descentralizado, em que a NPCI define os trilhos e dezenas de aplicativos de bancos e fintechs constroem soluções sobre eles.

O PIX, por sua vez, é centralizado e operado diretamente pelo banco central brasileiro.

Esse modelo aberto da Índia abriu espaço para uma indústria de empresas que processam pagamentos, integram lojas virtuais e conectam meios de cobrança, e é aí que entra a Razorpay.

A Razorpay e a febre das fintechs de pagamento

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A Razorpay foi fundada em 2014 por Harshil Mathur e Shashank Kumar, dois engenheiros que se conheceram no instituto de tecnologia de Roorkee. 

Segundo o histórico da empresa e reportagens do site especializado TechCrunch, a dupla conta ter sido rejeitada por mais de cem bancos até ser aceita na aceleradora americana Y Combinator, o que destravou as primeiras parcerias.

A companhia começou como um gateway de pagamentos para lojas online e foi se transformando em uma plataforma completa de serviços financeiros para empresas.

Hoje a companhia vai muito além de operar um sistema de pagamentos. 

Ao longo dos anos, lançou serviços de conta empresarial, crédito, folha de pagamento, cobranças recorrentes e automação financeira, no que o presidente da empresa descreve como um sistema operacional financeiro para negócios.

De acordo com a plataforma de dados de mercado Tracxn, a Razorpay levantou cerca de 741 milhões de dólares, perto de 3,8 bilhões de reais, de fundos como Y Combinator, Tiger Global, a Peak XV (antiga Sequoia Capital India), a GIC, a Mastercard e a Salesforce Ventures.

Avaliação bilionária, fundadores bilionários e um IPO à vista

A valorização acompanhou o crescimento dessa empresa de sistema de pagamentos, mas com altos e baixos. 

Em 2021, a Razorpay foi avaliada em 7,5 bilhões de dólares, conforme noticiado à época pelo TechCrunch. Em 2025, segundo a plataforma Tracxn, esse número subiu para cerca de 9,2 bilhões de dólares, algo próximo de 48 bilhões de reais pela cotação atual.

A trajetória transformou Mathur e Kumar em dois dos mais jovens bilionários da Índia, de acordo com a imprensa de negócios.

O próximo capítulo é a bolsa, e ele traz um sinal de cautela. 

Em 2025, a Razorpay transferiu sua sede dos Estados Unidos de volta para a Índia, passo necessário para uma abertura de capital no mercado indiano, prevista para o fim de 2026.

Reportagens da imprensa indiana, como o Business Today, e da agência Reuters indicam, porém, que a avaliação na estreia em bolsa deve ficar mais modesta, na faixa de 5 a 6 bilhões de dólares, abaixo do pico do mercado privado.

É um lembrete de que o valor de uma fintech entre investidores privados nem sempre se confirma diante do mercado aberto.

O caso da UPI e da Razorpay mostra que Brasil e Índia trilharam caminhos parecidos, em tempos diferentes. 

Mais do que descobrir quem copiou quem, a comparação ajuda a entender como um sistema de pagamentos instantâneos, barato e de uso simples pode redesenhar a economia de um país e criar uma nova geração de empresas de tecnologia.

A Índia chegou primeiro, o Brasil acelerou rápido, e os dois viraram referência mundial no tema.

E você, sabia que a UPI indiana é mais antiga que o PIX, ou também tinha ouvido que a Índia teria copiado o sistema brasileiro? Acha que o PIX poderia fazer brotar no Brasil fintechs bilionárias como a Razorpay? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes opiniões, e compartilhe esta matéria com quem se interessa por tecnologia e economia.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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