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Cientistas puxaram um líquido até ele se romper como vidro, ouviram um estalo no laboratório e descobriram que até fluidos simples podem quebrar como sólidos sob força extrema; uma descoberta que desafia o que sabíamos sobre a matéria e pode valer até para a água e o óleo

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 01/07/2026 às 06:33
Estudo da Drexel University revela que líquido viscoso pode se fraturar como sólido sob estresse extremo e desafia a visão clássica da física dos fluidos.
Cientistas puxaram um líquido até ele se romper como vidro
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Estudo da Drexel University revela que líquido viscoso pode se fraturar como sólido sob estresse extremo e desafia a visão clássica da física dos fluidos.

Uma pesquisa da Drexel University, nos Estados Unidos, mostrou que um líquido simples e viscoso pode se fraturar como se fosse um sólido quando submetido a condições extremas de estiramento. O estudo foi publicado em março de 2026 na revista Physical Review Letters e descreve um comportamento que contraria a visão clássica de que líquidos apenas escorrem, afinam e se deformam continuamente.

O fenômeno surpreendeu a própria equipe de pesquisa. Durante os testes, o líquido não se alongou de forma gradual, como seria esperado em materiais viscosos, mas se partiu com um estalo brusco, levando os pesquisadores a repetir o experimento para confirmar que não se tratava de falha no equipamento.

Descoberta da Drexel University revela que líquido viscoso pode se fraturar como sólido sob estresse extremo

A descoberta aconteceu enquanto a equipe estudava dois líquidos simples em colaboração com a ExxonMobil Technology & Engineering Company. O experimento era um teste de reologia extensional, usado para medir quanta força é necessária para fazer um líquido fluir quando ele é puxado.

A expectativa era observar o comportamento clássico de um fluido viscoso, semelhante ao de mel ou alcatrão sendo esticado. Em vez disso, os líquidos testados se separaram de forma repentina, exibindo um padrão de fratura semelhante ao que costuma ser associado a materiais sólidos submetidos à tração.

Descoberta da Drexel University revela que líquido viscoso pode se fraturar como sólido sob estresse extremo
Credit: Drexel University

A pesquisadora Thamires Lima relatou que o rompimento produziu um estalo alto o bastante para assustá-la. Já Nicolas Alvarez, da Drexel, afirmou que o resultado foi tão inesperado que os experimentos precisaram ser repetidos várias vezes antes de a equipe aceitar que o fenômeno era real.

Ponto de estresse crítico em líquidos simples explica quando o fluido para de escorrer e passa a quebrar

O centro da descoberta está no chamado ponto de estresse crítico. Segundo a equipe, quando um líquido simples é puxado com força suficiente por unidade de área, ele pode atingir um limiar em que deixa de aliviar a tensão por escoamento e passa a se romper como um sólido.

Nos testes iniciais, as misturas de hidrocarbonetos semelhantes ao alcatrão se fraturaram em torno de 2 megapascais de tensão crítica. A equipe também observou que, para cada viscosidade testada, havia uma taxa específica de estiramento capaz de induzir a ruptura, mantendo a relação com esse limiar crítico.

Quando o líquido é puxado devagar, ele ainda consegue escoar e redistribuir a tensão. Quando o estiramento ocorre rápido demais, o material não consegue relaxar a tempo, a tensão se acumula e a fratura aparece de forma abrupta.

Viscosidade e não elasticidade surge como fator central na fratura de líquidos simples

Um dos pontos mais relevantes do estudo é que a fratura não parece depender da elasticidade, como se imaginava em casos parecidos envolvendo fluidos complexos.

Até então, esse tipo de comportamento era mais associado a líquidos viscoelásticos ou poliméricos, como misturas espessas capazes de armazenar tensão de forma mais parecida com sólidos.

Para testar essa hipótese, os pesquisadores compararam um líquido simples de estireno oligomérico com sua versão polimérica equivalente. O resultado chamou atenção porque ambos se romperam no mesmo ponto de estresse crítico, sugerindo que a viscosidade foi o fator dominante no processo, e não a elasticidade.

Essa conclusão amplia o peso da viscosidade na descrição mecânica dos fluidos e abre uma frente nova de investigação em dinâmica dos fluidos. No comunicado da Drexel, a equipe afirma que o comportamento pode ser mais geral do que se pensava e talvez se aplique, sob as condições corretas, a muitos outros líquidos simples.

Velocidade da fratura e hipótese de cavitação ampliam o impacto da descoberta científica

Depois de confirmar a ruptura, a equipe passou a investigar como essa fratura se propaga dentro do líquido. De acordo com os resultados resumidos nas fontes consultadas, as rachaduras avançaram em velocidades entre 500 e 1.500 metros por segundo, um intervalo compatível com a hipótese de cavitação.

Viscosidade e não elasticidade surge como fator central na fratura de líquidos simples
Viscosidade e não elasticidade surge como fator central na fratura de líquidos simples

A cavitação é um fenômeno importante na engenharia porque envolve a formação e o colapso rápido de cavidades ou bolhas, o que pode gerar danos em sistemas mecânicos.

A própria Drexel informou que os indícios iniciais apontam para essa possibilidade, embora o mecanismo físico completo ainda precise ser investigado em estudos futuros.

Esse ponto é importante porque mantém o texto tecnicamente correto. A descoberta é recente e robusta o bastante para sustentar a existência da fratura em líquidos simples nas condições testadas, mas os autores deixam claro que a explicação detalhada do mecanismo ainda está em desenvolvimento.

Aplicações em hidráulica impressão 3D fibras e fluxo sanguíneo mostram por que a descoberta importa

Apesar de parecer uma curiosidade de laboratório, a descoberta tem potencial para impactar áreas práticas.

A Drexel afirma que o fenômeno pode influenciar pesquisas em hidráulica, impressão 3D, processamento de líquidos viscosos, produção de fibras e até sistemas biológicos que dependem do comportamento de fluidos sob estresse.

O interesse científico está justamente no fato de que uma regra considerada básica pode não ser tão rígida quanto parecia. Se líquidos simples também possuem um limite de ruptura em certas condições, modelos usados para prever o comportamento desses materiais talvez precisem ser refinados.

No fim, a descoberta reforça uma das marcas mais fortes da ciência: até fenômenos cotidianos e aparentemente bem compreendidos ainda podem esconder comportamentos inesperados. Nesse caso, um líquido comum revelou um limite mecânico que pode reabrir discussões fundamentais sobre como os fluidos respondem à força extrema.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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