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Quase 300 campos de futebol de Mata Atlântica voltam a respirar em SC: projeto Mais Floresta com Araucária recupera 292 hectares em serras e assentamentos, implanta sistemas agroflorestais, envolve agricultores na coleta de sementes e promete frear a perda de diversidade genética

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 28/02/2026 às 00:57
floresta recuperada na Mata Atlântica em SC com araucária e sistemas agroflorestais fortalece renda local e preserva diversidade genética.
floresta recuperada na Mata Atlântica em SC com araucária e sistemas agroflorestais fortalece renda local e preserva diversidade genética.
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No projeto Mais Floresta com Araucária, financiado pelo BNDES e executado pela Fundação CERTI, 292 hectares de Mata Atlântica degradada foram restaurados em Urupema, Urubici, Bom Retiro e Passos Maia, com plantio nativo, sistemas agroflorestais, coleta de sementes e renda para famílias equivalentes a mais de 290 campos de futebol.

A palavra floresta ganha outra escala em Santa Catarina quando 292 hectares de Mata Atlântica degradada passam a ser restaurados por um esforço que mistura ciência, plantio e trabalho rural, com o projeto Mais Floresta com Araucária, executado pela Fundação CERTI e financiado pelo BNDES. O resultado se distribui entre serras e assentamentos, conectando Urupema, Urubici, Bom Retiro e Passos Maia.

O que está em jogo vai além de “recompor verde” no mapa: a recuperação mira ecossistemas que vinham perdendo diversidade genética, algo que afeta a produção de frutos e madeira e, ao mesmo tempo, enfraquece serviços ambientais que sustentam a vida local, como regulação climática, polinização, conservação do solo e disponibilidade de água.

Onde a floresta reaparece e por que isso importa

Na Serra Catarinense, a restauração alcançou áreas de Preservação Permanente e trechos degradados dentro da RPPN Canto do Araponga, envolvendo os municípios de Urupema, Urubici e Bom Retiro.

Somadas ao que foi feito em Passos Maia, essas frentes completam os 292 hectares recuperados, uma dimensão que ajuda a visualizar, mas não traduz sozinha o que significa fazer a floresta voltar a funcionar como sistema.

Quando a floresta se fragmenta, ela não perde apenas árvores; perde continuidade, troca genética entre populações e parte do “trabalho” ecológico que mantém o ambiente estável.

É por isso que a meta declarada de frear a perda de diversidade genética aparece como eixo do projeto: sem variabilidade, a floresta fica mais vulnerável e tende a responder pior às pressões do tempo, do clima e do uso do solo.

Araucária como eixo da floresta e da renda

A araucária (Araucaria angustifolia) não foi escolhida por acaso: ela é símbolo da Floresta Ombrófila Mista e tem um papel cultural e ecológico que atravessa gerações no Sul.

Ao recolocar a araucária no centro da restauração, o projeto reconstrói uma identidade da paisagem e também recupera o potencial do pinhão como alimento tradicional e fonte de renda.

Mas uma floresta resiliente não se faz com uma única espécie. Por isso entram outras nativas como erva mate, goiabeira serrana, imbuia e casca d’anta, ampliando o “cardápio” ecológico e econômico das áreas restauradas.

Diversificar espécies é diversificar funções: muda a oferta de alimento para a fauna, altera a dinâmica de polinizadores e reforça a estrutura do solo, enquanto cria possibilidades reais de geração de renda ao longo do tempo.

Sistemas agroflorestais na prática: do solo ao prato

imagem: VEJA (Getty/Getty Images)

Em Passos Maia, a restauração alcançou 192 hectares de Reserva Legal nos assentamentos Zumbi dos Palmares e 29 de Junho, com a implantação de sistemas agroflorestais que combinam árvores nativas e culturas agrícolas. A lógica dos SAFs é simples e exigente ao mesmo tempo: produzir sem repetir a monocultura, construindo camadas de vegetação e renda que se sustentem por mais tempo.

Nesse modelo, entram espécies adubadeiras com funções bem definidas, como proteger o solo, melhorar a fertilidade e fixar nitrogênio, preparando o terreno para o crescimento de árvores nativas.

O ganho não é apenas ambiental: com produção integrada, as famílias podem fornecer alimentos para programas públicos como o PNAE, enquanto aguardam o tempo de produção de mudas de araucária e outras espécies para ampliar a oferta em feiras e mercados locais. É uma floresta que também precisa “fechar a conta” para permanecer em pé.

Sementes, mudas e cercas: o trabalho invisível que sustenta a floresta

Um dos pontos mais decisivos do projeto foi envolver agricultores familiares em etapas que costumam ficar fora do radar: coleta de sementes, plantio de mudas e construção de cercas.

Essa participação não é detalhe operacional; ela cria capacidade local e dá escala à restauração, porque transforma a recuperação da floresta em cadeia produtiva com gente treinada para executar e manter o que foi implantado.

Na prática, cercar áreas em restauração protege mudas jovens e reduz o risco de perda por pisoteio, acesso indevido ou pressão do entorno, aumentando a eficiência do plantio.

Já a coleta de sementes, quando organizada e feita com cuidado, ajuda a manter diversidade genética e a adequação das espécies ao território.

Restauração não é só plantar: é garantir que a floresta consiga passar do estágio frágil para o estágio estável.

Diversidade genética e serviços ambientais: o que muda quando a floresta se conecta

A gerente de projetos do Centro de Economia Verde da CERTI, Gisele Alarcon, aponta a perda de diversidade genética como ameaça que compromete produção de frutos, madeira e serviços ambientais essenciais.

Isso dá a medida do impacto: diversidade genética não é um conceito distante; ela aparece quando a floresta responde melhor a variações de clima, sustenta polinizadores e mantém ciclos de água e solo funcionando com menos rupturas.

Estudos do Instituto de Pesquisas Ambientais de Santa Catarina (IPA SC) citados no contexto do projeto indicam que iniciativas que integram sistemas agroflorestais e recuperação de APPs elevam a resiliência do ecossistema, fortalecendo conectividade ecológica e melhorando a qualidade da água e do solo.

Em termos cotidianos, significa menos erosão, mais infiltração, mais estabilidade e um ambiente que volta a “trabalhar” a favor de quem vive e produz ao redor da floresta, em vez de exigir remendos constantes.

Na sua região, onde a floresta mais precisa voltar a respirar: nas margens de rios, em encostas degradadas, ou em áreas de produção que poderiam virar SAF sem perder renda?

Você já viu de perto uma araucária adulta carregada de pinhão, ou conhece histórias de famílias que dependem desse ciclo para complementar a renda?

E se existisse um mutirão de sementes na sua comunidade, você participaria, ou acha que essa responsabilidade deveria ficar só com instituições e governos?

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Antônio
Antônio
01/03/2026 09:33

Bom dia. Sempre falei para as pessoas do meu círculo que deveriam plantar araucárias e outras espécies, em lugar apropriado. Com essa atitude recupamos nossas florestas.
O envolvimento da sociedade também é fundamental.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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