Pesquisadores da UEL desenvolvem protótipo de bateria de íons de sódio com aditivo de metal de transição para elevar desempenho e vida útil. Foco em armazenamento estacionário e redução de custos frente ao lítio, alinhado ao avanço global após anúncio da CATL no início de 2026.
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) apresentou resultados de um protótipo de bateria de íons de sódio com potencial de alto desempenho e longa vida útil. Segundo a UEL, o desenvolvimento ocorre no Laboratório de Filmes Finos e Materiais (Lab Filmat), em uma linha de pesquisa que busca soluções sustentáveis e competitivas para a transição energética.
O trabalho é conduzido pelo professor Alexandre Urbano, do Departamento de Física, que aposta na aplicação do sódio especialmente em redes elétricas e sistemas de armazenamento estacionário. A aposta aparece no mesmo cenário em que a chinesa CATL anunciou, no início de 2026, a primeira bateria de sódio voltada a uso comercial em larga escala, consolidando uma tendência tecnológica.
De acordo com Urbano, o objetivo é oferecer uma alternativa mais barata e estável para guardar energia gerada por fontes eólica e solar, além de usos cotidianos quando fizer sentido técnico e econômico. O sódio é abundante e melhor distribuído geograficamente, o que pode reduzir custos de extração e logística, pontos críticos no mercado global de baterias.
-
Após construir lago de 5 acres em sua fazenda, criador revela plano para novo lago artificial com rio de correnteza, cachoeiras, ilhas e até versão interna com teto retrátil para controlar luz, temperatura e transformar a paisagem rural
-
Um gigante está sumindo do mapa: Mar Morto, entre Israel, Jordânia e Cisjordânia perde 1,2 metro por ano, já encolheu um terço em 50 anos e fica 427 metros abaixo do nível do mar
-
Cidade fantasma de 4 mil moradores, abandonada após o colapso de uma mina de ferro, agora vira campo de treinamento com drones para polícia, resgate e equipes de emergência
-
Câncer colorretal avança no mundo, mas maioria dos casos pode ser evitada
A pesquisa da UEL se soma a um esforço internacional para diminuir a dependência de combustíveis fósseis com tecnologias robustas de armazenamento. A Agência UEL informa que o protótipo vem sendo monitorado continuamente, com foco em métricas de capacidade de carga e ciclagem.
Por que a bateria de sódio ganha força, abundância e custo jogam a favor

(Foto: Agência UEL)
Embora as baterias de lítio sejam hoje as mais populares, elas enfrentam desafios em custo e, em alguns casos, no uso de cobalto, metal tóxico comum em aplicações de alta performance. O sódio surge como opção por ser mais abundante e potencialmente mais barato, o que interessa a aplicações que exigem grande volume de armazenamento.
Especialistas lembram, porém, que o sódio não deve substituir o lítio em tudo. O íon de sódio é quase três vezes mais pesado que o de lítio, o que afeta aplicações sensíveis ao peso, como drones e veículos de alta performance. A tendência, segundo a UEL, é complementaridade entre as químicas, cada uma onde for mais eficiente.
Armazenamento estacionário no centro, redes elétricas e curtailment na Europa
Urbano destaca que o mercado mais promissor para o sódio é o armazenamento estacionário em redes elétricas. Ele relembra ocorrências na Europa no ano passado, em países como Espanha, Portugal e parte da França, onde apagões por alguns dias trouxeram à tona o termo curtailment, a restrição temporária de geração para evitar queda do sistema.
Nesses cenários, quando a produção supera a capacidade da rede, a energia excedente costuma ser desperdiçada. Baterias instaladas em parques de armazenamento permitem reter o excedente e devolvê-lo ao sistema em momentos de maior demanda, suavizando picos e vales de oferta.
De acordo com a UEL, a função básica das baterias é guardar energia com segurança e entregá-la com estabilidade. A tecnologia de sódio pode ganhar terreno justamente onde o custo por kWh armazenado e a robustez pesam mais do que a densidade energética.
Brasil pode se beneficiar, ONS reduz geração em picos e parques de baterias evitam desperdício
No Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) por vezes precisa bloquear parte da energia de fontes como a eólica para evitar sobrecarga e risco de colapso, segundo Urbano. A existência de parques de baterias de sódio ajudaria a absorver essa produção excedente e estabilizar o sistema.
Com uma matriz fortemente hidrelétrica e a expansão de renováveis, o país se beneficia de soluções de armazenamento que equilibrem a rede e reduzam perdas. Para o pesquisador, esse é um espaço natural para a competitividade do sódio.
O que há de novo no protótipo da UEL, aditivo em eletrodos melhora carga e ciclos
O diferencial do protótipo do Lab Filmat está na adição, aos eletrodos, de um metal de transição que permanece em sigilo por ainda não haver patente, informa a UEL. “Conseguimos introduzir esse metal como aditivo para melhorar o desempenho elétrico e dar mais estabilidade”, diz Urbano.
Com o aditivo, a bateria se torna mais potente em dois pontos-chave, explica o professor. O primeiro é a quantidade de carga armazenada, que determina o tempo de operação até a próxima recarga; o segundo é o número de ciclos, isto é, quantas cargas e descargas completas o sistema suporta antes de degradar.
“Temos excelente perspectiva de que a bateria vai durar muito tempo”, avalia Urbano, reforçando a promessa de menor custo frente ao lítio pela abundância do sódio. A UEL afirma que o foco atual é refinar as misturas e consolidar a estabilidade ao longo dos ciclos.
Os protótipos são montados em câmara seca, com atmosfera inerte, para reduzir contaminações e variáveis ambientais. No laboratório, seis baterias permanecem ligadas continuamente, monitoradas por softwares que registram curvas de desempenho em tempo real.
Diversas formulações vêm sendo testadas, com variações no tipo e na proporção de metais nos eletrodos. O objetivo é encontrar a combinação com melhor equilíbrio entre capacidade, eficiência e longevidade, sem abrir mão da segurança operacional.
Formação de talentos e financiamento, projeto integra os Napis EZC e Eletrônica Orgânica
Além da inovação tecnológica, o projeto cumpre missão estratégica de formação de recursos humanos, destaca Urbano. O laboratório tem formado mestres e doutores em Ciência dos Materiais, com alta empregabilidade no Brasil e no exterior, segundo a UEL.
A pesquisa recebe apoio dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (Napis), nos eixos Energia Zero Carbono (EZC) e Eletrônica Orgânica. O financiamento ajuda a manter infraestrutura, insumos e equipes dedicadas à escalabilidade do protótipo e à validação de rotas de produção.
E agora, sua opinião importa. A bateria de sódio deve priorizar redes elétricas e armazenamento estacionário, ou faz sentido disputar espaço com o lítio em mobilidade? O ganho de custo e a abundância do sódio compensam a menor densidade energética em usos sensíveis ao peso? Deixe seu comentário e participe do debate sobre os rumos do armazenamento de energia no Brasil.

Tenho energia solar em casa, referente nao sei au que, pois me sobra todo dia bastante energia, e nada ganho com isto! Certamente essas baterias iriam me ser útil, para o armazenamento do que me sobra