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Projeto do foguete brasileiro Montenegro MKI “cai antes de decolar” após falhas de R$ 24,5 milhões na prestação de contas

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 09/02/2026 às 18:46
Atualizado em 09/02/2026 às 18:47
Ilustração de foguete brasileiro Montenegro MKI em base de lançamento desativada após cancelamento do projeto.
Projeto do foguete Montenegro MKI foi cancelado após falhas na prestação de contas de recursos públicos.
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Um programa que prometia ampliar a autonomia espacial do Brasil, com investimento previsto de R$ 180 milhões, foi interrompido após inconsistências financeiras que levaram ao cancelamento do projeto e à abertura de investigações por órgãos de controle

O projeto do foguete brasileiro Montenegro MKI, idealizado para inserir o Brasil no seleto grupo de países capazes de lançar satélites de forma autônoma, foi oficialmente cancelado após a identificação de falhas graves na prestação de contas de R$ 24,5 milhões. A decisão foi tomada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), responsável pelo financiamento da iniciativa.

A informação foi divulgada inicialmente por veículos especializados em ciência e tecnologia, com base em documentos administrativos da Finep, que apontaram inconsistências relevantes no uso dos recursos públicos repassados ao consórcio responsável pelo desenvolvimento do foguete. Diante do cenário, o órgão determinou não apenas o encerramento do projeto, mas também a devolução integral dos valores questionados.

O Montenegro MKI fazia parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer o programa espacial brasileiro, reduzindo a dependência de lançadores estrangeiros e ampliando a capacidade nacional de acesso ao espaço. No entanto, apesar do discurso estratégico e do alto volume de recursos envolvidos, o projeto acabou interrompido antes mesmo de alcançar a fase de testes avançados.

Estrutura do projeto previa investimento de R$ 180 milhões e parcerias com startups

Desde o início, o Montenegro MKI foi concebido como um projeto ambicioso. O plano previa um investimento total de aproximadamente R$ 180 milhões, com recursos públicos direcionados ao desenvolvimento de um foguete lançador de satélites de pequeno e médio porte, capaz de atender tanto demandas civis quanto institucionais.

A liderança do consórcio ficou a cargo da empresa brasileira Akaer, conhecida por sua atuação nos setores aeronáutico e de defesa. Além dela, participaram do projeto as startups Acrux Aerospace, Breng Engenharia e Essado de Morais, que atuavam como coexecutoras em áreas específicas do desenvolvimento tecnológico.

No papel, o modelo de cooperação prometia acelerar a inovação e distribuir responsabilidades técnicas. Na prática, porém, surgiram problemas operacionais que comprometeram o andamento do projeto. Segundo relatos das empresas parceiras, houve falhas recorrentes de comunicação e atrasos significativos nos repasses financeiros, o que impactou diretamente o pagamento de salários, fornecedores e a continuidade das atividades.

Como consequência, etapas previstas no cronograma original deixaram de ser cumpridas, gerando um efeito cascata que atrasou entregas técnicas e ampliou a desconfiança da financiadora em relação à execução do contrato.

Bloqueio de contas, investigações e disputa sobre responsabilidade financeira

Em março de 2025, após denúncias formais apresentadas pelas startups envolvidas, a Finep decidiu bloquear as contas da Akaer. A medida foi adotada como forma de preservar os recursos públicos enquanto as irregularidades eram analisadas em profundidade.

Além disso, o caso foi encaminhado a órgãos de controle externo, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU), que passaram a acompanhar o processo administrativo e avaliar eventuais responsabilidades civis e administrativas.

As empresas coexecutoras afirmam que não tinham acesso à gestão central dos recursos e que cumpriram suas obrigações contratuais, incluindo a entrega de relatórios técnicos, prazos e prestações de contas individuais. Segundo essa versão, a falta de repasses por parte da líder do consórcio teria inviabilizado a continuidade dos trabalhos, mesmo com as metas técnicas sendo atendidas dentro do possível.

Nesse contexto, as startups defendem que a responsabilidade pela devolução dos valores — que, segundo documentos, pode chegar a R$ 41,3 milhões considerando outros repasses — deve recair exclusivamente sobre a Akaer. Enquanto a Essado de Morais aguarda a conclusão do processo administrativo, a Breng Engenharia ainda não se manifestou oficialmente sobre o desfecho do caso.

Fonte: Aeroin

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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