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Professora argentina percebe ausência de aluna de 16 anos, descobre retorno ao abrigo e inicia adoção com apoio dos dois filhos já adotados

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 02/09/2026 às 20:30 Atualizado em 02/09/2026 às 20:31
Professora argentina percebe ausência de aluna de 16 anos
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A história de Miriam Coronel e Camila mostra como a ausência em sala revelou o retorno da adolescente a um abrigo, aproximou uma professora argentina de uma adoção tardia e deu à jovem voz ativa para decidir seu futuro familiar

A carteira no fundo da sala começou a ficar vazia. A professora argentina Miriam Coronel percebeu que Camila, sua aluna de 16 anos, havia começado a faltar e descobriu que a jovem estava outra vez em uma instituição de acolhimento.

A informação foi publicada pela TN, portal argentino de notícias sobre sociedade e cotidiano. A ausência em sala revelou uma tentativa anterior de aproximação com candidatos à adoção que não avançou e levou Miriam a mandar um recado dizendo que sentia falta da adolescente.

O gesto não resultou em uma mudança imediata. Miriam, o marido Néstor e os filhos Ian e Lorenzo, também adotados, construíram a relação com Camila aos poucos, respeitando a vontade da jovem e mantendo espaço para seus vínculos de origem.

A aluna de 16 anos que deixou de aparecer

Miriam ensinava Língua e Literatura na Escola de Ensino Médio número 2 Fray Mamerto Esquiú. Camila era tímida, sentava no fundo da sala, perto da parede, e só participava de atividades em grupo quando recebia incentivo da professora.

Quando a adolescente começou a faltar, Miriam procurou a responsável pelo acompanhamento dos estudantes. Foi nesse momento que soube que Camila vivia em um abrigo e tinha passado por uma tentativa de aproximação com candidatos à adoção que não havia terminado em convivência familiar.

A mensagem que revelou o retorno ao abrigo

Miriam encontrou outra jovem que morava na mesma instituição e pediu que ela entregasse um recado a Camila. A mensagem era simples: a professora sentia sua falta e queria reencontrar a aluna na escola.

Camila apareceu no dia seguinte. Ela contou que havia participado de uma audiência com a juíza e que seriam procurados referentes afetivos, expressão usada para adultos de confiança capazes de oferecer presença, cuidado e apoio.

Miriam e Camila
Miriam e Camila (Imagem: Reprodução)

Naquele ponto, ainda não existia uma adoção definida. O primeiro passo pensado por Miriam foi ocupar esse lugar de referência, sem prometer uma solução instantânea e sem retirar de Camila a possibilidade de avaliar como se sentia diante da aproximação.

O conselho inesperado de Ian e Lorenzo mudou a decisão da família

Miriam dividiu com Néstor o desejo de acompanhar Camila. Ele temia que todos criassem afeto e fossem obrigados a encerrar a convivência mais tarde, mas concordou que a família deveria se apresentar à Justiça e oferecer apoio à adolescente.

O casal já era pai de Ian e Lorenzo, chamados de Lolo pela família. Os irmãos tinham chegado à casa de Miriam e Néstor depois de outra tentativa de convivência familiar que não funcionou, experiência parecida com a situação vivida por Camila.

Miriam também ouviu os meninos antes de avançar. O argumento mais direto veio de Ian, que chamou atenção para a dificuldade enfrentada por crianças maiores e adolescentes nos processos de adoção e defendeu que a família ajudasse Camila. Lorenzo também fazia parte daquela casa e da convivência que começaria a ser construída com a nova irmã.

Os fins de semana transformaram aproximação em convivência

A família pensou em começar com uma refeição fora de casa e ampliar os encontros com calma. Camila, porém, aceitou conhecer Néstor e os meninos logo na primeira oportunidade e passou todo o fim de semana com eles.

A TN, portal argentino de notícias sobre sociedade e cotidiano, detalhou que Camila passou a visitar a família nos fins de semana e a encontrar seus integrantes durante a semana. Em 21 de setembro, uma situação de angústia vivida no abrigo levou Miriam e Néstor a pedirem autorização judicial para que ela permanecesse na casa.

O quarto ainda não estava pronto e Camila chegou a dormir em um corredor. Mesmo assim, a convivência avançou com autorização da Justiça e, em dezembro de 2019, a família assinou a guarda, etapa que formalizou a responsabilidade dos adultos enquanto a adoção ainda era analisada.

Camila precisou escolher se queria seguir com a adoção

A juíza perguntou diretamente a Camila se ela queria ser adotada. A jovem não recebeu a decisão pronta, começou a pensar e teve tempo para avaliar uma mudança que atingiria sua vida, seu nome e sua relação jurídica com a nova família.

Em março, a pandemia alterou a rotina. Quando a guarda completou seis meses, no inverno argentino, a juíza apresentou duas possibilidades: renovar aquela etapa ou seguir para a adoção. Camila manifestou que desejava integrar legalmente a família, e a sentença ficou firme em novembro.

A nova família de Camila
A nova família de Camila (Imagem: Reprodução)

A cronologia merece atenção. Camila completou 18 anos no fevereiro seguinte, pouco antes da publicação da história em 5 de março de 2021. Portanto, sua participação ocorreu ao longo do processo, enquanto a confirmação judicial e a emissão do novo documento já estavam encaminhadas.

Adolescentes não são espectadores de uma adoção. A vontade deles precisa ser ouvida porque a decisão altera pertencimento familiar, direitos e identidade. Esse processo ocorreu na Argentina e não deve ser aplicado automaticamente ao Brasil, que possui legislação, etapas e autoridades próprias.

A nova família não apagou os vínculos anteriores de Camila

Miriam e Néstor reconheceram que os três filhos tinham famílias de origem e poderiam manter relações importantes com elas. Camila retomou contato com o pai e os irmãos, ampliando sua rede de afeto em vez de substituir completamente uma história pela outra.

A adolescente também participou da escolha do próprio nome. Ela retirou um dos nomes e acrescentou o sobrenome de Néstor ao sobrenome de origem, preservando no documento uma parte de sua trajetória anterior e registrando o novo vínculo familiar.

A história começou com uma ausência escolar, mas avançou por meio de recados, encontros, fins de semana, autorização judicial, guarda e consentimento. Miriam não passou de professora a mãe de forma instantânea, e Camila não foi tratada como alguém sem passado ou sem capacidade de decidir.

O apoio de Néstor, Ian e Lorenzo ajudou a abrir espaço para uma família de cinco pessoas. Você acredita que mais famílias deveriam considerar a adoção de adolescentes? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta história com quem precisa conhecer essa realidade.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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