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Professora aposentada se muda para a cidade do Alasca que passa dois meses sem sol e mostra como é viver lá

Publicado em 16/01/2026 às 22:14
Alasca, Cidade, Sol
Imagem: Divulgação
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Após semanas de escuridão contínua no extremo norte do Alasca, moradores de Utqiaġvik observam reaparecimento do sol em janeiro, fenômeno que influencia rotinas, emoções, trabalho, ensino, clima e convivência comunitária

Após cerca de dois meses sem luz solar direta, o sol voltou a ser visível em Utqiaġvik, no extremo norte do Alasca, marcando o encerramento da noite polar, fenômeno anual que submete a cidade a semanas consecutivas de escuridão.

Localizada acima do Círculo Polar Ártico, a cidade passa todos os anos por um período prolongado sem nascer do sol, condição natural causada pela inclinação do eixo da Terra e recorrente nessa região do hemisfério norte.

Vida durante a noite polar

Entre os moradores que vivenciaram o fenômeno está Robin Reeves, professora aposentada que se mudou para a região em 2022 após encerrar a carreira na educação.

Vinda do Arkansas, Reeves aceitou inicialmente um contrato de professora substituta com duração de sete semanas, sem nunca ter visitado o estado anteriormente.

A experiência incluiu morar na vertente norte da cidade, com vista direta para o Oceano Ártico a partir da janela de seu apartamento.

Após o término do contrato inicial, a educadora foi convidada a retornar por um ano inteiro e decidiu aceitar a proposta.

Ela relatou à revista PEOPLE que se adaptou bem ao cotidiano local, apesar do alto custo dos alimentos e refeições.

Reeves também contou sentir falta do marido, Blaine, que permaneceu em casa cuidando do pai durante sua ausência prolongada.

Segundo ela, as videochamadas quase diárias ajudaram a manter o vínculo e a enfrentar a distância imposta pela mudança.

Temperaturas extremas e rotina na cidade

Há cerca de 2 anos, Reeves passou a documentar o período sem sol por meio de vídeos publicados em sua conta no TikTok, @theliberrylady.

As gravações mostravam a vista do apartamento e da escola, frequentemente acompanhadas das temperaturas registradas ao longo dos dias.

Em um certo dia, ela relatou temperatura de -22 graus, com sensação térmica de -44, destacando o rigor do inverno local.

Ao falar sobre o frio intenso, Reeves atribuiu parte da adaptação à própria idade e às mudanças físicas associadas à menopausa.

Ela comentou que os calores repentinos acabavam sendo uma vantagem, já que o alívio ao sair ao ar livre era imediato.

Durante a semana, Reeves acorda por volta das 6h e acende todas as luzes do apartamento antes de seguir para a escola.

Ela é buscada por outro professor e leciona Educação Física para alunos do jardim de infância ao quinto ano.

Além das aulas regulares, participa de um programa extracurricular, oferecendo reforço escolar e treinando uma equipe olímpica juvenil indígena júnior.

Impacto da luz e adaptação

Reeves afirmou não ter enfrentado grandes dificuldades durante o período de escuridão, já que passa boa parte do dia em ambientes iluminados.

Segundo ela, o período mais desafiador ocorre quando há 24 horas de luz solar, comum entre maio e agosto.

Essa condição é registrada durante o verão no Alasca, conforme informações do Travel Alaska.

Perto do fim dos dois meses sem sol, Reeves começou a notar céus mais claros antes do amanhecer, o que gerou surpresa emocional.

Ela relatou ter ficado feliz ao perceber que o retorno do sol estava próximo, mesmo sem o nascer oficial.

Celebração e retorno gradual a cidade

Durante a noite polar, não há nascer do sol, mas ocorre o chamado crepúsculo civil em determinados horários do dia.

A meteorologista Allison Chinchar, da CNN, explicou que o fenômeno lembra o céu antes do amanhecer ou após o pôr do sol.

Ao longo do último ano, Reeves formou um grupo de amigos no mesmo prédio, o que tornou a experiência mais acolhedora.

Neste ano, ela participou de uma sessão online organizada pelo Colégio Iļisaġvik para celebrar a volta do sol.

A atividade incluiu uma dança, da qual seus alunos participaram usando tiaras com desenhos de sol, em um momento descrito como marcante.

Em 24 de janeiro, Reeves publicou um vídeo relatando que não conseguiu ver o sol devido ao céu nublado naquele dia.

Ela explicou que, embora o sol tenha retornado, a intensidade da luz aumenta gradualmente até alcançar 24 horas diárias.

Ela reconhece sentir falta do marido e do pudim de banana do Central BBQ, mas afirma estar satisfeita com a experiência.

Segundo a professora, nem todos os dias são maravilhosos, mas a vivência no topo do mundo reflete a realidade da vida, com desafios e recompensas.

Com informações de People.

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Romário Pereira de Carvalho

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